Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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Descaso com a vida humana e impunidade

- 12 de outubro de 2009
Fantasias e sonhos destruídos. A infância e este sorriso roubados.

Na foto, Flavia, aos 8 anos com o rostinho pintado e se divertindo com o animador de uma festa, uma das muitas que eu freqüentava com meus filhos quando crianças.
Para quem já conhece a história de Flavia, escrevo para relembrar, e para quem está conhecendo agora, para informar:

Março de 2009: (11 anos depois...)  O processo no qual co-responsabilizo o condomínio Jardim da Juriti, e a empresa Jacuzzi do Brasil, pelo acidente que deixou minha filha em coma vigil irreversível, depois de mais de nove anos na justiça paulista, foi julgado pelo – STJ - Superior Tribunal de Justiça em Brasília. Dos 5 ministros que votaram a sentença, apenas um - Luis Felipe Salomão - concordou comigo de que a empresa fabricante do sistema de sucção da piscina que sugou os cabelos de Flavia, deixando-a presa embaixo dágua, a JACUZZI DO BRASIL, seria co-responsável no grave acidente causado à Flavia. Infelizmente, o Condomínio, em vez de acertadamente colocar a co-responsabilidade do acidente com Flavia no fabricante do equipamento, - por todos esses anos de batalha judicial - o Condomínio Jardim da Juriti,  usou a mesma  tática de defesa da Jacuzzi: Culpar a mim, mãe da vítima. Ao final, o Condomínio acabou sendo 100% responsabilizado.

 "Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão."

A matéria completa sobre a sentença do processo de Flavia no STJ está neste link do Consultor Jurídico, de onde copiei o parágrafo acima.

Quem roubou as fantasias de criança e este sorriso de Flavia, não deveria ter perdão. Mas teve. Quem, junto com o Condomínio Jardim da Juriti, foi co-responsável pelo acidente que deixou minha filha em coma, a empresa fabricante do ralo da piscina onde Flavia teve os cabelos sugados - JACUZZI DO BRASIL, não deveria ter sido ilibada de culpa. Mas foi. E mais uma vez a justiça foi injusta, porque demorou em julgar, - no caso de Flavia, mais de 11 anos! Porque isentou de culpa quem deveria condenar. Mais uma vez a justiça deixa impune quem deveria exemplarmente punir, colaborando dessa forma com um ambiente propício para que negligências e descaso com a vida humana continuem a fazer vítimas.No caso de acidentes com ralos de piscinas, essas vítimas têm sido na sua maioria crianças, que assim como Flavia, terão seus sonhos e fantasias desfeitos e a vida destruída.

Obrigada por sua visita e comentário e até o próximo post.

Nota: Quando terminei de escrever este post, o vídeo com a história de Flavia, (no post anterior e na lateral deste blog) já estava com 40.686 visualizações, o que significa que em uma semana, foi visto 707 vezes. Muito obrigada!

Filha, neste 12 de Outubro, Dia da Criança, o meu abraço e a minha homenagem à alegre e saudável CRIANÇA que você foi e que sempre estará em minha memória.

Esperar: É só o que nos resta fazer?!

- 3 de agosto de 2009
Leila Jalul
Cronista acreana

As mães que o digam o quanto vale e pesa uma barriga até que chegue o grande dia da rebentação. No ontem, sem o auxílio luxuoso da tecnologia, além da barriga, o peso da espera para a utilização dos tons rosados e azuis dos enxovais. Seria Maria? Seria João? Tudo era mistério até que se ouvisse o brado forte do chorão ante o impacto com o mundo exterior. Uma palmada no bumbum e... buá!!!

Agora é diferente. Tudo se planeja e organiza. Até se escolhe os conselhos zodiacais para a marcação da data da concepção. Tudo vale a pena quando o assunto é vida. A maior espera é compensada, principalmente se não houver um atrapalho por caso fortuito ou força maior. Vida que chega, apaga o sacrifício da espera e os desconfortos do esperar.

Difícil é aguardar o que ficou de chegar e não se pode prever quando. Angustiante é ficar na dependência de terceiros para a solução de questões fundamentais para que se continue a vida ou se alivie as dores do viver. É de causar revolta quando se constata a lentidão da justiça, principalmente quando se trata de reconhecer direitos dos cidadãos comuns. Mais revoltante, ainda mais, é ver sentenças judiciais sendo descumpridas, numa afronta ao poder constituído. Vivemos num país que precisa de heróis, que não reconhece o direito adquirido e nem respeita os atos jurídicos perfeitos e as sentenças transitadas em julgado. Uma lástima!

Aposentados esperam a morte sem que recebam o que lhes foi usurpado quando ainda produtivos. Estão aí os benditos precatórios se arrastando por anos a perder de vista. Os noticiários mostram o descaso e a inépcia para com aqueles que ajudaram a construir o país. O Poder Judiciário cala-se. Recorrer a quem?

Não penso num texto com citações. Não. Dispo-me de qualquer titulação. Apenas reflito a barafunda do sistema brasileiro, com tantos recursos, com tantos renomados, com tantos luxuosos escritórios, com tanta roubalheira, onde se encostam os que não podem pagar os convites da festança? Pode um cristão de classe média baixa pagar pelos desagravos e agravos, principalmente quando da sentença pede-se a continuidade de apenas poder sobreviver?

Agora, quando escrevo, não penso apenas no caso de Flávia. Neste, já houve sentença condenatória, se não de todos, sacrificando, pelo menos o menor dos culpados: o condomínio, principalmente se o sistema instalado já veio no pacote da Jacuzzi. Salvou-se a mãe, pelos tribunais paulistas julgada co-responsável no acidente, como se tivesse praticado abandono de incapaz. A menina brincava numa piscina rasa, aparentemente inofensiva, na companhia do irmão e de mais dois adolescentes e, não fosse o ralo inapropriado, estaria ilesa. Eximiu-se a responsabilidade do maior dos responsáveis. E assim acontece em muitos outros episódios e em situações onde quem pode pagar mais, pode tudo. De pronto pode-se constatar: ou o esperneador contenta-se com a sentença, ou vai esperar por mais vinte anos para que se faça valer o que muitos pensam que deveria. Para que servem os agravos? Para que serve o dinheiro? Para que servem os escritórios de luxo dos renomados?

Num apanhado de fatos recentes, o moço negro, dentista, morto pela polícia paulista, sem medo de errar, não teve o mesmo tratamento dado às celebridades, tipo artistas em evidência na mídia ou tipo velhos conhecidos políticos com seus atos secretos. O tratamento não é o mesmo. Nem no tocante ao tempo do processo, muito menos, quando é o caso, no da indenização. Parece que todos se rendem ao mais forte, aos poderosos e sem se lixarem para o senso crítico dos que de perto acompanham os descalabros.

Agora, quando escrevo, não penso apenas no caso de Flavia, mas não há como não ver nesta menina um exemplo de como é falha a nossa justiça. O que desejamos, - porque é nosso direito - é que a justiça não faça diferença entre o negro e o branco, entre o pobre e o rico, entre o anônimo e a celebridade. Desejamos, porque é nosso direito, que a justiça seja célere e que se faça não em parte, como ocorreu no caso de Flavia, mas que a justiça se faça sempre por completo.

Leila, MUITO OBRIGADA por sua colaboração para o blog de Flavia. E como você bem diz:

“Angustiante é ficar na dependência de terceiros para a solução de questões fundamentais para que se continue a vida ou se alivie as dores do viver”.
Sim Leila, é angustiante.
Até o próximo post.

A justiça tarda mas não falha?! Infelizmente tarda e falha!

- 22 de junho de 2009
Para quem ainda não leu, transcrevo abaixo trechos do que se publicou no CONSULTOR JURÍDICO sobre o julgamento do Processo de Flavia, dia 03 de Março de 2009, em Brasília, 11 anos depois do acidente que deixou minha filha em coma irreversível.

“O trágico caso da garota tornou a questão ampla do ponto de vista jurídico em razão da sucessão de erros – reconhecidos e punidos pelo STJ – cometidos pelos envolvidos. Inclusive pela primeira e segunda instâncias da Justiça paulista, que decidiram que a mãe havia colaborado para o acidente. No julgamento da semana passada, esse foi um dos pontos que mais provocou reações de indignação nos ministros da 4ª Turma.

“.... por unanimidade os ministros decidiram reformar a decisão do TJ paulista no ponto em que considerou que a mãe, por permitir que a filha fosse nadar apenas com outros menores, teve parte da culpa pelo acidente. O ministro Noronha e o desembargador Mathias teceram duras criticas à decisão neste ponto. “Falar em culpa concorrente neste caso é uma falácia”, disse Mathias. “Essa mãe foi muito injustiçada. Ela nunca poderia responder por deixar sua filha, que sabia nadar bem, como está provado, ir nadar em seu condomínio. Ora, quem de nós não deixa os filhos nadarem sozinhos”, arrematou Noronha.
Culpa de fábrica.
O ponto controverso do recurso ficou por conta da responsabilidade da Jacuzzi, a fabricante da bomba de sucção, pelo acidente. Para a maioria dos ministros, como não foi a Jacuzzi quem instalou a bomba de sucção na piscina e o manual mostrava que o equipamento era muito mais potente do que o necessário para a piscina nas dimensões da do condomínio processado, ela não tem qualquer culpa pelo acidente.

