Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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MÃOS E PROTEÇÃO.

- 11 de outubro de 2010
A mão de Flavia, (de unhas pintadas) entre as minhas mãos.

Foto de Marcelo Min para a reportagem de Eliane Brum, Saudades de sua voz, Revista Época, Nov.2009.

Filha,
Minhas mãos ficam sempre perfumadas, quando em contato com as tuas.
E não sei se quem te proteje sou eu, ou se é você quem me ampara e não me deixa esmorecer.
Apesar da justiça que nunca acontece, apesar da impunidade que ainda prevalece.

Hoje faz 12 anos que Flavia está em coma. Só o afeto nos salva

- 6 de janeiro de 2010
Foto de Marcelo Min

"Borboleta a nascer, está aí pra te ver e conosco sonhar, um dia vai descer, em suas asas te acolher e levar-te a voar.."

As primeiras fotos são as mencionadas na reportagem de Eliane Brum na Revista Época nr.601, de 23 de Novembro de 2009. As fotos mostram o nascimento de uma Borboleta Monarca. Presente do fotógrafo e amigo Nuno de Sousa  para Flavia.

As palavras entre aspas fazem parte de uma das gravações que nosso amigo António Peciscas enviou para Flavia e que com frequência acariciam seus ouvidos antes dela adormecer.

Hoje faz 12 anos que um ralo de piscina sugou os cabelos de Flavia e a deixou em coma vigil irreversível. Hoje faz 12 anos que exerço a esperança no limite da exaustão. Antes era a esperança pela recuperação de minha filha, depois, esperança para ver condenados os culpados pela negligência que mudou tragicamente o destino de Flavia.- a esperança por justiça, - que ainda não se fez por completo - e agora, esperança por uma Lei Federal para a segurança nas piscinas, de modo a evitar que OUTRAS CRIANÇAS venham a sofrer o mesmo tipo de acidente que deixou Flavia em coma.

É a esperança que insiste, que a tudo resiste. E quando o desespero cresce, quando o ânimo arrefece, cantarolo para Flavia ouvir:

"Borboleta a nascer, está aí pra te ver, e conosco sonhar, um dia vai descer em suas asas te acolher e levar-te a voar...."

Além de António e Nuno, ambos de Portugal,  através deste blog, eu e Flavia fizemos muitos amigos no Brasil. No exterior, além de Portugal, temos amigos em Moçambique, nos Estados Unidos, Argentina, Espanha, Colômbia, Suécia, Itália, Alemanha,  Israel...Todos são muito importantes para nós. Muito obrigada pelas palavras de apoio  e conforto. Muito obrigada  por todo este afeto que nos chega através do blog de Flavia. Como bem disse Eliane Brum, "Desde que a medicina encontrou seus limites, é o afeto que salva Odele".  Sim, o afeto nos sustenta. O afeto que por aqui chega para mim e para Flavia. Nao importa de  quão longe  venha: Quando a esperança ameaça fraquejar, é mesmo o afeto que nos salva.

Reportagem na Revista Época. Agredecimentos

- 7 de dezembro de 2009
Amigos e leitores deste blog,

A repercussão da matéria comigo e Flavia na Revista Época foi grande e aumentou em muito a visibilidade deste blog e espero ter aumentado também a conscientização das pessoas para o perigo dos ralos de piscinas. Espero que o alerta que aqui faço para este tipo de perigo, possa aumentar também a conscientização das empresas fabricantes  de sistemas de sucção de piscinas, sobre  a responsabilidade que devem assumir quanto aos seus equipamentos.

Quero deixar aqui registrado o meu agradecimento à repórter especial da Revista Época, autora da matéria, Eliane Brum, pela forma bonita como se expressou ao contar minha história com minha filha. A repercussão da matéria deve-se muito à forma respeitosa, sensível e humana como Eliane escreve.

E de novo obrigada a Altino Machado que foi quem me “apresentou” à Eliane Brum.
Obrigada ao fotógrafo Marcelo Min pelas bonitas fotos. Como disse meu amigo António do blog  Peciscas, "atrás de uma grande repórter está sempre um grande fotógrafo".

