Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

UMA BOA NOTÍCIA!

- 16 de dezembro de 2010
 Tampa FSB desenvolvida pela Sodramar

Esta tampa  é compatível com  qualquer dreno de fundo existente no mercado.

Esta informação que agora divulgo, deve ser de interesse público, principalmente de condomínios, clubes, hotéis, motéis, parques aquáticos e todo e qualquer lugar onde houver instalada uma piscina.

A nota abaixo está sendo publicada na Revista da ANAPP. - Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins.

"A Sodramar é uma empresa que sempre se preocupou em inovar, tanto na área tecnológica quanto na qualidade de seus produtos, sem esquecer jamais da Segurança dos seus clientes.

Pensando nisso criou a Tampa FSB 30m³, baseada em normas de segurança internacionais que tornam a piscina mais segura, aumentando a vazão do dreno para 30m³, com isso impedindo a sucção dos banhistas e até mesmo que ocorra o aprisionamento dos cabelos, eliminando o risco de acidentes envolvendo o dreno de fundo.

A tampa, fabricada e patenteada pela Sodramar e já disponível para pronta entrega, adapta-se facilmente a qualquer dreno de fundo existente no mercado, sem a necessidade de danificar a estrutura já existente na piscina.

O nome FSB vem das iniciais da menina Flavia Souza Belo que vive em coma há mais de 12 anos, depois de ter ficado presa pelos cabelos, em um dreno de fundo mal dimensionado. Este nome é uma homenagem da Sodramar à Odele Souza, mãe de Flavia. Odele luta há vários anos pela criação de normas e regras para segurança nas piscinas e pela conscientização das empresas do setor. A história de Flavia pode ser conhecida no blog Flavia, vivendo em coma. http://www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com, criado por sua mãe."

Conforme me explicou Vladimir Moutinho, técnico da Sodramar, “Esta grade possui um exclusivo sistema de duplo escoamento, atuando como anti-turbilhão e grade convencional, proporcionando um limite de vazão até 200% maior que as grades tradicionais, sem permitir total obstrução da área de sucção”.

No lojista, a tampa FSB custa hoje, R$ 39,00. (trinta e nove reais). Como vemos, custa pouco evitar acidentes. Obviamente haverá o custo da instalação.

AVISO IMPORTANTE: (copiado do manual de instalação da tampa FSB)
A substituição da tampa convencional em piscinas já construídas e cheias d água deve ser feita com sistema hidráulico desligado e por um profissional qualificado, experiente e que saiba nadar, uma vez que este procedimento só poderá ser realizado através de mergulho de profundidade.

AVISO IMPORTANTE2: A Sodramar indica a empresa Stillus Piscina para a instalação da Tampa FSB. O Sr.Geraldo da empresa Stillus, é pessoa experiente na instalação da Tampa FSB e quando necessário, faz a devida adaptação para os ralos de formato quadrado. Telefones da Stillus Piscinas: (011) 5563-3773.

Quero agradecer ao Sr.Augusto Cesar de Araujo, Diretor da Sodramar por esta bonita homenagem, colocando as iniciais do nome de Flavia neste importante produto de sua empresa. Certamente a tampa FSB vai salvar muitas vidas. Assim é que eu entendo que deve ser uma empresa digna de nosso respeito: Que “não esqueça jamais da SEGURANÇA de seus clientes”.

Esta notícia que agora publico, eu considero um presente para mim e Flavia que fazemos aniversário hoje.

Um abraço a todos e até o próximo post.

Informação e conscientização, seja em que idade for.

- 11 de dezembro de 2010
 Ferimentos causados  por um ralo de piscina na barriga de um menino.

Mesmo uma pessoa muito jovem pode ser conscientizada do risco existente em ralos de piscinas. Por isso, oriente seus filhos, ainda que eles sejam bem pequenos. Oriente seus amigos. Mulheres de cabelos compridos, se nadarem próximo ao ralo, também podem se tornar vítimas.

Devidamente autorizada, publico abaixo o e-mail que recebi por esses dias de Aline, uma mocinha que depois de conhecer a história de Flavia, se conscientizou do risco oferecido por ralos de piscinas e passa adiante a informação, desta forma conscientizando mais pessoas de um risco que ainda é desconhecido de muita gente. 

"Olá, Odele!
Meu nome é Aline, tenho 19 anos e moro na cidade de Porto Alegre - RS.
Quando que li a história da Flávia na revista Época, não pude deixar de ficar chocada, pois aí descobri o enorme risco dos ralos de piscina, até então desconhecidos por mim. 

Também não pude deixar de passar a história dela adiante, pois sei que o objetivo do blog é alertar outras pessoas para que não aconteça o mesmo com elas.
Desde então venho acompanhando o blog, onde pude ver o tamanho do teu amor, dedicação, cuidado e atenção com a Flávia. Aliás, dá pra perceber que o blog é feito com muito amor!
 
Acho muito bonito, e admiro demais, a tua atitude de querer alertar outras famílias sobre o perigo dos ralos de piscina, para que não aconteça mais tragédias. Vou continuar contando a história da Flávia para todos a minha volta, só assim conseguiremos conscientizar as pessoas.
 
Bom, não tenho muito o que escrever, mas não aguentei ficar calada, precisava expor toda essa admiração que tenho por ti. Quem dera se todos tivessem uma mãe como você!
Beijos com carinho.
Aline"

Aline, assim como você, muitas pessoas  passam adiante a história de Flavia, seja pessoalmente, seja através de seus espaços virtuais. E tomara que mais pessoas ainda,  sigam o seu exemplo de passar adiante a história de Flavia. Que  cada dia mais os riscos existentes nos ralos de pisicinas sejam conhecidos,  de tal forma que os acidentes causados por esses ralos mal vendidos, mal instalados e sem manutenção adequada, deixem de  levar pessoas ao estado de coma ou à morte.  Que haja cada vez mais informação e conscientização,  para que tragédias como a que ocorreu com Flavia, não voltem a acontecer. 

Muito obrigada Aline.

A terapia do amor, do carinho e do afeto.

- 28 de novembro de 2010
Flavia, aos 8 anos, no aniversário da amiguinha com quem ela está abraçada.

Flavia sempre foi uma criança muito afetiva, muito meiga. Muito alegre! Ela era carinhosa não só com os de casa, mas com os amigos também. Flavia tinha facilidade para relacionar-se com as pessoas e gostava muito de estar com as amiguinhas.

Há quase 13 aos em coma, Flavia ainda mantém um silencioso carisma. Até hoje, as pessoas que entrevistei e acabei contratando para me ajudar a cuidar de minha filha, com raras exceções, desenvolveram um gostoso (e importante) afeto por Flavia que em seu leito, uma vez ou outra, retribui esse afeto com um sorriso, infelizmente não mais um sorriso gaiato como este que ela exibe na foto acima, é um sorriso singelo, mas ainda assim um sorriso, como se Flavia quisesse agradecer por estarem acrescentando afeto e carinho quando cuidam dela.

Para cuidar de alguém que ficou dependente de nós é preciso além da dedicação intensa, acrescentar gentileza no trato e delicadeza no toque. Para me ajudar a cuidar de Flavia, procuro identificar pessoas competentes, mas também doces e carinhosas porque acredito no poder do amor, do carinho e do afeto. Acredito que esses sentimentos, em qualquer circunstância, sejam mesmo terapêuticos. Não só para quem recebe, mas também para quem os dá.

Um abraço a todos e até o próximo post.

QUE A DOR NÃO NOS TORNE PASSIVOS...

- 15 de novembro de 2010
O Vôo das Gaivotas - Foto de Nuno de Sousa.

Por esses dias perdi meu irmão Edgar, com quem eu tinha um forte vínculo de afeto. E a falta dele está doendo em mim. Está doendo. Mas me conformo porque Edgar deve estar passeando no infinito. E por lá, talvez meu irmão tenha o privilégio de avistar  gaivotas como estas da foto do meu amigo Nuno, este sensivel fotógrafo português.

A dor é algo que atinge a todos nós em diferentes momentos da vida. Sentimos dor por diferentes razões, por exemplo, a dor que sinto por ver Flavia em coma. Ou a dor que sentimos pela perda de um ente querido, ou mesmo de um animalzinho de estimação, que vive por  anos em nossa casa e de repente morre.

