Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

Criança de 4 anos morre afogada em hotel na Bahia

- 16 de outubro de 2018


O acidente ocorreu neste sábado, dia 13 de outubro, na piscina de um hotel, no Município de Rio de Contas, na Bahia. A vítima, o menino de 4 anos, Marcos Henrique Fernandes Lima, chegou a ser levado ao Hospital, mas não resistiu ao afogamento.

A polícia investiga as causas do acidente.

Fonte: G1

Lembro aqui, que é muito importante que proprietários e administradores de piscinas,  sigam o que diz a ABNT em sua norma 10339, atualizada em 2018, no que diz respeito a segurança nas piscinas. O respeito às normas, fará com que diminuam, de maneira significativa, os acidentes ocorridos nas piscinas do Brasil.




Segurança nas piscinas, uma boa noticia: Norma 10339 atualizada pela ABNT

- 20 de setembro de 2018
Flavia, no jardim do prédio onde atualmente moramos.

Há 20 anos, um acidente ocorrido numa piscina que funcionava sem os devidos dispositivos de segurança, tirou de forma irreversível, a consciência (minha filha vive em coma vigil) e os movimentos de Flavia. Eu desejo, do fundo de meu coração, que nenhuma outra criança tenha seus sonhos desfeitos e sua vida interrompida porque apenas nadava numa piscina.

O acidente com Flavia ocorreu em 1998. de lá pra cá, inúmeros acidentes causados nas piscinas do Brasil têm levado à morte crianças de diferentes faixas etárias. Desde bebês até crianças de 10 anos ou até mais. A causa desses acidentes tem sido principalmente a falta de segurança que acabam tornando as piscinas  do Brasil,  verdadeiras  armadilhas submersas.

Uma boa notícia:

No dia 19 deste mês de Setembro, a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, publicou a atualização da norma 10339-2018 que versa sobre SEGURANÇA NAS PISCINAS. As normas mencionam  o que deve ser feito para tornar a piscina segura, como por exemplo ter instalados portões auto-travantes e tampas anti aprisionamento que vão evitar a queda de crianças pequenas e aprisionamento das crianças maiores.

A atualização da norma 10339 da ABNT , significa  um avanço importante na busca de segurança nas piscinas do Brasil. É mais um apoio aos familiares na hora de cobrar  dos administradores e proprietários de piscinas, a devida segurança nas piscinas onde brincam suas crianças.

Na dúvida, consulte o site da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas:

Não nos esqueçamos de que segurança nas piscinas é uma causa de todos nós.

Um abraço a todos.
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Norma Técnica
Código
ABNT NBR 10339:2018  
Data de Publicação :19/09/2018
Título :Piscina — Projeto, execução e manutenção
Título Idioma Sec. :Swimming pool — Design, implementation and maintenance
Nota de Título :Esta Norma necessita impressão colorida.
Comitê :ABNT/CEE-215 Piscinas
Páginas :45
Status :Em Vigor  
Idioma :Português
Organismo :ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

Objetivo :Esta Norma estabelece os requisitos e parâmetros para projeto, construção, instalação e segurança no uso e operação aplicáveis a todos os tipos de piscinas.

Morre menino belga que ficou preso numa piscina em Azeitão, Portugal

- 24 de julho de 2018
Vic Wanzelee, seis anos.

Vic Wanzeele, menino de seis anos,faleceu nesta segunda-feira, em Portugal. A criança teve o braço preso pela aspiração do ralo da piscina onde nadava.

"No Facebook, o pai do menino, Michael Wanzeele, deixou uma mensagem emocionada dando conta da morte do filho. "Hoje de manhã, às 6.00, o coração de Vic parou de bater. Estávamos os dois (pai e mãe) lá, e estávamos na cama dele com ele. Isso foi o que Vic sempre pretendeu. Estar perto de nós", escreveu o homem no Facebook. Ao JN fonte do hospital confirmou a morte da criança.