Por quatro votos a um, a 4ª Turma decidiu que a empresa não tem de indenizar. “Os manuais técnicos da fabricante têm informações suficientes sobre a potência adequada para o tamanho das piscinas e a empresa não foi responsável pela instalação do equipamento”, afirmou o relator, Carlos Mathias. Os ministros Aldir Passarinho, Fernando Gonçalves e João Otávio de Noronha acompanharam o relator.

Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão.”

Pois é. Lutei 11 anos na justiça brasileira para ver condenados, além do Condomínio Jardim da Juriti, a Jacuzzi do Brasil pelo acidente ocorrido com Flavia, porque no meu entender, é bem o que o Ministro Luis Felipe Salomão também entendeu: A Jacuzzi não orientou em seus manuais sobre o risco do tipo de acidente que aconteceu com Flavia e que como venho documentando aqui, continuaram e lamentavelmente continuam acontecendo com outras pessoas.

Por quatro votos a um a Jacuzzi do Brasil saiu ilibada de co-responsabilidade no acidente com Flavia, causado por seu equipamento. Neste caso, a justiça não só tardou como também falhou. Falhou comigo, falhou com Flavia e com todos que esperavam que a impunidade não fosse uma força indestrutível neste país.

Mas ainda acredito - ACREDITO - que exercendo com firmeza e determinação nossa cidadania, podemos mudar esta realidade. Porque é nosso direito uma JUSTIÇA CÉLERE E JUSTA.

Quanto à Jacuzzi do Brasil, é como diz Betty:
"Odele, a JACUZZI não ter sido condenada é algo que nunca vou entender, quanto mais aceitar. Uma empresa que não assume a responsabilidade num caso como o da Flavia, não merece ser líder de mercado...”


Até o próximo post.

Meias Justiças: Não nos conformemos com isso

- 27 de abril de 2009
Mais uma vez me utilizo deste recurso do post sonoro para estar mais próxima de vocês. Nesta nossa conversa, um resumo dos últimos acontecimentos, tendo em vista o recente julgamento do processo de Flavia pelo Superior Tribunal de Justiça em Brasília e uma idéia do que pretendo fazer daqui pra frente, pois considero que o caso de minha filha não está encerrado, já que a empresa JACUZZI DO BRASIL, apesar de ter sido considerada co-responsável, por um Desembargador em São Paulo e um Ministro de Justiça em Brasília, ao final, não houve consenso da justiça, e essa empresa, mesmo com insuficientes informações em seus manuais, não foi condenada como co-responsável pelo acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível.

A justiça para Flavia, não se fez por completo. Ainda não. Por isso, haveremos de seguir. Até onde? Até onde necessário for. Que a justiça se faça para Flavia e para todos que por ela buscam e lutam de forma íntegra, clara, transparente. Que a justiça se faça para todos nós, não de forma parcial, mas por completo porque é assim que deve ser, porque é assim que uma justiça merece ter esse nome. JUSTIÇA!


Este post sonoro só foi possível graças à colaboração de meu amigo António do blog Peciscas, de Portugal, a quem mais uma vez agradeço por todo o apoio que vem dando à causa de Flavia.
Por me ler, por me ouvir, muito obrigada a vocês e a até o próximo post.

Flavia, um caso trágico, uma sucessão de erros

- 10 de março de 2009
No Brasil, diversos portais de notícias on line, publicaram nesta segunda-feira dia 09, sobre o julgamento do processo de Flavia, acontecido no último dia 03 de Março, Superior Tribunal de Justiça em Brasilia. Infelizmente muitos desses portais publicaram informaçoes incorretas. Um deles chega a dizer que Flavia morreu.

Já o Consultor Jurídico, o site de notícias do mundo jurídico mais conceituado do Brasil, publicou sobre o julgamento do processo de Flavia, matéria assinada por Rodrigo Haidar, que merece aplausos pela veracidade das informações. O meu muito obrigada ao jornalista e ao site  Consultor Juridico.   

Reproduzo aqui trechos da matéria que pode ser integralmente lida no site do Consulltor Jurídico - Demarcação da Culpa.
"STJ define limites da responsabilidade civil
Por Rodrigo Haidar

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça definiu, em um só julgamento, cinco questões que delimitam a responsabilidade civil de empresas, seguradoras e até dos pais sobre seus filhos. Os ministros julgaram o recurso de Maria Odele Silva de Souza e de sua filha, Flávia Souza Belo, que vive em estado vegetativo há 11 anos por conta de um acidente sofrido na piscina do condomínio.
O trágico caso da garota tornou a questão ampla do ponto de vista jurídico em razão da sucessão de erros – reconhecidos e punidos pelo STJ – cometidos pelos envolvidos. Inclusive pela primeira e segunda instâncias da Justiça paulista, que decidiram que a mãe havia colaborado para o acidente. No julgamento da semana passada, esse foi um dos pontos que mais provocou reações de indignação nos ministros da 4ª Turma.

Flávia tinha dez anos quando teve os cabelos sugados pela bomba de sucção da piscina do condomínio onde morava. Presa, sofreu afogamento com sequelas permanentes. ...
Os ministros julgaram na terça-feira (3/3) o recurso impetrado pelos advogados José Rubens Machado de Campos e Ruy Carlos de Barros Monteiro contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. O relator da causa, desembargador convocado Carlos Mathias, acolheu a maior parte das pretensões dos advogados. Além de afastar a culpa concorrente da mãe e determinar que o condomínio tem de custear todas as despesas com os tratamentos da garota...

Seguro inseguroPor unanimidade, os ministros determinaram que a AGF pague indenização de R$ 50 mil à mãe da menina, mais juros e correção monetária do prêmio do seguro, que foi pago com atraso e sem correção. A AGF era a seguradora do condomínio. “O fato de a seguradora atrasar o pagamento do prêmio obrigou a mãe a fazer campanhas para arrecadar dinheiro e custear o tratamento da filha. Ela foi exposta a situação vexatória”, afirmou o desembargador convocado Carlos Mathias.

O ministro Aldir Passarinho Júnior ainda considerou a possibilidade de a seguradora não ter de indenizar por danos morais. “Se o condomínio, que é o segurado, rebate a acusação de culpa pelo acidente, a seguradora teria de aguardar o desfecho para pagar o prêmio”, considerou. Para Passarinho, isso mostraria que não houve má-fé da seguradora.

“O seguro contratado garantia a cobertura de danos. O dano foi inconteste. Logo, a demora no pagamento causou, sim, dor moral à mãe e filha”, rebateu o ministro João Otávio de Noronha. Em seguida, o ministro Fernando Gonçalves interveio para lembrar que constava dos autos que, intimada, a seguradora não pagou o seguro. Então, a decisão neste ponto foi unânime.

Também por unanimidade os ministros decidiram reformar a decisão do TJ paulista no ponto em que considerou que a mãe, por permitir que a filha fosse nadar apenas com outros menores, teve parte da culpa pelo acidente. O ministro Noronha e o desembargador Mathias teceram duras criticas à decisão neste ponto. “Falar em culpa concorrente neste caso é uma falácia”, disse Mathias. “Essa mãe foi muito injustiçada. Ela nunca poderia responder por deixar sua filha, que sabia nadar bem, como está provado, ir nadar em seu condomínio. Ora, quem de nós não deixa os filhos nadarem sozinhos”, arrematou Noronha.

Culpa de fábrica
O ponto controverso do recurso ficou por conta da responsabilidade da Jacuzzi, a fabricante da bomba de sucção, pelo acidente.... Por quatro votos a um, a 4ª Turma decidiu que a empresa não tem de indenizar. ....“

Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão.

Nos embargos de declaração que os advogados José Rubens Machado de Campos e Ruy Carlos de Barros Monteiro afirmaram que apresentarão em breve ao STJ, querem postular, ainda, a elevação do valor da indenização.
 

“Para morte, as indenizações costumam ser de R$ 100 mil. Mas a dor pela morte, com o passar do tempo, vai ficando mais amena. No caso de Flávia, a dor da mãe se renova todos os dias ao ver a filha crescendo em estado vegetativo...," afirma Machado de Campos."