Por vezes, sentir dor é inevitável. O que defendo é cuidemos para que nossa dor não se torne tão ostensiva, a ponto de nos tornar - nós - uma dor para o outro. O que defendo é que passado o período de sofrimento intenso, passado o período do luto, que possamos usar, se for o caso,  nossa experiência dolorosa, em função do próximo, de modo que o que nos ocorreu sirva de alerta para evitar que outras pessoas passem pelo mesmo sofrimento. Trabalhar a dor para não sucumbirmos a ela, é um desafio que precisamos vencer.

Nesse sentido, acredito, sem falsa modéstia,  que o blog Flavia, vivendo em coma, vem cumprindo o seu papel de alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas, apesar de ainda, muitas vezes, ao conversar  sobre o assunto, as pessoas me dizerem nunca terem ouvido falar de tal tipo de acidente e muito menos que ralos de piscinas pudessem oferecer tanto perigo. Mas pouco a pouco uma conscientização vem acontecendo. O blog de Flavia tem levado a informação  deste perigo a várias partes do mundo. Os comentários que publico abaixo são alguns dos muitos que deixam no blog de Flavia ou que recebo por e-mail. Saber que as informações contidas no blog de minha filha podem ser de utilidade para outras pessoas, é para mim, como dar voz à Flavia, é como dar mais sentido a esta dor que me tem cativa por ver minha filha em coma vigil irreversível. Esta dor me tem sim cativa, mas inativa ou passiva, jamais me terá.
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Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Hoje é aniversário de Flavia, um  dia que  já foi festivo"
Olá Odele!
Gostaria de lhe agradecer pelo seu empenho em conscientizar as pessoas sobre o perigo que os ralos de piscina podem representar. Moro em Cingapura, onde quase todos os brasileiros vivem em condomínios com piscina e nunca tinha atentado para esse potencial perigo. Vou ficar mais alerta e alertar também os amigos. Já assinei a petição também. Muito forca e esperança pra você sempre!
Um grande beijo. Pati.
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Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Reportagem na Revista "'Epoca: Agradecimentos"
Oi Odele, meu nome e Alessandra e moro em Jerusalem-Israel. Ha alguns dias li a reportagem sobre a Flavia, e me comovi muito e hoje coloquei parte dela no blog do meu filho Nehemias, que tem 3 anos, com o intuito de divulgar, pois essa questão dos ralos de piscinas e algo para o qual muita gente não esta atenta, inclusive eu, antes de ler a reportagem. Obrigada pelo seu exemplo de luta. Se quiser dar uma olhadinha no blog, fica a vontade, ta? http://nehemiaslahat.blogspot.com/
Shalom e um grande abraço pra você e pra Flavia!
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Cath deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Mesmo que não mudemos o mundo, vamos fazer nossa parte."
Olá, Odele. Obrigada pela visita ao meu blog. Eu sempre acompanhei o seu blog e sempre conversei com varias pessoas quando fui a clubes, academias sobre o perigo dos ralos. No Brasil quando fui visitar meus pais, eu e minha mãe nos machucamos, prendemos a barriga no ralo do lado da escadinha na piscina de casa. Depois disso eu chamei a atenção do meu pai e mostrei o blog. Aqui na Irlanda nas academias e clubes é proibida a entrada na piscina sem touca, de certa forma já ajuda um pouco porque eu tenho cabelo grande, mergulho e com certeza posso chegar a ser uma vitima um dia. Por gostar muito de nadar eu divulgo sempre o blog e também a causa. Estamos todos juntos, a voz do povo ainda é a voz de Deus, e por mais que o dinheiro fale bem alto, no Brasil a união faz a força sim!! E o caso dessa menina linda nunca será esquecido. Que Deus te abençoe a ti e a Flavia. Um forte abraço em um beijinho no seu anjinho.
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Odele, bom dia. Outro dia estava no hospital e minha amiga comentou que trocaram o ralo da piscina do apto.dela, devido a uma reportagem que eles viram na Revista Época. E era a sua entrevista!!! Por isso, nem tenha dúvida de quantos acidentes vocês têm evitado. Um beijo.Marcia. (*)
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(*) Marcia  mora no Brasil.
É isso. Muito bom saber que está havendo uma conscientização para o perigo dos ralos de piscinas. Muito bom saber que mesmo em coma,  a voz de Flavia ecoa longe e  faz com que eu e ela não sejamos passivas em nossa dor.

Um abraço a todos.

Ortostatismo: Um benefício para Flavia.

- 31 de outubro de 2010

Cadeira modelo Stand Up manual (sem adaptação) Foto recolhida da Net.

Recentemente Flavia foi de novo internada e ficamos quase uma semana no Hospital. Um dos exames acusou que ela está com osteopenia, que é uma fase anterior à osteoporose, doença que se caracteriza pelo enfraquecimento dos ossos . Uma das causas da osteoporose é a imobilidade, e por isso, obviamente, um dos alvos dessa doença são as pessoas que passam longo tempo acamadas, mesmo as muito jovens como Flavia. Esta é mais uma das inúmeras seqüelas deste acidente causado à Flavia por negligência e descaso com a vida humana. Na tentativa de evitar maiores danos à estrutura óssea de Flavia, estou substituindo a atual cadeira de rodas dela por outra do modelo “stanp up” para que Flavia possa ser colocada em pé durante parte do tempo em que ela é transferida da cama para a cadeira de rodas. O ortostatismo, que é o ato de ficar em pé, além de fortalecer os ossos pela descarga do peso nas pernas, favorece as funções fisiológicas.

Por ter ficado tetraplégica e em coma, por todas as limitações físicas decorrentes desta condição, qualquer cadeira de rodas que Flavia use, tem que antes passar por demorada e cuidadosa adaptação, em oficina especializada e por profissionais técnicos habilitados para isso. E assim está sendo feito com a cadeira “stand up” de forma que fique adequada ao corpo e às necessidades de Flavia e ela possa se beneficiar do ortostatismo que a cadeira stand up oferece. Mas enquanto as adaptações da nova cadeira não ficam prontas, Flavia vai fazendo a sua fisioterapia diária e tomando, quando o tempo permite, um pouco de sol que também é muito bom para a absorção da vitamina D pelo organismo.

Para ficar em pé, além da necessidade da cadeira stand up, Flavia precisa estar usando uma órtese nos pés para lhe dar sustentação. E preciso ficar atenta à pressão dela que tende a ficar muito baixa. Todo esse processo de colocar Flavia em pé, obviamente, é feito com extremo cuidado, atenção e delicadeza. Pelo benefício que o ortostatismo proporciona, acho que valerá muito a pena colocar Flavia na posição em pé, algumas vezes ao dia.

Mas mesmo nós que estamos em condições normais de saúde, por vezes temos dificuldades para nos mantermos em pé. O peso da injustiça, da impunidade e de tanto desrespeito aos nossos direitos, nos faz, não raro, arquearmos os ombros, o corpo, as pernas. E de pé só conseguiremos nos manter apoiados pela atenção, ternura, carinho e pelo amor, principalmente das pessoas que amamos.

Um beijo a todos e até o próximo post.

Obs: Há um artigo interessante sobre ortostatismo neste post doBlog do Cadeirante

Nota:  Este novo template do blog de Flavia foi desenvolvido por Betty, a quem muito agradeço pela gentileza e paciência comigo durante a execução deste trabalho. Obrigada Betty! 

MÃOS E PROTEÇÃO.

- 11 de outubro de 2010
A mão de Flavia, (de unhas pintadas) entre as minhas mãos.

Foto de Marcelo Min para a reportagem de Eliane Brum, Saudades de sua voz, Revista Época, Nov.2009.

Filha,
Minhas mãos ficam sempre perfumadas, quando em contato com as tuas.
E não sei se quem te proteje sou eu, ou se é você quem me ampara e não me deixa esmorecer.
Apesar da justiça que nunca acontece, apesar da impunidade que ainda prevalece.

Ainda a questão das escaras em pessoas acamadas.

