Embaixo da cama de Flavia, está Michele, nossa poodle.
Logo depois do acidente ocorrido com Flavia, olhando em sua mochila escolar, vi dentro de um de seus cadernos, o bilhete de uma amiguinha de classe, que me encantou. Dizia assim o bilhete:
“Flavia, você é muito legal. Aqui no CONSA (Colégio onde Flavia e a amiguinha estudavam) você é minha melhor amiga. E quero pedir para você ser minha melhor amiga fora da escola também. Eu adoro você Flavia e quero ser sua amiga para sempre.
Assinado: Michele.”
A vida se encarregou de separar as amiguinhas Michele e Flavia, e eu nunca mais soube da criança que escreveu este doce bilhete. Mas em homenagem a ela e ao carinho que um dia sentiu por Flavia, coloquei seu nome na cachorrinha poodle que comprei, quatro anos após o acidente, com a louca esperança de que seus latidos acordassem Flavia. Os latidos da cachorrinha não despertaram Flavia, mas Michele, que é doce e carinhosa, nos conquistou para sempre. E o nome de Michele, pelo menos na minha lembrança, eterniza a amizade de duas crianças: Michele e Flavia.
Quando Flavia está na sala, em sua cadeira de rodas, Michele fica por perto e por vezes, eu a coloco no colo de Flavia para que as duas troquem afetos. Silenciosamente e sem gestos, sei que as duas se acariciam. Quando Flavia é trazida de volta para seu quarto, Michele vem também, se acomoda embaixo da cama de Flavia e ali fica por horas, até que o sono também lhe chega e ela vai para sua própria cama na área que lhe é reservada para dormir. No dia seguinte, Michele acorda e sapeca, corre alegre e saltitante pela casa. Enquanto Flavia, segue dormindo este seu sono sem fim.