O rapaz de seis anos ficou em estado grave após ter ficado preso por um braço no ralo de aspiração da piscina, numa residência de turismo rural em Azeitão, Setúbal, na última terça-feira. Os pais retiraram a criança da piscina já em paragem cardiorrespiratória. Estima-se que o menino tenha ficado dentro de água cerca de 20 minutos.

O alerta foi dado às 13.43 horas e no local estiveram 13 operacionais e cinco viaturas dos bombeiros e GNR. A criança foi depois levada para o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde passou a última semana a receber tratamento médico.

O casal belga, que estaria de férias em Portugal, estava acompanhado pelos dois filhos. O irmão de Vic já tinha deixado Portugal para rumar à Bélgica, durante o fim de semana, altura em que o menino de seis anos não apresentava melhorias. "Pedimos várias opiniões sobre os resultados da ressonância magnética e o resultado foi infelizmente o mesmo", escreveu o pai no sábado.

Na longa publicação, que foi amplamente partilhada e comentada, Michael sublinhou o bom tratamento recebido em Portugal. "Estamos a ser muito bem acompanhados no hospital e o hotel onde ficamos está a ser muito compreensivo e a tentar facilitar todo o processo", escreveu o homem na publicação que foi sendo atualizada ao longo da última semana."

Infelizmente, os acidentes causados pela sucção dos ralos de piscinas, seguem acontecendo, não só no Brasil, mas em todas as partes do mundo. Para evitar esse tipo de acidente bastaria que as piscinas tivessem os indispensáveis dispositivos de segurança, como tampas anti aprisionamento, cercas de proteção e portões auto travantes.

Convivo, há quase 21 anos, com a dor de ter minha filha vitimada por esse tipo de acidente,  - a sucção do ralo da piscina, o que a fez passar a viver em coma, alheia à vida, E me entristece profundamente, que mesmo após tendo se passado tanto tempo e mesmo os acidentes continuando a acontecer, crianças ainda percam suas vidas, por algo que poderia ser perfeitamente evitado. Que tristeza essa falta de conscientização e claro, falta de ação para evitar a morte de crianças, no Brasil e mundo, vitimas da falta de segurança nas piscinas. Que tristeza.

Carta para minha filha em coma, dia das mães, maio de 2018

- 13 de maio de 2018
Por esses dias, recebemos de Portugal essa jarrinha linda. É de porcelana,  pintada à mão e a origem é da cidade portuguesa, de Viana do Castelo.  Recebemos de Lena, esposa de nosso amigo António, que nos acompanha há mais de 10 anos.  António disse que a jarrinha é para mim e Flavia. Aqui, ela está enfeitando o quarto de Flavia. Muito carinho envolvido, carinho esse que tem nos confortado ao longo desses anos.

A carta para Flavia.

Filha, aqui está a cartinha que lhe escrevo todos os anos no dia das mães. Vou ler  pra você.

Princesa, esse seu sono sem despertar, que já passa dos 20 anos, e que nos  faz estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo,  nos priva de algumas experiências conjuntas que nada no mundo substitui. Como não sentir sua ausência, em qualquer lugar que vá? Muitas vezes seu irmão, que é um querido, vai comigo. Por exemplo, no ano passado quando fomos conhecer António, nosso amigo português que vive na cidade do Porto. Que lindo foi aquele encontro filha.  Você, mesmo aqui deitadinha em sua cama, estava conosco o tempo todo em pensamento. Em pensamento Flavia. Mas o pensamento querida,  não substitui o toque na pele, o abraço apertado, o caminhar  juntos pelas ruas. Faltava você.

Essa experiência e tantas outras mais, como, estudar, namorar, casar e ter filhos, a vida tirou de você querida. Os anos passam e você, mesmo em estado mínimo de consciência,  continua aqui tão linda, tão frágil e forte ao mesmo tempo. Mas nada vai suprir a falta que uma vida saudável nos traria. Os anos têm passado Flavia. Já são mais de 20 anos desde que você sofreu o acidente que lhe deixou vivendo em coma. Por causa da sucção dos ralos de piscinas, que infelizmente continuam a ocorrer em todas as partes do mundo querida. O descaso com a vida humana é revoltante. Tenho lutado pela Lei de Segurança nas Piscinas que salvaria tantas vidas e evitaria que outras crianças venham a ter o seu destino, mas as autoridades pouca atenção nos têm dado.