- 26 de setembro de 2010
Já falei, em posts anteriores de como cuido da pele de Flavia para que ela não tenha escaras. Como eu já disse, em mais de doze  anos acamada,  Flavia NUNCA teve uma única escara sequer.  Como eu jamais havia divulgado os nomes do óleos regeneradores de pele que  sempre usei em Flavia, e porque  com muita frequência recebo e-mails me pedindo o nome dos óleos, divulgo-a agora, com a intenção única  de passar informações para quem tiver que cuidar de uma pessoa acamada.

Existem vários tipos de óleos que podem ser usados para proteger  a pele de pessoas  acamadas: Dersani, Linólio, Age Derm, etc.

Mas é  importante  lembrar que para se evitar escaras em uma pessoa há longo tempo acamada, a boa higiene é indispensável. Roupas de cama e de uso pessoal devem estar sempre limpas e sem dobras que possam machucar a pele.

Existem outros fatores que são importantes para se evitar escaras, como por exemplo: Alimentação balanceada, banhos de sol e mudanças de decúbitos a cada duas ou  no máximo três horas.  Os idosos, por terem a pele mais sensível, devem receber cuidados redobrados.

E nunca é demais lembrar que o amor é terapêutico. A contrário por exemplo,  do sol,  que só deve ser tomado em determinados horários, em pessoas doentes, acamadas, fragilizadas,  o amor pode e deve  ser usado sem moderação.

Flavia, uma linda borboleta

- 16 de setembro de 2010
Trabalho do fotógrafo português Nuno de Sousa, e dedicado à Flavia.

Obs: Inicialmente eu havia copiado a foto que ilustra o post de Marcia, mas achei que o texto dela pode aqui também ser ilustrado por esta foto que  Nuno  tão gentilmente ofereceu à Flavia, já há bastante tempo. É uma Borboleta Monarca. Nuno fotografou o nascimento desta Borboleta e carinhosamente  dedicou as fotos à Flavia.

 "Há alguns anos, li uma estória de uma menina de 10 anos que teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina do prédio onde morava, em São Paulo, achei o caso bastante curioso e triste, li a reportagem na revista e fiquei bastante chocada. Moro em um prédio em SP e tenho um filho de 10 anos... e sempre que ele me pede para ir a piscina lembro do fato e sinto um aperto no coração...

Flávia aos 10 anos tinha sonhos, planos e tudo que as crianças tem... de uma carreira, fantasias e devaneios de quando crescer ser famoso, bonito, genial ou simplesmente ser gente grande... e sair pelo mundo para fazer intercambio, viajar de trem, namorar, correr, passear, ser feliz... casar, ter filhos... uma carreira bem sucedida... ou apenas ser do bem..."

Os dois parágrafos acima fazem parte do post publicado hoje por Márcia Reis, que faz a delicada comparação de Flavia com uma borboleta. O texto completo pode ser lido no blog de Márcia, Nas Entrelinhas da Vida.

Márcia, MUITO OBRIGADA pelo post. Contar a história de Flavia, é divulgar o perigo que existe nos RALOS DE PISCINAS e um alerta, um importante alerta que  poderá salvar muitas vidas.

Tempo e amor para um filho autista.

- 8 de setembro de 2010
Viviana  Gilardi é mãe de quatro filhos, um deles com autismo, Danko, com ela na foto.
Danko é um jovem peruano de 23 anos. Ele é autista. A família de Danko criou um blog chamado EDUCANDO A MI HIJO para relatar e compartilhar experiências e informações sobre o autismo. E o blog de Danko tem recebido atenção da mídia  peruana e  internacional e tem levado o cotidiano do autismo com amor, a várias partes do mundo.

As informações que existem no blog de Danko, são preciosas porque  ajudam a melhor entender a questão do autismo. O blog EDUCANDO A MI HIJO é portanto, um blog de utilidade pública.

E Danko, com seu blog sobre autismo está concorrendo ao prêmio “HISTORIAS DE TIEMPO” e está entre os finalistas, na categoria FAMILIA. Convido os leitores do blog de Flavia para que cliquem neste link http://www.historiasdetiempo.com/Concurso/DetalleHistoria.aspx?id=60. Vejam o pequeno vídeo (1.36) com Viviana, a mãe de Danko. EL TIEMPO VALE MÁS QUE EL DINERO. No lado direito da tela, clicar em VOTO POR ESTA HISTÓRIA. Depois,  basta confirmar o voto através do e-mail que nos enviam. (se o e-mail não chegar, poderá estar na pasta do lixo eletrônico)

Junto com sua família, Viviana, a mãe de Danko, faz parte daquelas pessoas que acreditam que não  importa em que situação estejamos, sempre podemos ajudar outras pessoas.
E eu acredito que se nossa experiência, mesmo que dolorosa, puder ser de utilidade para outras pessoas, o nosso sofrimento passa a ter um sentido.

A historinha de uma centopéia.

- 22 de agosto de 2010
Quando Flavia estava com sete anos, um dia chegou da escola dizendo que havia lido uma história e que precisava me contar. A história dizia que quando uma pessoa vem à nossa casa pela primeira vez, deve sair com um presentinho, um mimo, uma lembrança. Não precisaria ser algo caro, Flavia me dizia, bastaria que representasse a alegria de termos recebido a pessoa em nossa casa.

E nos dias seguintes, Flavia me relembrava a história e pediu que escolhêssemos algo para darmos às pessoas que fossem nos visitar pela primeira vez. Insistente como toda criança, Flavia me dizia com sua graciosa voz de sino: “Mamy, vamos comprar logo as lembrancinha para nossas visitas.” E num domingo eu e Flavia fomos à Feira de Artesanato de Moema, que ficava a dois quarteirões de nossa casa e ela escolheu a centopéia da foto que ilustra este post. É um imã de geladeira feito de biscuit.

E assim foi. Compramos algumas centopéias, e já deixávamos embaladinhas num saquinho de celofane. Quando a visita saía, Flavia, toda alegre, fazia questão de lhe entregar a lembrancinha. Mantive este costume de minha filha e mesmo após o acidente que lhe deixou em coma, continuo comprando as centopéias de Flavia na mesma artesã, a simpática Sandra, que aos domingos expõe seus trabalhos na Feira de Artesanato de Moema. Por vezes, a minha reserva de centopéias acaba e pode acontecer de alguma pessoa vir nos visitar pela primeira vez e eu não estar com a “lembrancinha de Flavia”, mas tento evitar deixar acabar o “estoque”.

Hoje, estiveram aqui em casa, Paola, Bruna, Flávia e Mariana, formandas de jornalismos da Faculdade Casper Líbero, que estão fazendo trabalho de conclusão do curso, o TCC, com o título “Debaixo de Seus Olhos” sobre pessoas em coma. Eu e Flavia estamos participando do trabalho de conclusão do curso das meninas, todas muito graciosas e com idade regulando com a de Flavia, 20, 22 anos. E elas saíram daqui com a centopéia de Flavia para enfeitar as geladeiras de suas casas.

E ainda hoje quando alguém vem à nossa casa pela primeira vez, ao lhe entregar este presentinho tão simples, faço-o em nome de Flavia e conto a historinha que um dia encantou minha menina. Tomara que para aonde quer que este enigmático estado de coma a tenho levado, que Flavia continue em seu mundo encantado.

 

Cerejeiras em flor. Para nossos filhos ausentes.

- 8 de agosto de 2010
Cerejeiras em flor, Parque do Carmo - São Paulo. Foto de meu filho, Fernando Belo.

A cerejeira nos dá uma flor bela e delicada.. A cerejeira floresce com exuberância, mas sua flor dura pouco tempo. Enquanto está aberta, enquanto vive, mesmo por pouco tempo, esta flor enfeita o mundo. Algumas pessoas são como as flores da cerejeira; ficam pouco tempo entre nós, mas partem deixando um rastro de beleza e perfume.

Estas flores de cerejeira, eu ofereço,
À minha filha Flavia, que sem gestos e sem voz, - em coma - mas com uma presença forte, resiste e assiste a meu lado a vida passar.