É interessante notar que mesmo entre juizes e ministros de justiça, não existe um consenso sobre o que é justo ou não, o que pode levar a justiça a "uma sucessão de erros". Vejam aqui que um dos ministros, Luis Felipe Salomão, entendeu - como eu sempre entendi e argumentei - que a Jacuzzi tem sim responsabilidade no acidente. Quando eu lutava na justiça paulista, nove anos atrás, um dos juizes que julgava o caso de Flavia, entendeu ser o fabricante do ralo co-responsável pelo acidente e determinou que a Jacuzzi, juntamente com o condomínio, por tutela antecida e na proporção de 50% cada, efetuassem pagamento à Flavia, do valor mensal de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para pagamento das despesas médicas e tratamentos. A Jacuzzi, por força da determinação legal, efetuou esse pagamento mensal por cerca de um ano, mas depois entrou com um recurso e conseguiu deixar de pagar o que lhe cabia desse valor, ou seja R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) mensais. E agora vimos que lá em Brasilia, não foram todos os ministros que consideraram o fabricante inocente. O ministro Luis Felipe Salomão, votou pela responsabilidade do fabricante no acidente causado à Flavia. Infelizmente, foi voto vencido. Mas mesmo assim, muito obrigada senhor ministro, pois mesmo vencido, o seu voto co-responsabilizando o fabricante pelo acidente que deixou minha filha em coma, me aumenta a esperança de que ainda é possível encontrar sensibilidiade entre alguns homens que fazem a justiça acontecer neste país e quem sabe possamos ver em um futuro não muito distante, a impunidade sendo banida da vida de vítimas inocentes.

Obs: Alguns dos negritos do texto da matéria do Consultor Jurídico são meus.

Até o próximo post.

10 anos depois, é esta a sentença final do processo de Flavia

- 3 de março de 2009
Amigos e leitores do blog de Flavia:
Hoje, 10 anos e um mês depois de eu ter entrado na Justiça Paulista, foi iniciado e concluido o julgamento do processo de Flavia pelo Superior Tribunal de Justiça em Brasilia - última instância - e é este o resultado:

1. A empresa fabricante do ralo da piscina que sugou os cabelos de Flavia, JACUZZI DO BRASIL, NÃO FOI CONDENADA. Quatro votos contra nossos argumentos e um a favor. Ou seja, apenas um dos cinco ministros de justiça considerou a Jacuzzi co-responsavel pelo acidente com Flavia.

2. Foi excluida minha co-responsabilidade no acidente.
Se vocês se lembram, os reús (todos) argumentavam que eu era co-responsável pelo acidente e os juizes de São Paulo, nas duas sentenças aqui proferidas, vinham acatando esses argumentos e me consideram co-responsável pelo ralo da piscina ter sugado os cabelos de minha filha .

3. O CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI FOI RESPONSABILIZADO 100% pelo acidente com Flavia.

4. A empresa de seguros AGF BRASIL SEGUROS FOI CONDENADA por não ter me pago o seguro, quando por mim solicitado e no momento devido.

É isso. Vou chorar um pouco, mas depois eu volto.
Até o próximo post.

Obs: Por e-mail duas pessoas disseram que não entenderam se meu choro é de alegria ou de tristeza. Meu choro, claro, é de TRISTEZA pela decisão dos ministros em Brasilia com relação à empresa fabricante do ralo da piscina que sugou os cabelos de Flavia. Na minha opinião e pelos motivos já amplamente explicados neste blog, a empresa JACUZZI DO BRASIL deveria, junto com o condomínio, ter sido co-responsabilizada pelo acidente ocorrido com Flavia.

Obs2: Esclarecendo a dúvida de algumas pessoas, deixadas nos comentários: A decisão da justiça em última instância, como esta, é definitiva e não posso mais recorrer da sentença que tira a responsabilidade da Jacuzzi.
AGRADECIMENTOS:
Muito obrigada a todas as pessoas que estão deixando comentários neste post. Muito obrigada por suas palavras de apoio e solidariedade para comigo e Flavia. Agradeço também aos blogs que fizeram posts sobre a sentença final do processo de Flavia. Por exemplo:
1. Brasil - SOCIEDADE BRASILIS- Flavia
2. Portugal - BEEZZBLOGGER - 10 anos depois
3. Brasil - ENCANTO DE RENASCER - Choro...
4. Brasil - STURN UND DRANG! - O resultado do julgamento
5. Brasil - SCRIPTUS - Depois de 10 anos...
6. Portugal - UMA NOVA CUBATA - 10 anos depois,é esta a sentença final..
7. Portugal - ADESENHAR - 10 anos depois,é esta a sentença final...
8. U S A - HIPPOS - Sentença final do processo de Flavia.
9. Brasil - POR QUE NO TE CALLAS? - Pausa no BBB para falar...

O estado de coma de Flavia é irreversível. E minha dor também

- 28 de fevereiro de 2009
O julgamento do processo de Flavia lá em Brasília, está se aproximando. Por isso é importante relembrar:
Reportagem da Semana (07.12.2008) do Domingo  Espetacular  da  TV Record.
(A divulgação deste vídeo tem por objetivo alertar as pessoas para o perigo dos ralos de piscinas que se instalados de forma irregular, podem prender embaixo dágua, matar ou deixar uma pessoa em coma. No caso de Flavia, ela ficou presa ao ralo pelos cabelos. Este é portanto, um vídeo de utilidade pública)

Também para relembrar, os réus do processo de Flavia são:
JACUZZI DO BRASIL – fabricante que vendeu o ralo sem adequada orientação técnica ao consumidor,(condomínio) quanto ao potenciais riscos de seu produto caso fosse instalado de forma inaquedaqua. Por exemplo superdimensionado. Foi o superdimensionamento do ralo a causa determinante do acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível.

CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI - Av.Juriti,541 - Moema - São Paulo, prédio onde morávamos e onde ocorreu o acidente com Flavia. Substituiu - sem orientação técnica - o equipamento de sucção da piscina. O motor de potência de 0,50 cavalos foi substituído por outro de 1,50 cavalos com potência superior em 78% o que deixou o equipamento superdimensionado e fora dos padrões de segurança, conforme perícia técnica anexada aos autos do processo de Flavia.

AGF BRASIL SEGUROS. – Seguradora do Condomínio. Não pagou, quando por mim solicitada, o seguro de responsabilidade civil existente no condomínio, vindo a fazê-lo 1 ano e 11 meses após, mediante ordem judicial mas sem juros nem correção monetária

São muitas as mortes causadas por ralos de piscinas, muitas delas documentadas neste blog. No vídeo acima, apenas alguns exemplos desses acidentes que infelizmente, tendem a continuar se a IMPUNIDADE também persistir.

Meu advogado, Dr.José Rubens Machado de Campos esteve em Brasília e me confirmou que o julgamento do processo de Flavia, vai mesmo ter início no próximo dia 03 de março. Mas Dr. José Rubens me adiantou sobre a possibilidade do julgamento não ser concluído no mesmo dia, se algum dos ministros julgadores pedir para examinar o processo.

Quero agradecer a todas as manifestações de apoio e solidariedade do Brasil e do exterior, para comigo e Flavia, neste momento que se aproxima a sentença há mais de 10 anos por nós esperada. Que os senhores ministros possam ter a mente e o coração iluminados para julgar este processo.

Que o acidente ocorrido com Flavia possa servir de alerta para todos. Que sirva de alerta para pais, mães, avós.... para que saibam do perigo existente nos ralos de piscinas. Que o acidente ocorrido com Flavia, sirva de alerta para Clubes, Parques Aquáticos, Motéis, Condomínios e Empresas Fabricantes de sistemas de sucção de piscinas, para que se conscientizem da necessidade de devidamente orientar e informar seus clientes sobre o potencial risco de seus produtos, caso venham a ser instalados e mantidos de forma inadequada. Que ninguém mais morra ou fique em coma por acidentes causados por ralos de piscinas funcionando de forma irregular.

E que após o julgamento do processo de Flavia pelos senhores ministros de justiça, eu e Flavia possamos finalmente descansar desta longa e dolorosa luta por justiça, sabendo que apesar de nossas vidas destroçadas, nossa cidadania foi plenamente exercida e nossos direitos totalmente respeitados. Que assim seja. Amém.

Transcrevo aqui alguns textos de solidariedade que li em blogs do Brasil e do exterior, que estão divulgando o julgamento do processo de Flavia lá em Brasília.

DO BLOG LUZ DE LUMA – Brasil
“Luma, já comentei até com a Odele, o problema da Flavia vira e mexe aparece aqui nos Estados Unidos. Mesmo que em canais brasileiros, o importante é divulgar, já que muitas pessoas de outras nacionalidades assistem estas TVs. Tem que dar certo, vai dar certo este julgamento””

Todoyda – (Estados Unidos) Sexta Feira, 27 de Fevereiro de 2009 – 11:59:00 PM
“Estou torcendo para que esse assunto se encerre agora. E que seja feita justiça, mesmo depois de tantos anos”.

Cejunior – (Brasil) Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009 – 11:28:00 PM
“Finalmente. Esperemos que Deus ilumine os juízes e que se faça efectivamente justiça”

 Elvira Carvalho – ( Portugal) Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009 – 07:53:00 PM
“Que Deus ilumine os homens que realizarão os trabalhos e que Flávia e Odele recebam finalmente o auxílio de que necessitam para o tratamento. E que os irresponsáveis sejam punidos e toda sociedade testemunha de que a impunidade não é uma força indestrutível neste país.”