O tempo tem passado querida. Estou envelhecendo sem que você tenha consciência disso.  Meus cabelos estão embranquecendo  e decidi assumi-los assim. Mas eu estou bem querida. De onde vem minha força? Do fato de saber que  você, através de mim, pode mudar o destino de outras crianças, alertando para o perigo existente nos ralos de piscinas. Você Flavia, mesmo em estado mínimo de consciência, está, através deste seus blog e de seu Facebook, evitando novos acidentes causados pela sucção dos ralos de piscinas. E com isso você exerce a cidadania que lhe foi roubada na infância.

O tempo tem passado querida. Michele, nosso Poodle que adquiri  insanamente pensando que seus latidos pudessem despertar você  do  estado  de coma, assim como eu, está envelhecendo. Michele  já não ouve e seus olhinhos já não enxergar como antes. É o efeito do passar do tempo querida. Mas o passar do tempo Flavia, em nada diminui o meu amor e carinho por você. O passar do tempo em nada me faz desistir de cuidar de você com todo o amor que você merece. Acredito filha, que não só você, mas todas as pessoas que por  infortúnio estão dependendo dos cuidados de outras pessoas, devem ser bem cuidadas com muito amor e carinho.

Espero  filha, continuar a ter saúde pra seguir cuidando de você do jeito que tem que ser. Com muito amor. Sempre.

Pessoas acamadas, como evitar escaras (de novo)

- 22 de fevereiro de 2018
Produtos que uso para hidratar a pele de Flavia.  (Apenas como sugestão)

Recebo, com muita frequência, e-mails ou comentários deixados neste blog, perguntando o que eu uso em Flavia para evitar que ela, mesmo estando acamada há mais de 20 anos, NUNCA tenha tido escaras.

Como a quantidade desses e-mails me questionando sobre escaras é realmente muito grande, fica impossível eu responder um, por isso, de tempos em tempos, preciso fazer um post, repetindo o que já foi dito em outros posts deste blog: Como evitar escaras em pessoas acamadas.

A foto que ilustra este post não tem a intenção de indicar este ou aquele produto, mas são os produtos que estou usando no momento para cuidar do corpo de Flavia. O óleo de coco, orgânico e extra virgem, passo na região das nádegas, o Dersani na virilha. Para o restante do corpo, pode-se usar outro hidratante, de preferência em creme. Qualquer um de sua preferência, mas é importante que seja de boa qualidade.

Houve um tempo em que uma das profissionais que me ajudavam com Flavia não foi cuidadosa o suficiente, e Flavia adquiriu uma lesão avermelhada na região das nádegas. Era uma mancha que muito se assemelhava a uma queimadura. Tive muito receio de que aquela lesão pudesse evoluir para uma escara. Contratei então uma estomoterapeuta (enfermeira especializada em cuidar de escaras) que me passou curativos caríssimos mas que de nada adiantaram. O Enfermeiro do Home Care à época também me indicou um preparado de Dermodex com Dersani, mas que também não adiantou. Pesquisando na Internet, descobri os efeitos terapêuticos do óleo de coco e resolvi tentar na lesão da pele de Flavia. Não era ainda uma ferida, mas poderia vir a ser. Resolveu.

A cada troca de fralda, após higienizar muito bem a região e secar com delicadeza, eu hidratava a região das nádegas com o óleo de coco extra virgem e orgânico. E a lesão foi clareando até desaparecer completamente. Desde então, é o hidratante que uso na pela de Flavia. Mas só na região das nádegas. No corpo, eu uso diferentes hidratantes e sempre em creme que é para não ficar oleosa.