À Daniella Perez, linda e talentosa, brutalmente assassinada aos 22 anos. (filha da novelista Glória Perez) À Rafael Mascarenhas, tão menino ainda, com um futuro tão promissor, irresponsavelmente atropelado aos 18 anos. (filho da atriz Cissa Guimarães) À Isabella Nardoni, João Hélio, Eloá Pimentel, e a todas as crianças e jovens que morreram vítimas de violência.

À Thiago Naydel, 11 anos, Rafael Delfino,9 anos, Gabriel Posteraro, 9 anos, Jacqueline Resende, 13 anos, estas são algumas das crianças brasileiras que morreram porque, devido à forte e inadequada sucção, ficaram presas aos ralos das piscinas onde nadavam. São para vocês estas flores. Cerejeiras em flor. São vocês estas flores.

E que possamos ter, um mundo mais bonito, mais justo. E que nenhuma mãe, além da dor de ver seu filho morto ou em coma, ainda tenha que conviver com a indignação de ver os algozes de seus filhos, na IMPUNIDADE.

O Poder do Amor: Entrevista comigo no Blogue da Jana.

- 24 de julho de 2010
Puro amor: Meus filhos Fernando e Flavia. Ele, alimentando a irmã.

". Antes do acidente que vitimou sua filha Flavia, você já tinha ouvido falar sobre os perigos dos ralos de piscina em situação irregular?

". Você acredita então que, não fosse sua persistência em descobrir o que, de fato, havia provocado o acidente com sua filha, até hoje não se saberia as verdadeiras causas do ocorrido? Ou o condomínio Jardim da Juriti e a própria empresa fabricante do ralo de piscina, Jacuzzi do Brasil, se mostraram preocupados em identificar e solucionar o problema?

"...Você, no processo que moveu contra o condomínio Jardim do Juriti e contra a empresa Jacuzzi do Brasil, já precisou ouvir verdadeiros absurdos por parte da defesa, inclusive que a culpa do acidente de Flavia era sua - e dela própria - e que você estava querendo enriquecer as custas do acidente e da indenização que solicitava.

Depois de 12 anos de processo, Odele, como anda sua fé na justiça?"

Estas e outras perguntas eu respondo na entrevista que dei para o Blogue da Jana.

Nota: Por algum problema técnico Jana  não consegue abrir os comentários de seu blog. Por isso, sintam-se à vontade para depois de ler a entrevista no blog da Jana, deixar seus  comentários neste post.

Mesmo que não mudemos o mundo, vamos fazer nossa parte!

- 15 de julho de 2010
Nilson Maierá, Kaumer Rodrigues e eu.

Na quarta-feira da semana passada, dia 07 de Julho, estive em reunião com os senhores (da esquerda para a direita) Nilson Maierá, Engenheiro, autor do livro Piscinas Litro a Litro e  proprietário da Academia de Natação Raia4  e com o Sr. Kaumer Rodrigues, Superintendente da ANAPP, Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins, com o objetivo de analisarmos o Projeto para Segurança nas Piscinas, recentemente apresentado à Câmara pelo Deputado Federal Dr.Rosinha. Entendemos que a redação do projeto precisa receber importantes contribuições de quem, como os dois senhores acima, têm profundo conhecimento das técnicas de segurança nas piscinas. Outro conhecedor e praticante dessas técnicas de segurança é o Sr.Augusto César de Araújo, Diretor da Sodramar, que não pode estar presente à nossa reunião.

Os três especialistas em segurança nas piscinas e eu, estamos nos empenhando para levar  ao Deputado Federal que apresentou o projeto de lei, o que consideramos indispensável ser acrescentado na redação da Lei de Segurança nas Piscinas. O Deputado Federal, Dr.Rosinha, está ciente e nos informou por e-mail que aguarda nossa contribuição que será acrescentada à redação de seu Projeto de Lei.
A foto acima  mostra o ralo anti-hair instalado na piscina da Academia Raia4. Esta é uma medida de segurança da maior importância e que bom seria se outras academias de natação seguissem o exemplo da Raia 4. Além do ralo anti- hair no fundo, a Raia 4 tem outro ralo na lateral da piscina.
Esta outra foto do ralo anti-hair foi tirada por mim quando estive meses atrás na empresa Sodramar, em Diadema, São Paulo. A  Sodramar, cujo Diretor é o Sr. Augusto César de Araújo, hoje importa o ralo anti-hair e o comercializa ao preço de R$ 290,00 (duzentos e noventa reais) Custa pouco evitar que os cabelos de uma pessoa sejam sugados por um  ralo da piscina, eventualmente funcionando de forma inadequada. O outro ralo, (com a trama mais fechada)  na parte de cima desta foto,  está sendo desenvolvido e produzido pela Sodramar. Não demora muito e esse ralo estará disponível no mercado.
No  ralo anti-hair, os cabelos entram, mas não são sugados. Já no segundo ralo que futuramente será disponibilizado pela Sodramar, os cabelos nem chegam a entrar.

Vemos, portanto, que existem soluções  baratas para tornar as piscinas mais seguras, mas para isso obviamente é necessário que, a exemplo da Academia de Natação Raia4 e da empresa Sodramar, cada vez mais empresas e locais que administram quaisquer piscinas, – mas principalmente aquelas de uso público e coletivo, além do lucro justo pelo trabalho que realizam, tenham também a devida preocupação com a segurança dos usuários de suas piscinas, evitando dessa forma tragédias como esta que ocorreu com Flavia que ficou em coma e com tantas outras pessoas que em vez de lazer, encontraram a morte.

Com nossas atitudes de responsabilidade, proatividade,solidariedade..., podemos até não mudar o mundo, mas certamente faremos alguma diferença, por isso, vamos fazer nossa parte!.

Um abraço a todos e até o próximo post.

A história de Flavia no You Tube: Vista mais de 100 mil vezes.

- 25 de junho de 2010
Vídeo feito por António Peciscas,(Portugal),  foto do Superior Tribunal de Brasília, feito pelo autor do blog Adesenhar (Portugal), demais fotos recolhidas do blog de Flavia e da Internet.

Este vídeo com a história de Flavia, em menos de dois anos, já foi visto mais de 100 mil vezes. E em três anos e meio de existência do blog de Flavia, mais de 368 mil pessoas que passaram por aqui e ficaram sabendo que ralos de piscinas podem prender embaixo d’água, matar, ou deixar uma pessoa em coma.

Para relembrar: No dia 15 de setembro de 2008, aconteceu a segunda Blogagem Coletiva para divulgar a história de Flavia. Nesse dia, numa demonstração de imensa solidariedade, mais de 250 blogs do Brasil e do exterior escreveram sobre acidentes com ralos de piscinas e sobre a morosidade da justiça brasileira em condenar os culpados pelo acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível. O processo, como muitos sabem, se arrastou por 12 anos entre São Paulo e Brasília, e ao final, fez-me meia justiça, já que um dos réus, a empresa Jucuzzi do Brasil, não foi condenada.

Uma dessas participações na Blogagem Coletiva de 15 de Setembro de 2008 foi feita com o vídeo que ilustra este post. O amigo António Peciscas, de Portugal, que nunca nos viu pessoalmente, colhendo fotos do blog de Flavia e com texto de sua autoria, colocou no You Tube a história de minha filha que correu o mundo. A história de Flavia, graças a este blog e a todos que nos lêem e nos divulgam, além do Brasil é conhecida em países como Portugal, Espanha, Argentina, Perú, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Israel, Moçambique, Japão, etc. A história de Flavia é um gritante e vergonhoso exemplo da negligência e da impunidade que existe no Brasil, mas a história de minha filha, pelo tanto de pessoas que nos apóiam, é também uma história de amor, de amizade, de solidariedade.

Com este post quero mais uma vez agradecer não só ao querido amigo António por ter feito o vídeo e colocado a história de Flavia no You Tube, mas agradecer também a todas as pessoas,(e foram muitas), que levaram este vídeo para a lateral de seus blogs, colaborando desta forma para que mais e mais pessoas fiquem sabendo do perigo que podem correr se nadarem próximo a um ralo de piscina que esteja funcionando de forma inadequada, seja por superdimensionamento do sistema de sucção, seja por falta de manutenção da piscina.