Denise Rangel – (Brasil) - February 28th, 2009
“O que uma mãe pode esperar da Justiça deste país?
Uma indenização decente para que possa dar uma vida digna que o caso em questão exige. Nada mais justo, uma vez que o caso de sua filha é irreversível. Mas dinheiro algum poderá trazer de volta o sorriso de Flávia,seus sonhos desfeitos, sua infância interrompida, sua juventude perdida, quando, aos dez anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo ralo da piscina do condomínio em que morava, em Moema, São Paulo, e que provocou o coma no qual vive há dez anos.”

Denise Rangel – transcrição parcial do texto “Uma Vida Digna para Flavia,” da Blogagem Coletiva em prol de JUSTIÇA PARA FLAVIA, feita em 15 de Setembro de 2008, com a participação de mais de 250 blogs de vários países."

"Esperemos que os senhores juízes saibam ver que justiça, a verdadeira JUSTIÇA, é muito mais do que cingirem-se simplesmente à letra da lei já que esta, necessariamente genérica e limitada, não pode, em rigor, quantificar a dimensão de um crime de irresponsabilidade, que priva uma criança de viver, condenando-a perpetuamente ao "coma".
J.VITOR SILVA – PORTUGAL no post “Brasilia, Superior Tribunal de Justiça”

Segurança nas piscinas: Orientação e informação adequadas podem salvar vidas

- 23 de fevereiro de 2009
Pelo que tem sido documentado e mostrado neste blog, os acidentes causados por ralos de piscinas são devastadores e têm feito muitas vítimas, a maioria vítimas fatais, notadamente crianças.

Nos nove anos em que o processo de Flavia ficou na justiça paulista, na segunda instância, infelizmente a ação foi julgada improcedente no que toca a responsabilidade da JACUZZI DO BRASIL, fabricante do sistema de sucção instalado na piscina que sugou os cabelos de Flavia. Segundo o Tribunal de São Paulo, a empresa Jacuzzi não teria o dever de informar aos consumidores os efeitos do equipamento superdimensionado. Tanto o condomíno quanto a Jacuzzi, em seus argumentos me co-responsabilizam pelo acidente com Flavia, por eu não estar próxima à minha filha no momento em que o ralo lhe sugou os cabelos. Infelizmente, os juizes que julgaram o processo de Flavia em segunda instância aqui em São Paulo, aceitaram esses argumentos dos réus e me co-responsabilizaram pelo acidente com minha filha. Os juizes de São Paulo, condenaram o condomínio mas julgaram improcedente a culpa da Jacuzzi. Lá em Brasilia, em última instância, tento tirar de mim a absurda co-responsabilidade que me foi atribuida pelo acidente e, além do Condomínio Jardim da Juriti, co-responsabilizar a empresa JACUZZI DO BRASIL pelo graves danos infligidos à Flavia - por falta de suficiente informação sobre a periculosidade de seu produto caso fosse instalado de forma inadequada, por exemplo, em desproporção com o tamanho da piscina.

No momento do acidente, além de Flavia, dentro da piscina estavam três adolescentes de 14 e 15 anos, que de costas para ela, não se deram conta que presa ao ralo pelos cabelos, Flavia se afogava atrás deles. Se o sistema de sucção estiver funcionando de forma irregular, não importa quantas pessoas estejam dentro da piscina, o acidente poderá ocorrer. Temos visto pelos acidentes causados por ralos de piscinas ocorrridos após o caso de Flavia e aqui documentados, todos com outras pessoas dentro da piscina além da vítima, que se o sistema de sucção da piscina estiver com problemas, basta a pessoa se aproximar do ralo para que em segundos, cabelos ou partes de seu corpo (braço, perna, intestino...) sejam sugados, não importando a presença de outras pessoas dentro da piscina. Estas, nem se aperceberão da tragédia acontecendo ao lado ou atrás de si, tamanha é a rapidez e a força com que a sucção ocorre, além do inusitado da situação. Digam-me por favor, antes de saber do caso de Flavia algum de vocês tinha consciência de que ralos de piscinas podem prender embaixo dágua, afogar, matar ou deixar pessoas em coma?!

Por isso é que defendo que os fabricantes de sistemas de sucção de piscinas, TÊM SIM a OBRIGAÇAO de alertar em seus manuais, folhetos e embalagens - de forma chamativa – em cores vibrantes e letras graúdas- sobre a periculosidade de seus produtos, caso venham a ser instalados de forma inadequada, por exemplo superdimensionados, como foi instalado o ralo que sugou os cabelos de Flavia, superdimensionamento este devidamente comprovado por perícia técnica anexada ao autos deste longo e penoso processo. Há mais de 10 anos Flavia espera por justiça.

Não será demais - nunca será demais - que os fabricantes de sistemas de sucção de piscinas tenham como prioridade informar aos seus clientes sobre o potencial risco de seus produtos, caso sejam instalados em desacordo com a orientação do fabricante. Essas Informações poderão significar a diferença entre a vida e a morte de uma pessoa.

Até o próximo post.

Minha luta contra um gigante: Jacuzzi do Brasil

- 17 de novembro de 2008
A história de Flavia, sinônimo de NEGLIGÊNCIA e IMPUNIDADE, já caminha para 11 anos. – 10 de luta na Justiça para ver respeitados os direitos de minha filha. Infelizmente até agora minha luta tem sido quase inglória, já que a lentidão e a burocracia jurídica de meu país, têm impedido uma sentença à altura da gravidade do acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível. Mesmo assim, desde o dia em que dei início a esta batalha judicial, assumi perante a mim mesma, o compromisso de manter-me sempre fiel ao relato dos fatos e totalmente comprometida com a verdade. Mas esta não foi a postura dos réus. Enquanto escrevo este post tenho em mãos cópia de um dos vários recursos apresentados pelo Condomínio Edifício Jardim da Juriti. Eis algumas das colocações do documento que transcrevo na cor azul :

“... em que pese a inafastável dor e lamento geral pelas seqüelas sofridas pela menor recorrida, é necessário que se analise o caso sob a ótica puramente processual e legal, o que levará a inexorável conclusão de que o condomínio recorrente não contribuiu direta ou indiretamente com o infeliz desfecho, ocorrido, lamentavelmente, pelo desleixo da própria mãe.
"...a mãe da menor foi relapsa ao deixar a menor impúbere, nadando sozinha na piscina....”

Como tenho repetido em posts anteriores, Flavia NÃO estava sozinha na piscina, mas acompanhada de três adolescentes: Um de 14 anos ( irmão de Flavia) e outros dois adolescentes de 15 anos (amigos.)

“..o acidente ocorreu em virtude da não observância do dever de guarda e vigilância da mãe (...) Além disso, houve culpa da própria vítima, ao nadar após a ingestão de alimentos sem a necessária touca e de provavelmente brincar junto ao ralo da piscina”-

 Flavia NÃO ingeriu alimentos antes de entrar na piscina.
- Culpa da própria Flavia ?!
- Então não se podia brincar junto ao ralo da piscina? Como assim?! Flavia teria que saber que deveria ficar longe do ralo?!

“Se existiu responsabilidade com relação ao motor da piscina...não há como inocentar a Jacuzzi. Com efeito, o condomínio.... no desempenho da administração dos interesses de todos...procedeu a troca do motor, não para haver algum ganho, mas porque assim foi orientada na loja”.
“O manual de instruções da Jacuzzi, ao contrário do que determina a Lei 8.078/90, não contém informações nem advertências, quanto a potência, riscos, etc. fazendo iludir o consumidor (Condomínio) a adquirir um equipamento mais caro, justamente pela total falta de informações adequadas”
“...não há como se afastar a responsabilidade do fabricante da bomba, a Jacuzzi, a qual não orientou corretamente seu cliente, consumidor, nem ao público geral."

O Condomínio para se defender, falta com a verdade quando se refere à mim e à Flavia. Mas confirma que trocou o equipamento e diz que foi conforme orientação da loja. (Jacuzzi). Então aqui, o Condomínio reconhece a culpa da Jacuzzi, mas quer isentar-se e me coloca como co-responsável pelo acidente, o que infelizmente acabou sendo acatado pela juíza Fernanda Gomes Camacho, que deu a sentença à qual estou recorrendo em última instância.

Já me perguntei inúmeras vezes: Se o Condomínio admite que trocou o equipamento orientado pela empresa fabricante do ralo, admitindo também que o manual da JACUZZI não continha as informações necessárias à instalação do equipamento, por que então não se voltou contra esta empresa em vez de se voltar contra mim, mãe de Flavia?! Esta sempre foi a tática de defesa do Condomínio: Botar a culpa em mim, e o pior, faltar com a verdade dos fatos. E com isto conseguiu que a juíza condenasse a ele, condomínio e me colocasse como co-responsável pelo acidente com Flavia, isentando a Jacuzzi de qualquer culpa. Por todos os motivos por mim alegados no processo de Flavia que são os mesmos aqui mencionados pelo Condomínio: Falta de suficiente informação no manual da Jacuzzi sobre os perigos de um sistema de sucção instalado de forma inadequada, no meu entender, isenta de culpa a Jacuzzi não é mesmo, e por isso continuo lutando por sua condenação. Mas até agora, nenhum juiz ou ministro concordou com a culpa da Jacuzzi. E a completa justiça para Flavia, só depende deles.