É importante notar que nenhuma hidratação vai resolver problemas de pele se não for antecedida por uma cuidadosa higiene corporal. A fralda do paciente deve ser trocada imediatamente após verificar-se a necessidade. Seja fezes ou urina, deve-se trocar a fralda do paciente sem demora. Tão importante quanto isto é que a roupa de cama e de uso pessoal do paciente estejam sempre limpa e bem esticada na cama. As dobras de roupas e lençóis podem causar lesões na pele e estas evoluírem para escaras.

Não há segredo, basta cuidar bem e sempre que possível, acrescentar muito amor nesses cuidados. Como eu já disse aqui, o amor é terapêutico.

Espero ter ajudado. Um abraço carinhoso.


Acidentes nas piscinas do Brasil, 20 anos depois

- 6 de janeiro de 2018
 


06 de janeiro. No dia de hoje, 20 anos atrás minha filha Flavia, uma criança de 10 anos, linda e saudável, sofria um acidente causado pela sucção do ralo da piscina onde ela nadava, que lhe condenaria a viver em coma pelo resto da vida. Flavia, vive em coma. Há 20 anos. Olhar para minha filha e ver sua vida estagnada sem que eu nada possa fazer para mudar a condição de vida dela, me causa uma dor diária e me deixa devastada.

Em 2007, quando criei o blog Flavia, vivendo em coma com o objetivo de alertar outras pessoas para o perigo existente na sucção dos ralos de piscinas e para lutar por uma Lei Federal para Segurança nas Piscinas, eu não imaginava que seria tão difícil conscientizar os políticos de Brasília a aprovarem uma Lei que certamente salvaria vidas, principalmente de crianças.

Foram muitos textos escritos, e-mails, telefonemas, viagens ao Rio e  à Brasilia, mas tudo ou quase tudo,em vão. O máximo conseguido dos políticos foram promessas vazias. A Lei Federal de Segurança nas Piscinas até hoje continua, sem aprovação nas águas mal paradas da burocracia de Brasilia. 

A ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, com sua norma 10.339 referente a Segurança nas Piscinas e que datava de mais de 30 anos, recentemente fez um trabalho de revisão de sua norma, com o envolvimento de profissionais do setor, entre eles, empresários do ramo, engenheiros e construtores, num trabalho longo que durou mais de um ano. No entanto, até agora essa atualização ainda não foi disponibilizada no site da ABNT, porque o texto ainda precisa ser colocado no “formato”característicos das normas da ABNT. Mais uma vez a burocracia sai vencedora.

Enquanto isso, os acidentes nas piscinas do Brasil seguem acontecendo com uma frequência alarmante tanto para os usuários de piscinas quanto para os pais de crianças, crianças essas que nunca voltaram de seus mergulhos porque perderam a vida num momento em que apenas buscavam exercer direito de toda criança. Brincar em segurança.

As principais causas – as mais graves – de acidentes com crianças em piscinas, acontecem por três motivos: 1. A sucção dos ralos que causa o aprisionamento de cabelos ou partes do corpo 2. Ausência de portões auto travantes e 3. A falta de cercas de proteção que causa a queda e afogamento de crianças pequenas. Esse problema poderia ser facilmente resolvido com instalações de tampa ou grelha anti aprisionamento, de portões auto travantes e cercas de proteção ao redor de todas as piscinas, sejam elas de uso doméstico, coletivo ou público.

Diante da burocracia,  da morosidade, do descaso e da inércia de nossos políticos, minha sugestão é de que cada um de nós passe a exigir segurança na piscina de sua casa , de seu condomínio, do clube, do parque aquático ou do hotel onde você for passar férias com seus filhos. E se você não tiver filhos, há de ter netos, sobrinhos, irmãos pequenos, afinal, todos tivemos, temos ou teremos uma criança em nossas vidas. E no caso de se constatar a ausência de pelos menos (sim, é o mínimo) dos dispositivos de segurança acima mencionados, que seja cobrado do local a segurança necessária. E se encontrar dificuldade para exercer o seu direito à segurança na piscina onde suas crianças vão estar, denuncie! 

Segurança nas piscinas, uma causa de todos nós!


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