Obviamente, nenhum de nós, ao entrar em uma piscina, tem condições de saber se o sistema de sucção ali instalado está ou não funcionando de acordo com os padrões de segurança. Essa é uma OBRIGAÇÃO dos administradores de locais onde existam piscinas,como por exemplo, condomínios, clubes, hotéis,motéis e onde mais houver uma piscina instalada. Mas é nosso direito exigir segurança nas piscinas, por isso, uma lei federal eficaz e aplicada com rigor, poderia diminuir em muito os acidentes com ralos de piscinas que infelizmente continuam acontecendo. Estamos nos empenhando, por isso, esperemos que em breve venhamos a ter esta tão necessária lei.

Muito obrigada e até o próximo post.

RALO DE PISCINA SUGA BARRIGA DE MAIS UMA CRIANÇA.

- 18 de junho de 2010

Menina de três anos com marca na barriga causada por sucção de ralo de piscina. Foto retirada do blog Diário de uma Mãe.

Por esses dias recebi um e-mail de Bárbara, uma mãe que me relata o ocorrido com sua filha, em 07/05/2009, no Rio de Janeiro. A criança, então com três anos de idade, foi sugada pela barriga (conforme mostra a .foto) na piscina da academia onde fazia natação. O acidente, desta vez, não foi fatal. Mas poderia ter sido. Não houve seqüelas graves. Mas poderia ter havido.

“...Minha filha tinha na época 3 anos e meio e durante a aula de natação dela na academia (que tinha feito convênio com a escola dela) ela foi "sugada" por aqueles negócios de sucção que tem nas piscinas, e foi retirada...”
“..Ela nos explicou (a médica) a gravidade que poderia ter... Minha filha poderia ter fraturado uma costela, poderia ter rompido o baço, e que não era o caso não era um gelinho que iria resolver e sim uma cirurgia, fora ter alguma hemorragia interna...”

O relato completo da mãe desta criança pode ser lido AQUI.
Qualquer pessoa, e ainda mais se for uma criança que fique presa embaixo d’água pela forte sucção de um ralo de piscina pode sofrer graves seqüelas (como no caso de Flavia) ou mesmo morrer, como tantos casos relatados e documentados neste blog.

Repetindo (para os novos leitores) o que já mencionei em posts anteriores, os acidentes com ralos de piscinas ocorrem principalmente por:
1. Instalação inadequada – equipamento de sucção da água muito potente (superdimensionado) para o tamanho da piscina (como no caso da piscina do condomínio onde Flavia nadava)

2. Falta de manutenção. Os parafusos vão ficando frouxos e a tampa do ralo da piscina se solta e pelo buraco aberto podem ser sugados partes do corpo humano, como braços, pernas, rosto, barriga, etc.

(Como documentado neste blog). Dependendo do tamanho da piscina, pessoas inteiras podem ser sugadas pelo buraco aberto, conforme ocorreu com um adolescente de 15 anos na Tailândia. Infelizmente falta conscientização da maioria das empresas e pessoas que vendem, instalam e cuidam – ou deveriam cuidar - da segurança nas piscinas. Não basta o sistema de sucção estar com a potência adequada. É preciso manutenção periódica feita por empresa tecnicamente habilitada com emissão do respectivo laudo das condições gerais da piscina. Infelizmente, pouca ou nenhuma importância tem sido dada à segurança nas piscinas. Por isso, a tendência é que os ralos de piscinas continuem fazendo vítimas. Infelizmente.

Tentando resgatar a lembrança musical de Flavia.

- 3 de junho de 2010
João e Maria - Chico Buarque e Nara Leão
Quando Flavia era criança, esta era uma das músicas que ela gostava de ouvir. Desde que entrou em coma, e nisso já se vão mais de 12 anos, além de outros sons, como mensagens de voz de pessoas queridas por exemplo, eu coloco músicas para Flavia ouvir. Intuitivamente eu achava que essas músicas poderiam despertar Flavia desse longo sono em que a vida a colocou.

Com o passar do tempo, lendo e me informando mais sobre como lidar com pessoas em coma, entendi que eu estava agindo de forma correta com Flavia. Mais recentemente, como já publiquei em um post anterior, li, releio e aprendo muito com o excelente livro da Dra. Eliseth Ribeiro Leão – Cuidar de Pessoas e Música, onde vi confirmada a importância da musicoterapia para pessoas doentes e mesmo em estado de coma.

“...Para pacientes em estado de coma, recomenda-se o uso de música de sua preferência, principalmente devido à limitação que possuem para expressar suas vontades e satisfações...”
Frase retirada do livro: Cuidar de Pessoas e Música – Capítulo 11, página 188. Estado de Coma e a influência da música e da voz humana.

Pois é. A nossa voz também tem profunda importância para pessoas em estado de coma. Este será tema para um próximo post.

Brasil, onde o cidadão comum tem que mendigar por justiça.

- 19 de maio de 2010
Mais de 12 anos depois de ter dado início ao processo por indenização por danos físicos e morais pelo acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível, e após ter conseguido no Superior Tribunal de Justiça em Brasília, - em última instância - a condenação do condomínio Jardim da Juriti, até hoje, nenhum valor referente a essa condenação do condomínio foi efetivamente pago à Flavia. A burocracia, a demora em julgar processos e recursos e ordenar a execução de qualquer decisão judicial faz com que vítimas como Flavia continuem órfãs da justiça. Muitas outras "Flavias" certamente existem neste nosso Brasil, onde a justiça privilegia poderosos, concede indenizações vultosas a juízes, enquanto nós, cidadãos comuns, recorremos, e tanto insistimos por justiça que somos colocados numa desconfortável e humilhante situação de mendicância. É isso, mendigamos por justiça. Mesmo lá em Brasília, no Planalto Central, junto aos poderosos ministros de justiça, é esta a nossa condição: Mendigamos por justiça.

Tão aviltante quanto a demora em julgar e não condenar exemplarmente culpados por acidentes graves como o de Flavia que de criança se tornou mulher – enquanto aguarda receber uma indenização digna que lhe permita ter uma sobrevida com todos os cuidados que precisa, é a forma como a justiça julga valer o trabalho dos advogados que nos defendem. A alta corte da justiça de Brasília “condenou” o condomínio vencido a pagar ao nosso advogado por seus longos 12 anos de batalha judicial para defender os direitos de Flavia, a absurda quantia de... (leiam no texto transcrito abaixo). E esse “significativo” valor para custas advocatícias só foi ditado, após mais um recurso apresentado por nosso advogado, porque no julgamento do Superior Tribunal de Justiça de Brasília, muitas das alegações colocadas por Dr.José Rubens no recurso que imaginávamos fosse o último, não foram sequer mencionadas no julgamento, o que nos leva a deduzir que também não foram lidas pelos ministros de justiça.

Sobre os constantes recursos que os advogados precisam apresentar à justiça, como única saída para a solução de demandas judiciais, Dr.José Rubens Machado de Campos, nosso advogado, escreveu um artigo no conceituado site jurídico do Brasil, o CONJUR. No artigo, como se vê, Dr. José Rubens menciona o caso de Flavia. O trecho é longo, mas pela visão jurídica do caso, desta vez, escrita não por mim, mas por nosso advogado que tem defendido a mim e à Flavia com empenho, tenacidade e competência, acho que vale muito a pena ler este artigo de Dr.José Rubens.

Recursos constantes podem ser a única solução
POR JOSÉ RUBENS MACHADO DE CAMPOS


É usual atribuir-se aos advogados militantes o uso abusivo de recursos. Tal escusa genérica tem servido de esteio, dentre outros mais louváveis, a tantos precedentes esforços de atualização da legislação instrumental, na busca, esta sim inalcançável, de compatibilizar-se a cidadania à garantia constitucional do processo célere. Multiplicam-se as emendas legislativas e renovam-se os códigos vigentes. Surpreendentemente, no entanto, pouco ou quase nada se fala acerca do atual despreparo que qualifica a outorga da prestação jurisdicional. A precariedade no preenchimento das vagas postas em concursos seguidos, ou ainda, o permanente silêncio correicional, viraram regra de lamentável observância. Tudo a legitimar, justificando-o, o uso não excessivo dos recursos legais, como alternativa derradeira na busca do legalmente devido ao cidadão.