Semna de 17 a 23 de Novembro - Posts sobre a história de Flavia nos blogs:
Verdinha - Portugal, Avesso do Avesso - Brasil

Muito obrigada e até o próximo post.

A escuridão do estado de coma e a luz de Flavia

- 14 de outubro de 2008
Sou muito agradecida a todos que escrevem sobre Flavia e sua longa história de dor e sofrimento, sinônimo de NEGLIGÊNCIA e IMPUNIDADE neste nosso Brasil. Quanto mais pessoas souberem da história de Flavia, mais pessoas ficarão sabendo que ralos de piscinas, se mal vendidos e mal instalados, podem oferecer perigo os seus usuários. Quanto mais pessoas souberem da história de Flavia, mais pessoas poderão estar se conscientizando de que não devemos nos calar diante de negligências e injustiças praticadas contra nós ou contra nossos entes queridos. É preciso exercer a nossa cidadania, mesmo que isto nos custe uma exposição por vezes, dolorosa.

Alguns textos publicados sobre Flavia, me emocionam. Este aqui é um exemplo. Participando da Blogagem Coletiva de Flavia, no dia 15 de Setembro de 2008, Betty publicou o texto e o vídeo abaixo. E ao ouvir a música do vídeo e ao prestar atenção à letra, eu me sinto mesmo como se estivesse cantando para Flavia. "Através da escuridão filha, posso ver a sua luz... "

O texto de Betty:

"Hoje, mais uma vez blogueiros se reúnem para clamar por justiça. Em janeiro de 1998, Flavia teve seus cabelos sugados pelo ralo da piscina do condomínio onde vivia com a mãe, Odele, e o irmão mais velho Fernando. A menina, então com 10 anos, ficou submersa por vários minutos, teve parada cardio-respiratória, jamais se recuperou, e vive em coma vigil até hoje, estado considerado irreversível pelos médicos que a tratam.Odele processou os co-responsáveis por essa tragédia: JACUZI DO BRASIL, AGF BRASIL SEGUROS, CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI.

A despeito das provas periciais constantes dos autos, que demonstram claramente a culpa de cada um dos réus, estes têm se valido de todos os recursos existentes em nossa legislação processual para escaparem de suas respectivas responsabildades.Atualmente o processo encontra-se no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, aguardando a decisão, em última instância, do Ministro Carlos Fernando Mathias.Dez anos esperando por justiça... Flavia e Odele esperando, esperando...Que a justiça se faça, que os réus sejam condenados a suprir todas as despesas necessárias para que Flavia tenha a melhor qualidade de vida possível, mesmo sendo isso um nada diante do tudo que lhe foi roubado. Nenhum valor irá ressarcir tanta dor, tanto sofrimento, não há o que pague uma vida roubada.

De Flavia roubaram parte da infância, anos de juventude, sorrisos, sonhos, até lágrimas de amor que não viveu. Nesses dez anos que permanece adormecida, aconteceram tantas coisas que ela não pôde saber, das quais não participou, com as quais não se emocionou, presa num sono indecifrável, esse mistério que chamam de coma.Para você, Odele, deixo uma canção que sempre me faz lembrar de você e da Flavia. Quando a ouço, é como se visse você cantando para ela... "


I look up to
Everything you are
In my eyes you do no wrong
I've loved you for so long
And after all is said and done
You're still you

After all
You're still you
You walk past me
I can feel your pain
Time changes everything
One truth always stays the same
You're still you
After all
You're still you

I look up to
Everything you are
In my eyes you do no wrong
And I believe in you
Although you never asked me to
I will remember you
And what life put you through
And in this cruel and lonely world
I found one love
You're still you
After all
You're still you

Muito obrigada Betty por sua delicadeza e sensibilidade.
Muito obrigada a vocês por continarem a passar por aqui a ler, a comentar meus posts e a acompanhar esta minha luta - que já sinto nossa - por JUSTIÇA PARA FLAVIA!

Até o próximo post.

UMA PONTE DE AMOR COM O MUNDO

- 19 de setembro de 2008
Photobucket
PONTE JK - BRASÍLIA
Desenho de autoria de Adesenhar - Portugal

Este é um texto de agradecimento a todos vocês que participaram da Blogagem Coletiva JUSTIÇA PARA FLAVIA.

Mais de 250 blogs do Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, Porto Rico, Peru, Chile, Holanda, Inglaterra, Suécia e outros países se juntaram a mim e à Flavia no dia 15 de Setembro para protestar contra a lentidão da justiça brasileira em condenar os culpados pelo acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível, e que me tem presa a esta batalha judicial já por quase 10 anos, tempo em que minha filha, de menina se transformou em mulher, enquanto aguarda – em coma – por uma indenização digna e adequada para fazer frente a todas as despesas que sua condição especial exige.

Que os réus do processo de Flavia, JACUZZI DO BRASIL, CONDOMINIO JARDIM DA JURITI e AGF BRASIL SEGUROS, assim como a lenta justiça brasileira, saibam que eu e Flavia não estamos mais sozinhas nesta luta. O mundo está conosco.

Pelo tanto que me ajudaram nesta Blogagem, quero deixar aqui um agradecimento especial para meus amigos:
António do blog Peciscas – Portugal
Autor do blog Adesenhar – Portugal
Isabel Filipe do blog Art & Design – Portugal
Lucy Lacey do blog Hippos – Estados Unidos.

Muito obrigada também a todas as pessoas que além de participarem, divulgaram a Blogagem Coletiva de Flavia e convidaram seus amigos a participar também, criando assim uma PONTE entre nós e uma grande corrente de SOLIDARIEDADE em torno de Flavia.


Nota Importante: Peço desculpas por não ter conseguido linkar todos os blogs que participaram desta Blogagem Coletiva. Acreditem, ainda mais blogs participaram. Após ter linkado mais de 150 blogs sem problemas, passei a ter dificuldades, ainda não sei se com o Google ou com o Blogger, mas o fato é que os links que eu incluía não ficavam gravados no post. E tive muito retrabalho por causa disso, motivo pelo qual não me foi possível ter aqui linkados, todos os blogs que prestigiaram a Blogagem de Flavia. No entanto, estou à disposição para seguir incluindo, na medida do possível, os blogs que pelo motivo mencionado, não consegui linkar.

MUITO OBRIGADA e até o próximo post.

JUSTIÇA PARA FLAVIA !

- 5 de agosto de 2008
Photobucket

Este selo, feito pelo autor do blog Adesenhar, de Portugal, é a convocação para a Blogagem Coletiva para Flavia, programada para o dia 15 de Setembro de 2008, cujo tema será JUSTIÇA PARA FLAVIA. (como está escrito no selo de adesão)

Para participar, copie o código do selo ao lado que melhor se ajuste ao layout de seu blog e mantenha-o no seu sidebar. No dia da Blogagem transfira o selo para o início de seu post e escreva algo relacionado ao tema. Se preferir, copie na integra ou parcialmente um dos posts que estarei escrevendo nos próximos dias.Nesse caso, por favor, mencione que o texto é meu. Peço que por gentileza não usem termos inadequados ou ofensivos aos réus e juizes.

Os réus do processo pelo acidente causado à  Flavia são :

JACUZZI DO BRASIL – fabricante que vendeu o ralo sem orientação técnica quanto à correta relação de proporção entre o equipamento de sucção e o tamanho da piscina onde foi instalado..

CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI - Av.Juriti,541 - Moema - São Paulo
Substituiu - sem orientação técnica - o equipamento de sucção da piscina. O motor de potência de 0,50 cavalos foi substituído por outro de 1,50 cavalos com potência superior em 78% o que deixou o equipamento superdimensionado e fora dos padrões de segurança, conforme perícia técnica anexada aos autos do processo de Flavia.

AGF BRASIL SEGUROS. – Seguradora do Condomínio.
Não pagou, quando por mim solicitada, o seguro de responsabilidade civil existente no condomínio, vindo a fazê-lo 1 ano e 11 meses após, mediante ordem judicial mas sem juros nem correção monetária.
quase dez anos, dei entrada na Justiça Paulista no processo de indenização por perdas e danos morais pelo acidente causado à Flavia.quase dez anos, luto na justiça pela condenação dos culpados. Até hoje os réus seguem impunes, e Flavia, já com 20 anos, segue vivendo sem a proteção que deveria - de imediato - lhe ter sido dada pela justiça que de tão lenta se torna uma justiça injusta.

Durante esses todos esses anos de batalha judicial, o processo de Flavia teve dois julgamentos. Em ambos nos foram concedidas indenizações de valores irrizórios, ínfimos, podendo mesmo serem considerados aviltantes, tendo em vista as gravíssimas sequelas que este acidente - causado por negligência de terceiros - deixou em Flavia. (*) Em novo e último recurso solicito à justiça, - agora em Brasília - indenização de valor adequado à gravidade deste acidente, para que Flavia possa ser cuidada - pelo resto de sua vida - com os recursos de que necessita para ter uma sobrevida digna. Há mais de um ano, o processo de Flavia teve autorização da justiça paulista para ser julgado em Brasília, em última instância. Há mais de três meses, essa decisão saiu publicada no Diário Oficial de São Paulo. Somente dia 14 de Julho de 2008, o processo de Flavia saiu do Tribunal de Justiça de São Paulo rumo ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília. E lá, não sabemos por quantos anos ainda permanecerá.