E MUITO OBRIGADA a todos quanto por aqui passaram, trazidos pela reportagem da Época – mais de 170 mil pessoas em uma semana. Obrigada pelos comentários e pelos e-mails que me enviaram. Peço desculpas por não conseguir responder a todos, mas saibam que leio, com muito carinho, cada mensagem que me chega.

E por fim, quero que saibam que sinto-me gratificada quanto me dou conta de que o conhecimento de minha história com Flavia foi além de alertar para o perigo dos ralos de piscinas. Após lerem a reportagem Saudades de sua voz, muitas pessoas me escreveram dizendo que estão repensando a forma como se relacionam com seus filhos. Algumas mães me disseram que deixaram de se irritar com as conversas insistentes de suas crianças. Deram-se conta de que voz de seus filhos, poderá se calar a qualquer momento.

Um forte abraço a todos e até o próximo post.

FLAVIA NA REVISTA ÉPOCA DESTE SÁBADO

- 21 de novembro de 2009
Odele e Flavia - "SAUDADES DE SUA VOZ"

A Revista Época deste sábado, traz uma reportagem comigo e Flavia. A matéria é da repórter Eliane Brum e as fotos, de Marcelo Min. ( Fotogarrafa)
"
Quando Odele sonha com a filha, Flavia tem 10 anos. A menina de cabelos longos, encaracolados nas pontas, fala sem pausas. Gosta de partilhar seu dia, contar as aventuras na escola, tagarelar sobre o futuro precocemente dividido entre uma carreira de administradora e outra de modelo. Abraça e beija muito. Dança, canta e toca teclado. Sua voz povoa o sono da mãe. Quando Odele acorda, porém, o silêncio continua lá.

Deitada na cama do quarto ao lado, Flavia tem os olhos abertos. Não pode mais falar e, embora possa ver, Odele não sabe se vê. A menina calou-se aos 10 anos, quando seu cabelo foi sugado pelo ralo da piscina do edifício onde vivia, em São Paulo. Em dezembro, no mesmo dia do aniversário da mãe, fará 22. Há quase 12 anos, Odele só ouve a voz da filha em sonhos. Agora é a mãe que parece se afogar ao despertar submersa na ausência da filha. “Ela tinha voz de sino”, diz. É dessa voz de sino que Odele sente mais saudade.

Assim se inicia cada dia. E cada dia em que Flavia não acorda é uma perda para Odele. Quem vai imaginar que a voz da filha, que às vezes perturba com sua premência, será um dia a maior saudade da mãe? Que aquelas histórias de criança, contadas quando falta tempo à mãe, seriam pagas com metade de uma vida ou uma vida inteira, se a mãe soubesse que poderia perdê-las?
É uma existência de subtrações e de delicadezas, a dessas duas mulheres. Só faz sentido porque Odele conseguiu fazer da história de dor também uma narrativa de amor.

.... Meses depois, Odele começou a buscar as causas no fundo da piscina. Dividia seu dia entre os cuidados com a filha no hospital e..."

A matéria completa pode ser lida neste link da Revista Época: SAUDADES DE SUA VOZ.
O meu muito obrigada à repórter Eliane Brum pela realização desta reportagem. Obrigada também ao fotógrafo Marcelo Min.

Agradeço também ao editor do site da Revista Época e ao pessoal do Globo.com pela abertura desta matéria no site. Desta forma, nossos leitores de Portugal, de outros países e de localidades onde a Revista não chega, podem ler a matéria completa on line.

Nota: Na hora de agradecer a tantas pessoas que me apoiam na divulgação da história de Flavia, quando me dou conta, estou sempre devendo agradecimentos. É o caso desta matéria.: Eliane Brum, repórter especial da Revista Época,  tomou conhecimento do blog de Flavia, graças à sensibilidade do blogueiro acreano -  nem sempre bem compreendido em sua própria terra - ALTINO MACHADO, que há tempos conhece a história de Flavia. Neste link,  vocês verão uma mensagem  de Eliane para Altino,  agradecendo a ele pela sugestão  da pauta. A Altino Machado, os meus mais sinceros agradecimentos e minhas desculpas por não ter colocado aqui antes esta nota. MUITO OBRIGADA ALTINO!
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