A combatividade postulacional não se equipara à litigância improba. Com ela não se confundindo, tampouco sana os errores in iudicando e in procedendo, tão seguidamente abrigados na garantia do duplo grau jurisdicional, em prejuízo do bom Direito. Afinal, o colegiado nem sempre melhor decidirá.

Com efeito, para ilustrar o dever inafastável, na defesa da causa, do uso dos recursos disponíveis, resgate-se rumoroso processo recém transitado perante o C. Superior Tribunal de Justiça sob número 1.081.432-SP, depois de tramitação que beirou 12 anos, alcançando menina em estado vegetativo permanente desde que, na piscina condominial onde sempre vivera, teve seus cabelos aprisionados pelo sistema de drenagem ali instalado. O sistema, disponibilizado no mercado sem as devidas advertências ao consumidor leigo, fora irresponsavelmente comprado e operado pelo condomínio.
O caso envolveu o novo Direito de Danos, o alcance da responsabilidade civil e do direito consumerista, o dever securitário de indenização e, principalmente, a necessidade premente de o prudente arbitramento judicial, na difícil tarefa de bem valorar seríssimos gravames morais, diuturnamente renovados, além de vultosos danos materiais e estéticos, finalmente abandonar a visão de que qualquer demandante é mero oportunista sequioso de riqueza indenizatória.


Não se pode aceitar, definitivamente, que em nome da reputação ilibada que regra o apontamento dos integrantes das instâncias maiores do Judiciário, juízes sejam merecedores de indenizações substanciais enquanto, ao mesmo tempo, a família do morto receba o equivalente a cem salários mínimos de compensação. Ou ainda, em casos que nitidamente justificam maior compensação, as partes sejam quase obrigadas à indesejada mendicância justamente no Planalto Central.


“Aliás, uma mãe muito injustiçada, segundo o acórdão recorrido. Uma mãe a quem se tributa a responsabilidade de ter deixado uma criança que sabia nadar — e nadava bem — nadar na piscina do condomínio. A criança mede 1,5m, e a piscina, 95 cm. Não entendo como se pode falar em culpa concorrente. Quem é que mora em condomínio e acompanha seu filho de dez anos toda hora à piscina? Se a mãe estivesse lá, diante da situação, a menina puxada pelo cabelo, teria acontecido o mesmo, porque os irmãos estavam lá, a vizinha gritou, tentaram ajudar e a dificuldade foi muito grande. (...) Perdoem-me, mas essa mãe foi muito injustiçada. É de cortar o coração quando se examinam os autos e se vê atribuírem à mãe tal responsabilidade. Nossos filhos de dez anos, quando vão nadar, sabendo nadar, vão para uma piscina funda. Mas era uma piscina rasa. Essa mãe foi duplamente atingida.”[1].


Essa a crítica sem precedentes ao acórdão oriundo do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, à unanimidade, nessa parte confirmara, violando o melhor Direito, em triste exemplo do menosprezo às tradições da Justiça paulista, a inteligência do juízo singular. Pior. Muito pior. Na instância derradeira, depois de longa tramitação, a turma julgadora parcialmente proveu o recurso das autoras da demanda, reconhecendo a relevância dos temas jurídicos agitados.


Consignou a d. relatoria — quase 12 anos decorridos do aforamento da lide — que “o malsinado incidente, ocorreu não por descuido dos familiares da menina, mas pelo fato de ter a mesma, como concluíram as instâncias de ampla cognição, sido vítima de afogamento decorrente de ter seu cabelos sugados por sistema de recirculação e tratamento de água super dimensionado, indevidamente instalado e mal operado pelo condomínio réu. A presença da genitora da vítima no local só adicionaria ao evento mais uma testemunha ao acidente que imputou à menor gravíssimas sequelas que a acometeram. Destarte, sem precisar maiores indagações, tenho que não há falar, in casu, em culpa da genitora da vítima, revelando-se merecedor de reparos o aresto impugnado, neste ponto.”[2].


Mais do que isso. Diante da manifesta relevância dos temas versados, o julgamento mereceu, com a imediata veiculação, a atenção da Secretaria de Imprensa do C. Superior Tribunal de Justiça. Naquela semana, porque reproduzida a notícia na ConJur[3], foi uma das matérias mais lidas pelo mundo jurídico. O mesmo se deu, por iniciativa materna, no blog por ela criado (cf.http://www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com/).


Nada obstante, ainda assim a via recursal não se esgotara. No julgamento colegiado, silenciou-se no tocante a vários temas recursais, culminando por omitir, desprezando-a, qualquer imposição sucumbencial às vencedoras. Ora, se verdadeiro que “a Magistratura só estará à altura do idealizado Estado Constitucional e Democrático de Direito se (e quando) for confiável. E para ser confiável necessita de independência e imparcialidade, evidentemente. Além disso, precisa com humildade reconhecer suas mazelas e tudo fazer (transparentemente) para corrigí-las”[4], a dedução de tempestivos declaratórios foi obrigatória.


Outro ano fluiu. Com a invocação aos sempre vislumbrados efeitos infringentes, não teve jeito. O provimento parcial, ao menos, se impôs e a condenação honoratícia foi de rigor, ditando-se ao Condomínio vencido pagar a ultrajante quantia de singelos R$ 5 mil pelo trabalho desenvolvido durante quase 12 anos — cerca de R$ 454,55 por ano de trabalho efetivo, ou ainda, R$ 1,25 por dia.


Muito pior do que o acanhamento decisório foi a constatação de que, além da direta ofensa à lei instrumental na parte dizente com a justa remuneração advocatícia, também à jurisprudência daquela Alta Corte de Justiça nenhuma atenção se emprestou. Insistindo. “Sem a jurisprudência do caso, às vezes nada se pode decidir com seriedade. (...) Tudo o que for escrito no processo deve ser lido[5], para que se possa responder a cada alegação. Não se pode omitir nada. As omissões são um dos pontos que mais acarretam inconformismo razoável dos advogados e das partes.”[6]. Afinal, dizem os doutos, “a jurisprudência é, nos tribunais, a sabedoria dos experientes. É o conselho precavido dos mais velhos.
Quem conhece a lei e ignora a jurisprudência, diz, com exagero embora, Dupliant, não conhece quase nada. Manter quanto possível a jurisprudência, será obra de boa política judiciária, porque inspira no povo a confiança na Justiça.” (n.g.).[7]


Que fazer? Novamente recorrer e esperar outro ano para se iniciar a liquidação do julgado, com o direto compromentimento do bem estar das lesionadas? Finalizando, urge que os Eméritos Julgadores não abdiquem da missão constitucional de decidir, nem em termos verbais.[8]. Urge, outrossim, detida ponderação decisória, com o específico propósito de acelerar, finalmente, a outorga da legítima prestação jurisdicional. Caso contrário, sim, recorrer é preciso.


Errare humanum est, sed perseverari diabolicum. Com a palavra, a Comunidade Jurídica, a Secção Paulista da Ordem dos Advogados, por seu ilustre presidente, o Conselho Federal da OAB, os ilustres magistrados, é claro, e, por que não, o Conselho Nacional de Justiça."


Fonte: CONJUR.

Dia das Mães: Maio de 2010

- 9 de maio de 2010
Eu, com Fernando e Flavia, bebês.

No ano passado no dia de hoje, escrevi um post com o título: Dia das Mães: Onde está minha filha?!
Hoje vejo que Flavia está presente não só aqui em casa, mas em muitos outros lugares, aqui no Brasil e outros países. Flavia está presente, por exemplo, na conscientização que através deste blog se conseguiu sobre o perigo dos ralos de piscinas. Recebo e-mails de pessoas que me dizem: -

- “Depois que soube do acidente com Flavia, nunca mais entrei em uma piscina sem pensar no perigo que o ralo pode oferecer, se estiver instalado fora dos padrões de segurança.”