Solicito sua adesão a esta Blogagem Coletiva. A união dos blogs em torno de um tema nos torna - a todos - mais fortes. Vamos juntos, escrever sobre a lentidão da justiça no julgamento de processos judiciais, deixando vítimas de acidentes graves, esperando por anos a fio pela punição dos culpados e por uma indenização coerente e condizente com a gravidade do dano que lhes foi causado. Vamos protestar contra essa lentidão, não só no Brasil, mas também nos países em que a justiça seja lenta. Somos todos irmãos.

(*) Nos dois julgamentos a indenização concedida pelos juizes de São Paulo foi em torno de 100 mil reais.

Confirmaram adesão à Blogagem Coletiva de Flavia, até agora: 89 blogs.
A Fotografia - Portugal
A Mulher e a Poesia - Portugal
Abrindo Janelas - Brasil
Adesenhar - Portugal
Àguas da Vida - Italia
Anamarta - Portugal
Aquarelas de Turner - Portugal
Arnaldo Trindade - Brasil
Arte Autismo - Brasil
Arte Decorativa - Portugal
As Minhas Romãs - Portugal
Ave Sem Asas - Portugal
A Voz do Povo - Portugal
eezzblog - Portugal
Betty - Brasil
Blog do Nicholas - Brasil
Blog do Ronald - Brasil
Bordados da léa - Brasil
Bloguices - Portugal
Brancamar - Portugal
Cala-te a Boca - Brasil
Campo em Flor - Portugal
Cartoons 3D - Portugal
Claudia Pit - Brasil
Clinica da Palavra - Brasil
Comadres, Compadres & Companhia - Portugal
Compartilhando Letras - Brasil
Criancices - Portugal
D.Antónia Ferreirinha - Portugal
Drica Campos - Suiça
E algo se perdeu...
Em Construção - Brasil
Encanto de Renascer - Brasil
Eu e o Renascer das Cinzas - Suecia
Eufeminismos - Brasil
Escrivinhações - Brasil
Falares - Brasil
Fernando Nerú - Perú
Flainando na Web - Brasil
ForEver Pemba - Brasil
Gente Sem Saúde - Brasil
Guiga - Portugal
Hippos - Estados Unidos
Instantes da Vida - Portugal
Isabel Filipe Art & Design - Portugal
JabuticabaBrasil - Brasil
Jardim Meu - Portugal
Je Vois la Vie en Vert - Portugal
Lavanderia Virtual - Brasil
Le Chemin du Retour - Suiça
Leio o Mundo Assim...- Brasil
Livro D'Agua - Portugal
Luz de Luma - Brasil
Mar Re Volto - Portugal
Minha Arte - Brasil
Minhas Leituras - Brasil
Moendo Café - Portugal
Neurônio Frito - Brasil
Nuno de Souza - Portugal
O Mundo é Pequeno - Portugal
O Vento Contra a Cara - Portugal
Ondas de Reflexos - Portugal
Oscar Luiz - Brasil
Paço das Artes - Portugal
Palomas de Papel - Argentina
Para Peques - Jorge e Lucia - Espanha
Peciscas - Portugal
Pensamientos JFS Senovilla - Espanha
Recalcitrante - Portugal
Rei dos Leitões - Portugal.
Reina Sophia - Brasil
Revoadas - Brasil
Rosa 147 - Brasil
são - Portugal
Sexta-feira - Portugal
Sidadania - Portugal
Sidadania II - Portugal
Silêncio Culpado - Portugal
Sol Poente - Portugal
Sombras de Mim - Portugal
Tutti Sogetto - Portugal
Um Poema de Vez em Quando - Portugal
Uma Nova Cubata - Portugal
Valores Portugueses - Portugal
Valsa Lenta - Portugal
Webclub - Portugal
Xis-Tudo - Brasil
Zé Povinho - Portugal

Flavia, sorriso roubado

- 14 de julho de 2008
Flavia está com 20 anos, 10 passados em coma vigil. Como já expliquei em posts anteriores, no coma vigil a pessoa abre os olhos durante o dia e os fecha à noite para dormir, mas está em coma. Não interage com o meio ambiente e é dependente de todos pra tudo. É assim que está Flavia. Aquele sorriso lindo, gaiato, que ela ostentava em todas as fotos, lhe foi roubado há 10 anos. Os culpados? Seguem na IMPUNIDADE, enquanto a justiça segue em sua habitual LENTIDÃO, e com isto, acaba por beneficiar os réus e punir a vítima. Flavia.
O poema deste post foi escrito para Flavia, por Ana Martins, autora do blog AVE SEM ASAS, de Portugal. Ana também é colaboradora do blog português, A VOZ DO POVO. Ana, já li inúmeras vezes seu lindo poema para Flavia. Vou ler muitas vezes mais. As palavras Ana, aquelas de amor e afeto, de apoio, de solidariedade, se não nos tiram as dores, certamente as tornam mais suportáveis. É como você diz aqui: As palavras "libertam o inconformismo".

Inconformismo é o que sinto por ver Flavia vivendo à margem da vida, inconformismo por ver que os "predadores dos sonhos de Flavia" vêm se esquivando há mais de 9 anos, de suas responsabilidades e apresentando recursos e mais recursos ao processo judicial que movi contra eles, com a clara intenção de ganhar tempo e fazer com que o acidente que roubou a vida saudável e o sorriso de Flavia, caia no esquecimento. Mas é também este inconformismo que me move - apesar de nossa lenta justiça - a continuar lutando pelos direitos de Flavia e pela condenação exemplar da empresa JACUZZI DO BRASIL, AGF BRASIL SEGUROS e CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI.(Av.Juriti, 541 - Moema - São Paulo), os réus do processo de Flavia.

EU SEI FLAVIA.

Eu sei Flavia,
Que as palavras
São desabafos,
Estados de alma
Transcritos, aliviados.

Eu sei Flávia
Que as palavras
Não tiram as dores,
Não são remédios do corpo
Mas acalmam o espírito
E embalam o sono.
Eu sei Flávia
Que com palavras
Não te posso curar
Mas liberto o meu inconformismo,
Tento aclamar por Justiça
Talvez minimize a tua dor interior,
Dê mais sentido à tua vida.

Eu sei Flávia
Que os predadores dos teus sonhos,
Aqueles que te roubaram o sorriso,
Os fundadores do teu sofrimento,
Tentam omitir seus erros,
Sonham apressar o tempo,
Calar a voz da razão,
Implantar o esquecimento.

Mas também sei Flávia
Que as palavras
Estremecem a alma e a mente,
Dão mais calor à vida,
Transportam emoções
Encorajam-nos, dão-nos força
E elegem razões.

E é por isso Flávia
Que não podemos desistir
E acredito que um dia
Justiça se fará
E a tua história
Não mais morrerá.

Para Flávia, a menina que do outro lado do oceano,conquistou o meu coração.
Escrito a 2 de Julho de 2008

Ana, MUITO OBRIGADA por este poema para Flavia- tão bonito e tão verdadeiro.

Aos nossos leitores o nosso muito obrigada pela visita, pela atenção, pela divulgação.

Até o próximo post.

Flavia: Vida roubada, indiferença dos réus e lentidão da justiça

- 1 de junho de 2008
Nota: Saiu uma reportagem sobre a história de Flavia  - A Longa espera de uma mãe por justiça em SP -  no jornal "O Globo" de hoje, 01.06.2008. Reportagem de Tatiana Farah.

Algumas vezes faço questão de dar uma pausa no que venho escrevendo sobre o acidente ocorrido com Flavia, para publicar o que outras pessoas escrevem sobre a história de minha filha. São textos que refletem indignação com a lentidão da justiça, em condenar os culpados por este acidente que destruiu a vida de Flavia, e que foi causado por pura negligência do CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI e da empresa JACUZZI DO BRASIL, fabricante do ralo da piscina que sugou os cabelos de Flavia. Como eu já disse, esta minha afirmação está baseada no laudo pericial anexado aos autos do processo que há mais de 9 anos deu entrada na justiça paulista. No laudo está escrito que o ralo estava superdimensionado para o tamanho da piscina e com força de sucção superior em 78% ao que seria adequado.

No momento, aguardo ainda que o recurso onde solicito uma indenização coerente com a gravidade do acidente com Flavia, chegue ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília, onde será julgado em última instância. Uma das causas da demora do processo chegar à Brasília tem sido os constantes agravos que os réus vêm apresentando na justiça, com a clara intenção de atrasar ainda mais a chegada do processo de Flavia à Brasília. Falham os réus, que com sua atitude de indiferença com o destino de Flavia, mostram que estão mais preocupados com dinheiro do que com uma vida humana. Falha a justiça que por ser tão lenta beneficia os réus e pune a vítima, Flavia, que há mais de 9 anos espera - em coma - pela condenação dos culpados por esse acidente que lhe destruiu a vida.