- Outra moça, logo após ler a reportagem da Revista Época, Saudade de Sua Voz, me escreveu dizendo que costumava se irritar com a filha de 11 anos, porque a menina, palavras dela, “falava demais.” No e-mail, essa mulher dizia que a irritação com a filha chegara a tal ponto que o relacionamento entre mãe e filha estava ficando difícil. Depois que leu a matéria da Época, escrita por Eliane Brum sobre minha história com Flavia, onde falo da imensa saudade que sinto da voz de minha filha, essa mulher, me disse ela no e-mail, passou a ser mais tolerante com sua criança tagarela.

- Flavia está presente nos muitos blogs, do Brasil e do exterior, que nos linkan, e de várias formas nos divulgam. Ela está presente no vídeo do You Tube com sua história (já com quase 100 mil visualizações).

- E Flavia está presente quando, por vezes, sorri docemente ao ouvir  o som de meus passos ao entrar em seu quarto e ao me ouvir falar com ela. Esses sorrisos me dão a certeza de que minha filha está aqui, mesmo que não da forma que eu gostaria que estivesse: Saudável e vivendo plenamente a sua juventude.
Mas onde a presença de Flavia se faz mais sentir é na forma como ela, silenciosamente e frágil como uma flor, me faz forte como uma rocha, para continuar lutando e acreditando, que embora a justiça brasileira tarde e falhe - ao contrário do que ocorre hoje - chegará o dia em que a impunidade não mais será uma força indestrutível em nosso país.

Além de Flavia, como muitos sabem, sou também mãe de Fernando, que está com 26 anos e é um filho muito querido. Hoje, em comemoração ao Dia das Mães, Fernando vai me levar para ver um show da Zizi Possi e sua filha Luiza Possi, no Parque Ibirapuera. Depois, voltamos pra casa onde  Fernando,me preparou um gostoso almoço. Vai ser bom. Flavia, mesmo sem gestos e sem palavras, como sempre, você estará conosco.

Quero deixar aqui também minha homenagem à minha mãe Julia, falecida em 2001. Minha mãe foi uma corajosa mulher e  uma avó muito carinhosa para Fernando e Flavia.

Desejo a todas as mães que nos visitam e acompanham, um feliz dia.

ADEUS À NOSSA QUERIDA LEITORA NUCHA, DE PORTUGAL.

- 7 de maio de 2010
Foto retirada do blog ORION de Portugal (blog da Nucha)

Este post é uma homenagem póstuma, a uma leitora do blog de Flavia, a doce portuguesa Helena Domingues, a quem os amigos carinhosamente chamavam de Nucha, que infelizmente faleceu, vencida por um câncer que a maltratava havia um bom tempo.

Nucha foi uma das muitas pessoas que participaram da Blogagem Coletiva JUSTIÇA PARA FLAVIA, ocorrida em 15 de Setembro de 2008, com a participação de mais de 250 blogs de todo o mundo.
Lá no blog da Nucha, o Orion, sempre se podia  (e ainda se pode) ver fotos, vídeo e links para o blog de Flavia.

Com a intenção de lhe prestar uma homenagem, mesmo que de forma simples,  transcrevo aqui o texto escrito por Nucha, em 15 de Setembro de 2008:

"MONDAY, SEPTEMBER 15, 2008
SOLIDARIEDADE... BLOGAGEM COLECTIVA
JUSTIÇA PARA FLÁVIA
Como calar a raiva da injustiça? Como aceitar a despenalização dos culpados de um roubo hediondo que é privar o sorriso lindo e inocente de uma criança? O roubo de uma adolescência, de um primeiro amor, do primeiro baile, de uma vida, agora em coma vigil?
Diz-se que a justiça é cega, e neste caso, a sua cegueira é um insulto aos inocentes!
Daí, gritarmos ao mundo, em uníssono e de mãos dadas:
JUSTIÇA PARA FLÁVIA
Postado por Helena às 2:21 PM. "

Assim como a grande maioria das pessoas que acompanham o blog de Flavia, eu, minha filha e Nucha nunca nos conhecemos pessoalmente, mas criamos, através das palavras, um vínculo de respeito e afeto mútuos,que nos fazem sentir alegria ou tristeza, dependendo do que de bom ou ruim nos aconteça. Nucha, é com muita tristeza que me despeço de você. MUITO OBRIGADA por seu constante apoio à causa de Flavia.

Descanse em paz querida.

PS: Fiquei sabendo do falecimento de Nucha, através do blog português, Peciscas, de meu amigo António.

Michele, para sempre uma amiga de Flavia

- 1 de maio de 2010
Embaixo da cama de Flavia, está Michele, nossa poodle.

Logo depois do acidente ocorrido com Flavia, olhando em sua mochila escolar, vi dentro de um de seus cadernos, o bilhete de uma amiguinha de classe, que me encantou. Dizia assim o bilhete:

“Flavia, você é muito legal. Aqui no CONSA (Colégio onde Flavia e a amiguinha estudavam) você é minha melhor amiga. E quero pedir para você ser minha melhor amiga fora da escola também. Eu adoro você Flavia e quero ser sua amiga para sempre.
Assinado: Michele.”

A vida se encarregou de separar as amiguinhas Michele e Flavia, e eu nunca mais soube da criança que escreveu este doce bilhete. Mas em homenagem a ela e ao carinho que um dia sentiu por Flavia, coloquei seu nome na cachorrinha poodle que comprei, quatro anos após o acidente, com a louca esperança de que seus latidos acordassem Flavia. Os latidos da cachorrinha não despertaram Flavia, mas Michele, que é doce e carinhosa, nos conquistou para sempre. E o nome de Michele, pelo menos na minha lembrança, eterniza a amizade de duas crianças: Michele e Flavia.

Quando Flavia está na sala, em sua cadeira de rodas, Michele fica por perto e por vezes, eu a coloco no colo de Flavia para que as duas troquem afetos. Silenciosamente e sem gestos, sei que as duas se acariciam. Quando Flavia é trazida de volta para seu quarto, Michele vem também, se acomoda embaixo da cama de Flavia e ali fica por horas, até que o sono também lhe chega e ela vai para sua própria cama na área que lhe é reservada para dormir. No dia seguinte, Michele acorda e sapeca, corre alegre e saltitante pela casa. Enquanto Flavia, segue dormindo este seu sono sem fim.

(IN) Justiça brasileira: Mais um caso de vergonhosa lentidão.

- 27 de abril de 2010
21 anos depois (!!!) de um crime covarde, o julgamento do assassino da estudante universitária Maristela Just é marcado, quase à data da prescrição do crime. O julgamento tardio acontecerá nos próximos dias 13 e 14 de Maio.

Enquanto demonstramos nossa indignação com essa lentidão DESRESPEITOSA de nossa justiça, vamos esperar que mudanças – urgentes - ocorram em nossas leis, para que haja - com rigor e celeridade - punição para quem comete crimes, de forma a trazer pelo menos um pouco – um pouco que seja – de paz a quem perde um ente querido em crimes que jamais deveriam prescrever.
Prescrição de crime?! Esquecem os senhores que julgam e fazem as leis em nosso país, que a dor de quem perde um filho, não prescreve nunca.

“POSTADO ÀS 17:40 EM 26 DE ABRIL DE 2010
Nos próximos dias 13 e 14 de maio, haverá o julgamento do assassinato da estudante universitária Maristela Just pelo seu ex-marido, o comerciante José Ramos Lopes Neto, ocorrido em abril de 1989. A família, que já luta há 21 anos para que o processo seja devidamente julgado, está mobilizando toda a sociedade a voltar sua atenção ao caso, que prescreveria no próximo mês de julho. O processo será julgado na 1a. vara do Fórum de Jaboatão dos Guararapes, onde será submetido a júri popular.”

Mais no blog de Glória Perez e no blog do caso de  Maristela Just

De volta pra casa e pro nosso aconchego.

- 21 de abril de 2010
Imagem de Isabel Filipe

Correu tudo bem com a cirurgia de Flavia. Hoje à tarde ela recebeu alta hospitalar e estamos de volta à nossa casa.

Quero deixar aqui registrado o meu agradecimento a todos que por aqui passaram, deixaram comentários ou me enviaram e-mails desejando boa sorte e rápida recuperação para Flavia, depois desta cirurgia para a retirada de sua vesícula. As pedras que ali estavam poderiam causar fortes dores em Flavia além de outras complicações em seu organismo.

Muito obrigada também ao cirurgião que operou Flavia no Hospital Albert Einstein, Dr.Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo e sua equipe, por toda a atenção e por todos os cuidados pré operatórios que tiveram com Flavia, levando em conta sua pré existente e delicada condição de saúde. Antes da cirurgia, o neurologista de Flavia, Dr.Pedro Paulo Porto interagiu com a equipe do cirurgião. Obrigada Dr.Pedro Paulo.

Meus agradecimentos são extensivos ao pessoal da Fisioterapia e Enfermagem do Einstein que tudo fizeram para que nossa permanência no Hospital fosse a melhor possível. Andrea e Sabrina, as fisioterapeutas que atendem Flavia há mais de três anos, também estiveram no hospital nos apoiando.  As técnicas de enfermagem que me ajudam a cuidar de Flavia em casa, Sheila e Masé,  foram de uma atenção e delicadeza preciosas.Muito obrigada a elas.

Mais uma vez constato que o carinho e atenção que recebemos de pessoas queridas, amigos e profissionais da saúde, fazem enorme diferença em como nos sentimos, principalmente em momentos de fragilidade emocional como por exemplo, este que antecede toda e qualquer cirurgia. Atenção, gentileza,  carinho, delicadeza,  são demonstrações de amor. E o amor faz milagres.

Um abraço a todos e até o próximo post.

Dia 20 de Abril: Flavia passará por nova cirurgia.

- 12 de abril de 2010
Uma imagem que transmite encanto e delicadeza. Foi oferecida à Flavia  por Bete do blog Encanto de Renascer

Amigos e leitores do blog de Flavia,

Desde 06 de janeiro de 1998, Flavia passou por algumas cirurgias em decorrência do acidente que lhe deixou em coma.

PRIMEIRA CIRURGIA: 1998 – 5 meses após o acidente – GASTROSTOMIA. Para fixação de uma sonda alimentar por onde Flavia passaria a ser alimentada já que a severa disfagia não lhe permitia engolir. Houve erro médico nessa cirurgia e Flavia ficou muito mal. A cirurgia teve que ser refeita e Flavia voltou para a UTI por mais alguns dias. Foram dias de intenso sofrimento.

SEGUNDA CIRURGIA: Dezembro de 1999: COLUNA - Colocação de uma haste de metal na coluna para diminuição e contenção de uma escoliose causada pela forte hipertonia (rigidez muscular) que acometia Flavia. Essa cirurgia foi de alto risco e complexidade e Flavia ficou seis horas na mesa de cirurgia. A competência do cirurgião Dr.Djalma Pereira Mota foi fundamental para o sucesso da cirurgia e para que Flavia tivesse uma rápida recuperação.

TERCEIRA CIRURGIA: Agosto de 2004 - Ressecção das glândulas submandibulares (bilateral)) – Para a redução da saliva. Devido à disfagia Flavia precisava ser aspirada em médias 25 vezes ao dia. Com essa cirurgia esse número de aspirações caiu para uma média de 10 ao dia significando melhoria na sua qualidade de vida. Quem operou Flavia foi a Otorrinolaringologista, Dra.Dayse Manrique, médica muito competente e delicada.

QUARTA CIRURGIA. Abril de 2010 - COLECISTECTOMIA LAPAROSCÓPICA – Para remoção da vesícula. Em um recente exame de rotina de ultrassonografia abdominal, descobriu-se que Flavia está com vários cálculos biliares (pedras na vesícula). Houve indicação médica para esta nova cirurgia. Flavia será internada no dia 19 de abril e operada no dia 20.

Esta cirurgia, ao contrário das anteriores, pode nada ter a ver com o estado neurológico de Flavia, mas como há necessidade de anestesia geral, e devido ao seu sempre delicado estado de saúde, fico um pouco tensa. Mas tudo haverá de correr bem. Desistir ou desanimar, jamais.

Até a volta amigos.

Mães: Podemos não ser invencíveis, mas somos incansáveis.

- 4 de abril de 2010
Eu, entre meus filhos Flavia e Fernando. Ela, aos 9 anos, ele,  aos 13.

“... uma mãe é um vulcão, um furacão, uma enchente, uma tempestade, um terremoto. Uma mãe é invencível. Não há perda que ela não transforme em força. Não há passado que ela não emoldure e coloque na parede. Não há medo que a mantenha quieta por muito tempo”

Fonte: Livro Doidas e Santas de Martha Medeiros.

Gosto muito dos textos de Martha Medeiros. Do parágrafo acima, discordo apenas quando  ela diz que nós mães somos invencíveis. Que bom seria se assim fôssemos: Invencíveis. Mas infelizmente, invencíveis  não somos. Nossa invencibilidade esbarra em muitas coisas, mas principalmente na  burocracia, na lentidão e mesmo na falta de JUSTIÇA PARA TODOS  em nosso país.

Neste texto de Glória Perez,  - Teia, mãe coragem - escrito em 03 de março de 2009, Glória escreveu: “Essa semana perdemos a Teia. Mais uma de nós vai desse mundo sem conseguir ver a justiça ser feita!”.

Ao longo de muitos anos Teia, essa mãe mencionada por Glória Perez,  lutou por justiça por causa do assassinato de um filho. Morreu sem resposta. Teia foi vencida pelo descaso de nossa justiça que apesar de toda a sua luta, não lhe deu respostas para o assassinato de seu filho.

Miriam Brandão: 5 anos em 1992  – Minas Gerais. Sequestrada, asfixiada e queimada viva. Um dos assassinos, Welington Gontijo, teve sua pena extinta e  virou pastor evangélico.  O assassino virou pastor evangélico?! Pois que fizesse sua pregação religiosa  dentro da cadeia. Soltá-lo, extinguir sua pena, como foi feito,  é uma afronta à família de Miriam e a todos nós brasileiros. Não nos esqueçamos de  como disse Montesquieu,  uma injustiça feita a um é uma ameaça a todos nós. O vídeo mostrando o assassino da criança  Miriam Brandão, Welington Gontijo, hoje pastor evangélico,  pode ser visto AQUI.

Daniella Perez:   28.12.1992 - A filha de Glória  Perez foi brutalmente assassinada por Guilherme de Pádua e sua então mulher,  Paula Thomaz. (hoje Paula Nogueira de Peixoto).  Condenados, os dois cumpriram apenas 6,  dos 19 anos  da pena que lhes coube. Ele, também  virou evangélico e se escondendo atrás de uma bíblia, está livre, pregando o amor. 

Logo depois do assassinato de sua filha, Glória Perez foi incansável quando saiu buscando assinaturas para mudar nosso código penal e  incluir o homicídio qualificado em crime hediondo. Conseguiu, - sem  apoio de nenhum grande órgão de imprensa. Veja mais detalhes no ARQUIVO DANIELLA PEREZ, página criada por Glória.

As mães são incansáveis. Eu, que já tenho 61 anos,  há mais de 12,  luto para ver condenada a poderosa empresa JACUZZI DO BRASIL como co-responsável pelo acidente que deixou minha filha em coma vigil irreversível. Em última instância em Brasília, mesmo tendo conseguido que  um ministro de justiça  - Luis Felipe Salomão - concordasse comigo de que a empresa deveria sim ter sido condenada, a Jacuzzi, no  acidente causado à  Flavia, saiu ilibada de qualquer responsabilidade.

 "Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão." Flavia, um caso trágico, uma sucessão de erros.

As mulheres aqui mencionadas,  são algumas das mães,  com filhos injustiçados que muitos conhecem, ou porque são figuras públicas, ou porque tiveram alguma mídia sobre as suas tragédias. Mas sabemos que existem muitas mães que apesar de viverem no mais completo anonimato, lutam,  de forma incansável,  por seus filhos. E não recebem apoio da justiça.

Mas as mães são incansáveis, por isso, até o último dia de minha vida, vou seguir lutando para ver respeitados os direitos de minha filha. Não importa aonde eu tenha que ir, nem contra quem eu tenha que lutar.

Mães: Podemos não ser invencíveis, mas somos incansáveis. Incansáveis.Até o próximo post.
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