O texto abaixo foi escrito por Désirée, do blog Vento, Ventania. no post de 03/04/2008.
"Ontem, passeando pelos meus blogs favoritos, cheguei ao blog da Flavia.
Este blog é uma homenagem de uma ..... Da. Odele, a sua filha Flavia, que está em coma há 10 anos após afogar-se na piscina do prédio onde morava porque seus cabelos ficaram presos no ralo da piscina. O blog assume uma função social de alerta para o risco dos ralos de piscina e mostra que tal fatalidade é mais comum do que podemos imaginar.

O que mais me impressionou foi o amor incondicional e a perseverança desta mãe com um poder judiciário injusto, míope e lento. Vi solidariedade surgindo por todos os lados, mas encontrei também traços de perversidade e indiferença, que muito nobremente esta mãe soube superar.

Meu Deus, este blog teve o efeito de uma bofetada para mim! Fiz questão de ler todos os posts, mesmo estando atrasada com meus estudos, e um tempo depois, me senti um pouco mal. Acho que minha pressão caiu...
Dei uma pausa, deitei, mas a história de Flavia e Da. Odele não saiu da minha cabeça: Flavia, entrou em coma aos 10 anos. Hoje está com 20!!!!!

Quanta coisa foi subtraída da vida desta menina!
... a primeira menstruação;
... o garoto bonitinho;
... aquela roupa linda, aquele sapatinho boneca e o batom;
... o primeiro beijo, o primeiro namorado!!!!
... as fofocas com as amigas no telefone, cinema, pipoca e sorvete no shopping
... a escolha do vestido de 15 anos;
... o boletim, as provas, passar de ano;
... o stress do vestibular, do que-vou-ser-quando-crescer
... os torras da mãe, a hora marcada prá chegar;
... baladas, passeios, novidades...
... enfim, a vida foi roubada da Flavia.

Como a justiça e os executivos da Jacuzzi puderam ficar indiferentes a isso??? Acordar uma indenização de 100 mil para a Da. Odele cuidar de sua pequena por toda a vida???
Hoje, Da. Odele amarga há 10 anos entre tribunais, advogados e toda parafernália judiciária, para ter direito a uma indenização digna, jamais justa, porque nada substitui o sorriso de Flavia... Alguém por favor me explique, porque eu não consigo entender! E estamos aí, vivendo dia após dia, acreditando que este país tem jeito, que a justiça tarda, mas não falha..."

Désirée mudou de endereço e o nome de seu blog agora é Revoadas.
Obrigada por este texto Désirée. Do que você escreveu, suprimi apenas uma palavra: "supermãe", porque infelizmente não sou. Mas como eu gostaria de ser uma supermãe e ter superpoderes para tirar de Flavia todo o sofrimento e lhe devolver ....enfim, a vida que lhe foi roubada.

Até o próximo post.

Indignação coletiva. Por minha Flavia e por todas as outras

- 17 de maio de 2008
Os blogs possibilitam uma interação fantástica entre as pessoas, e isto faz deles um recurso de comunicação bastante útil e dinâmico. No caso do acidente há 10 anos ocorrido com Flavia, venho tentando a mídia convencional, sem sucesso. A mídia serviria para jogar luz em cima da história de Flavia, para alertar sobre o perigo dos ralos de piscinas e para relembrar este caso de negligência e impunidade que os responsáveis, CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI e a empresa de sistemas de sucção de piscinas JACUZZI DO BRASIL, têm todo o interesse que seja esquecido. Mas a mídia convencional está longe de cumprir o seu papel social. Não está interessada em fazer follow up do que já foi um dia notícia, a mídia convencional está interessada isto sim, em mostrar à exaustão o que aconteceu recentemente, porque é isto que lhe dá audiência, e vende jornais e revistas. Isto não é apenas um desabafo de minha parte, mas é também uma constatação.

Tenho feito contato com jornais, revistas, TVs e sei que algumas amigas jornalistas também têm me ajudado, no sentido de buscar mídia para o caso de Flavia, na tentativa de lhe dar visibilidade e assim quem sabe, possamos chamar a atenção das autoridades jurídicas de nosso país, para esta situação de absurda lentidão da justiça brasileira em condenar - de forma exemplar e não simbólica como já o fez - os culpados pelo acidente ocorrido com Flavia, e que há 10 anos a mantém imóvel, inconsciente e à margem da vida.

Mas se a mídia convencional não tem mostrado interesse em divulgar o caso de Flavia, o mesmo não acontece com os blogs que têm se mostrado solidários e dispostos a não deixar que o acidente que devastou a vida de minha filha caia no esquecimento. Em agradecimento às pessoas que interagem comigo através do blog de Flavia, a partir deste post e sempre que se justificar, passarei a reproduzir comentários dos leitores de Flavia, com a intenção de mostrar exatamente essa interação existente entre os blogs e que nos anima a continuar a escrever e a passar nossa mensagem. E aqui no caso deste blog, os comentários mostram também que esta indignação pelo desrespeito aos direitos humanos de Flavia, não é só minha, mas é sim, uma indignação coletiva.

E sabemos, pelo que vem sendo documentado neste blog, que outras pessoas além de Flavia foram vítimas de acidentes com ralos de piscinas, acontecidos em todo o mundo, muitos desses acidentes fatais. Como estarão hoje as vítimas que sobreviveram a esses ralos sugadores? E quanto aos responsáveis por esses acidentes, quem sabe deles? Foram punidos....? Sem a mídia, não há como sabermos. Melhor pra eles.

Comentário deixado no post do dia 20 de Fevereiro de 2008.
QUE O BLOG DE FLAVIA NÃO SAIA DE SUA CABEÇA.
(a Débora não deixou link para blog)
Debora disse...
Dez anos se passaram e nunca ninguém faz nada?! Ao entrar aqui me lembrei de ter lido ou ouvido reportagens sobre o fato mais jamais iria imaginar q após tanto tempo a justiça ainda não tivesse sido feita, sei o qto eh dificil cuidar de um filho especial pois tenho uma , mas não consigo imaginar o tamanho de sua dor por ver uma menina linda cheia de vida hoje vivendo em coma,.....me emociono com a luta q vc trava diariamente para mostrar ao mundo o perigo das piscinas e a irresponsabilidade de certos fabricantes. ...cadê a Justiça desse pais? Qtas outras mães terão q derramar lágrimas e se juntar a esse grito para q se tomem alguma atitude.... Flavia quer com certeza e sim q nos juntemos ao um grito de uma só voz, chega q se faça a justiça q se punam os culpados há dez anos foi Flavia depois vieram outras flavias e nada foi feito!!!Foi mais um caso esquecido?AAhhh !!! Não era filha de nenhum politico, nenhum magistrado? .... Desculpa se me alonguei mais me revoltei e com certeza não eh para menos.....
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Comentário feito no post do dia 09 de Março de 2008.
DESTINO: BRASILIA, NOVE ANOS DEPOIS.
(Fazendo referência à frase final de meu post de que o processo de Flavia, mesmo tendo ficado nove anos na justiça paulista, lá em Brasília, para onde está seguindo, poderá ainda ficar mais alguns anos até a decisão final.)
betty mello disse...
Queridas: Infelizmente não me surpreende esta "frase final"...Mas acho que vc não tem outra opção mesmo (pelo aspecto financeiro, emocional, moral, etc...) Parece que são todos feitos de PLÁSTICO !!! Não têm sentimentos, família, princípios, NADA ! Será que a atitude seria a mesma se o sobrenome de vocês fosse outro, "mais interessante ou mais expressivo "? Com certeza que não !
Se tivessem amiguinhos espalhados pelos "lugares chave" do governo/partidos/país/ da mídia o tratamento, a atenção e o empenho/interesse dedicados seriam os mesmos ? Certamente que não !

A lentidão, o desinteresse, o adiamento, a insensibilidade são as diferentes facetas da injustiça que reina no nosso país, e que acarretam "catástrofes sociais" cujas dimensões ninguém se dá ao trabalho de analisar. Tenho vergonha de ser brasileira nestes momentos, de me sentir amarrada, impossibilitada de ajudar, de convencer, de transformar tudo isso - que já é péssimo, horrível, absurdo e totalmente desnecessário - e que poderia ser resolvido com apenas uma gotinha de humanidade, de compaixão (no sentido etimológico da palavra mesmo, e não como "pena ou dó"), de RESPEITO, de DIGNIDADE.
De que natureza são estas pessoas que insistem em "adiar", em se "des-responsabilizar" por uma decisão tão óbvia...
....Confio que a Justiça Divina consiga tirar as vendas desta (In)juntiça humana, mas não apenas "lá no céu", e que vcs possam ser (de uma maneira mínima) ressarcidas de tudo. Um beijo carinhoso de todos nós, Betty, Ju, Arteiras Artesãs e suas famílias
Domingo, Março 09, 2008

Comentário feito no post de 3 de Abril de 2008
"ACORDA JUSTIÇA BRASILEIRA! PORQUE FLAVIA JÁ NÃO PODE FAZÊ-LO"
(Texto de Saramar Mendes)
xistosa disse...
Não posso acrescentar mais nada, a não ser uma lágrima ou duas, furtivas, sempre que venho aqui ...
Se fosse o filho(a) dum "chefão", há muito que estava resolvido.
Nós, os pequenos, limitamo-nos ás migalhas e a ter justiça, quando a justiça quer.
Infelizmente não é só no Brasil. em Portugal e até em França, casos que envolvem vidas, deveriam ter prioridade ...
vão passando para o fundo ,,, para o fundo ... para caírem no esquecimento.
..........Só tenho que enxugar o assomo lacrimoso e desejar que mantenha a fé.
Sei que não é necessário ... mas é uma força mais!
Quinta-feira, Abril 03, 2008

Comentário feito no post do dia 08 de Abril de 2008
CASO FLAVIA: AINDA TENTANDO A MÍDIA.
Fatyly disse...
A roda em torna de Flávia irá dar os seus frutos. Esperar custa porque este caso deveria ter despacho "para ontem" e peca por tardio...mas aguentemos com força e coragem.
Gostei do que li!
Quarta-feira, Abril 09, 2008

Comentário feito no post do dia 29 de Abril de 2008
M.M.MENDONÇA disse...
Odele
Foi com dor, desgosto e amor que me inteirei deste post.
Estou disponível para o que for preciso porque a justiça tem que ser feita e a nossa Flávia terá que ser ressarcida dos danos que lhe foram causados.
Nada os repara mas o apoio financeiro permitirá que tenha uma assistência com a qualidade possível.
Abraço-as às duas
Segunda-feira, Maio 05, 2008

Muito obrigada aos amigos que deixaram os comentários acima.
Até o próximo post.

E os réus continuam querendo ganhar mais tempo

- 25 de abril de 2008
Como tenho dito aqui em posts anteriores, o processo de Flavia está a caminho de Brasília. Esta decisão é oficial e publicada no Diário Oficial de São Paulo. Estou em contagem regressiva, aguardando que meu advogado diga: - Odele, o processo de Flavia, finalmente chegou ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília. Tão logo esta notícia me seja dada, o que espero aconteça em aproximadamente 30 dias, vou pedir a colaboração de vocês para uma nova blogagem coletiva. No momento adequado estarei passando mais informações.

O que me deixa perplexa, é que apesar da gravidade do acidente e mesmo tendo se passado todo esse tempo, – NOVE ANOS!!! – em que luto na justiça paulista por uma indenização adequada para os cuidados com Flavia, os réus do processo de minha filha continuam querendo ganhar mais tempo, mais do que já ganharam. Jacuzzi do Brasil e Condomínio Jardim da Juriti continuam se esquivando às suas responsabilidades e apresentando agravos aos recursos de Flavia, com a nítida intenção de ganharem tempo, de protelar ainda mais uma decisão final, mesmo sabendo que o processo dela vai mesmo, ser julgado em Brasília. Mas ainda assim, os réus tentam com seus agravos, ganharem mais tempo, embora saibam que o tempo que eles já ganharam, Flavia perdeu.

Mesmo com as evidências da responsabilidade dos réus, mostradas na perícia técnica feita na piscina, chegam os réus Jacuzzi e Condomínio, ao absurdo de com suas manobras protelatórias alegarem em seus agravos que sou culpada pelo acidente com minha filha, por não estar com ela na piscina, no momento em que o ralo lhe sugou os cabelos e a prendeu embaixo dágua. Ora, Flavia, tinha 10 nos, altura de 1,50m e a piscina onde nadava, tinha 95 cm de profundidade. Além disso, Flavia sabia nadar com desenvoltura e não estava sozinha na piscina, mas acompanhada de 3 adolescentes, o irmão de 14 anos, e dois amigos dele, ambos de 15 anos. Mas basta nos virarmos de costas por alguns minutos para que um sistema de sucção, funcionando de forma irregular, com um motor super potente e totalmente desproporcional ao tamanho da piscina, como aquele existente na piscina do condomínio onde Flavia nadava, cause uma tragédia da proporção desta que a deixou em coma vigil irreversível.

É lamentável, a postura do Condomínio Jardim da Juriti, que insiste ao longo dos anos em isentar-se de sua responsabilidade no acidente que vitimou Flavia. E lamentável que empresas do porte da Jacuzzi do Brasil se preocupe apenas em auferir lucros na venda de seus produtos, não se importando com as vítimas de acidentes causados por seus sistemas de sucção, vendidos sem a devida orientação técnica e alertas sobre os riscos que um equipamento fora dos padrões técnicos adequados, possa causar aos usuários da piscina onde esse equipamento for instalado.

Por uma melhor qualidade de vida para Flavia, esperemos que em Brasília, a Justiça mesmo que tardia, se faça. Mas não vamos esperar de braços cruzados. Conto com vocês para mostrarmos aos juízes de Brasília, que Flavia já não conta só com a mãe dela nesta luta, mas conta também com muitos amigos que solidários conosco, não pactuam com a negligência, tampouco com a impunidade.

Muito obrigada e até o próximo post.

DESTINO: BRASÍLIA, NOVE ANOS DEPOIS

- 9 de março de 2008
Como muitos sabem, um dos focos deste blog tem sido protestar contra a lentidão da justiça brasileira em condenar os culpados pelo acidente com Flavia, a lhe pagarem uma indenização adequada à gravidade do acidente que lhe deixou em coma vigil, estado em que permanece há 10 anos.

Já li nos argumentos da empresa JACUZZI, por mim processada, que uma indenização maior do que aquela concedida, em torno de 50 mil reais, me tornaria rica, ao que respondi neste blog: ”Rica eu era senhores, quando Flavia era saudável e seu sorriso lindo iluminava tudo e todos”.

Só mesmo empresas que estão mais preocupadas com seus lucros do que com vidas humanas, podem usar um argumento desses, pois nenhum dinheiro do mundo pagaria uma perda desta proporção: - a saúde de minha filha. Acaso não sabem os senhores da Jacuzzi que o sofrimento não tem preço?! As indenizações concedidas após 5 e 7 anos foram aviltantes e o valor não seria suficiente para eu cuidar de Flavia pelo resto de sua vida. Mas com isto os responsáveis pelo ocorrido com minha filha, não se importam e até agora a justiça paulista também não.

Seria preciso que os juízes que julgam processos que envolvem perdas causadas por acidentes graves ou fatais, se dessem conta de que a condenação exemplar dos culpados poderia inibir negligências e evitar novos acidentes, além claro, de possibilitar cuidar das vítimas e lhes oferecer o que for possível em qualidade de vida. A condenação dos culpados teria que ocorrer em um curto período de tempo. Mas a justiça é lenta e por isto se torna injusta. O processo de Flavia, há nove anos na justiça paulista, teve finalmente a autorização para ser julgado em Brasília – última instância. A decisão foi publicada no Diário Oficial de São Paulo.

Como o despacho que autoriza o encaminhamento do processo de Flavia à Brasília é escrito num vocabulário nem sempre fácil de entender para quem não é da área jurídica, pedi para meu advogado me dizer em outras palavras o que está escrito no documento originado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

" Por decisão de 25 de Fevereiro de 2008, o Desembargador J.G.JACOBINA RABELLO, em exercício na Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, admitiu o recurso especial ofertado por FLAVIA SOUZA BELO e sua mãe ODELE SOUZA, para julgamento, em Brasília, pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Desse modo, serão revistas, finalmente, as precedentes decisões proferidas em São Paulo, porquanto reconheceu o Sr. Desembargador que o Tribunal Paulista dissentiu de outras decisões judiciais ao examinar a apelação de ambas. O recurso tem amplo objetivo: Elevar o ínfimo valor das indenizações até aqui conferidas à mãe e filha a título de danos físico e moral, suprimir a co-responsabilidade atribuída a ODELE pelo ocorrido, impor uma reparação pecuniária diante do gravíssimo dano estético e neurológico que acomete FLAVIA e, principalmente, ver responsabilizada a fornecedora e fabricante do equipamento superdimensionado adquirido pelo Condomínio, a empresa JACUZZI. O processo será enviado a Brasília dentro de 60 dias aproximadamente. Lá será distribuído, para exame e julgamento, a um dos Ministros daquela Alta Corte. Uma decisão final, porém, ainda poderá levar anos."Após nove anos lutando na Justiça Paulista para fazer valer os direitos de Flavia, ler a frase que encerra o parágrafo acima, de que a decisão final do processo poderá ainda demorar anos, é no mínimo, frustrante. No entanto, aprendi ao longo desses 10 anos em que minha filha está em coma, que diante das dificuldades da vida, só temos mesmo duas opções: Desabar ou lutar. Pelo que venho escrevendo neste blog, acho que já ficou claro que escolhi a segunda opção.

Até o próximo post.
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