Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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Piscinas, perigo submerso

- 16 de junho de 2026

 Os acidentes causados pela sucção dos ralos de piscinas, continuam, infelizmente, causando acidentes graves e na sua maioria, fatais, por todo o Brasil (e também por todo o mundo) Esses acidentes devastadores são causados principalmente por dois motivos: A sucção dos ralos de piscinas sem a devida proteção, ou seja, sem a tampa anti aprisionamento ou tampa anti sucção ou a falta de cercas de proteção ao redor da piscina e portões automáticos (auto travantes).


São muitos os acidentes que continuam causando vítimas e mudando dolorosamente a rotina de famílias. Para dar apenas alguns casos neste ano de 2026. Apenas alguns casos. Muitas outras tragédias causadas pelos acidentes em piscinas, interromperam a vida e os sonhos de muitas crianças.

E é interessante notar nos comentários dessas noticias, o desconhecimento das pessoas sobre a existência da Lei 14.327/22 que obriga as piscinas a terem instalados a tampa antiaprisionamento. A piscina cm essa tampa, certamente evita a sucção do ralo. É preciso que todos se informem sobre a existência e aplicabilidade dessa lei que é Federal.    


Estes dois acidentes a seguir, foram causados sucção do ralo.


Sofia Emanuelli, 8 anos, Mato Grosso, Brasil.

No último domingo, dia 14 de Junho, na piscina da residência da família, a sucção do ralo de uma piscina fez mais uma vitima. Sofia foi sugada pela sucção do ralo e faleceu. O acidente aconteceu na cidade de Porto dos Gaúchos, a 663Km de Cuiabá, Mato Grosso.

Para ler a notícia completa, acesse:

Estadão 


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Menina de 12 anos morre após ter o cabelo sugado pelo ralo em piscina no interior de SP

Por g1 

20/04/2026 


Laura Pereira Camargo, 12 anos., São José do Rio Preto, São Paulo

Uma menina de 12 anos morreu na tarde de domingo (19) em São José do Rio Preto (SP) após ter o cabelo sugado pelo ralo de uma piscina, na casa de uma amiga.

Laura Pereira Camargo brincava com outras crianças numa piscina no quintal da casa da amiga quando ocorreu o acidente, na sexta-feira (17), conforme registrado em boletim de ocorrência.

Fonte: G1


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Os acidentes abaixo,foram causados, provavelmente,  por falta do portão automático (auto travante).

 24/05/2026

Bebê de 1 ano e 11 meses morre após cair em piscina em Potim, SP

Segundo boletim de ocorrência, criança foi encontrada desacordada por familiares e não resistiu mesmo após tentativas de reanimação feitas pelo Samu.

Uma criança de 1 ano e 11 meses morreu após cair em uma piscina, na tarde deste sábado (23), em Potim, no interior de São Paulo. O acidente aconteceu enquanto os adultos estavam reunidos para o almoço. A irmã do bebê foi quem avisou os adultos que a criança havia caído na piscina.

Fonte: G1


08/06/2026

Bebê fica em estado grave após se afogar na piscina de casa em Maricá - RJ

Criança está internada no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, segundo a Prefeitura.

Por Bianca Chaboudet, g1 — Maricá

Piscinas devem ser cercadas com uma altura de 1,10m, no mínimo, (De acordo com a norma 10339/2018, da ABNT, a altura mínima é mesmo 1,10m, mas a altura ideal recomendada para evitar que crianças pequenas escalem é entre 1,20 e 1,50m) barras verticais de forma que não sejam escaláveis, e o portão deve ser automático, ou seja, fechar automaticamente ao alguém adentrar o recinto e ele deve abrir para fora e não para dentro, e de preferência ser transparente;

PS: O grifo no texto acima, é meu.

Fonte G1

  Acidentes em piscinas: Esta é uma causa de todos nós.



Flavia, o que aprender com seu silêncio

- 6 de janeiro de 2023

 Flavia, aos 10 anos de idade, dois meses antes do acidente que a deixaria para sempre em coma.
 Hoje Flavia tem 35 anos.

06 de Janeiro de 1998. Há exatos 25 anos minha filha Flavia sofria um acidente que mudaria nossas vidas para sempre. Aqueles que acompanham nossa história sabem. Flavia tinha 10 anos e se afogou porque ao nadar e brincar na piscina do prédio onde morávamos, teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina, passando dede então a viver em coma vigil ou estado mínimo de consciência.

Ao longo desses 5 anos, tenho cuidado de Flavia com todo o amor que cabe em meu coração e talvez por causa desse cuidado Flavia continua entre nós. Ela é linda, tem os cabelos brilhantes e a pele íntegra. A saúde bucal dela também é muito boa, e isso certamente é o resultado da excelência com que Flavia é cuidada. Uma equipe multidisciplinar me ajuda a cuidar de Flavia. Médicos, fisioterapeutas, auxiliares e técnicas de enfermagens, mas estou à frente, sempre na coordenação e supervisão de todos os detalhes.  Para mim amar é cuidar, por isso sigo cuidando de minha menina. Até quando? Até quando tiver que ser.

Há questões nesta vida para as quais nunca conseguiremos respostas. Como explicar crianças, idosos e pessoas do bem terem a vida abruptamente interrompidas ou dilaceradas por sofrimentos infindáveis? Quem explica que minha menina de 10 anos, linda e saudável, tenha que passar a viver em estado mínimo de consciência?! E a empatia que me faz colocar no lugar do outro, me leva à dor dos pais que perderam seus filhos neste mesmo tipo de acidente ocorrido com Flavia, ou num outro tipo de acidente, ou perderam seus filhos para uma doença. A perda de um filho (a) é dilacerante. Não se supera esta dor, adaptamo-nos a ela, aprende-se a com ela conviver. Para sobreviver. 

A vida é mesmo repleta de mistérios. Pergunto-me infinitas vezes o que mais posso aprender convivendo dia e noite com o silêncio de Flavia. Como superar a saudade de sua voz?! 25 anos depois, ainda consigo me lembrar da voz de minha filha criança. Que a lembrança de sua voz permaneça em mim para sempre. Para sempre. Que eu possa usar o acidente ocorrido com Flavia como um alerta para evitar outras tragédias como a que nos ocorreu. Que a Lei Federal de Segurança nas Piscinas pela qual tanto lutei e finalmente  aprovada em 2022, seja aplicada em todas as piscinas existentes no Brasil a fim de evitar novos acidentes. Toda criança merece e tem o direito de nadar e brincar em um piscina segura.

Carta para minha filha em coma, dia das mães, maio de 2019

- 12 de maio de 2019

Bom dia Flavia,

Hoje é Dia das Mães querida e como nos anos anteriores, no dia de hoje, te escrevo esta carta para tentar, através das palavras, expressar sentimentos que seu silêncio tão bem expressa filha.

21 anos.  Já se vão 21 anos filha que não ouço sua voz. Mesmo sabendo que seu silêncio diz coisas que muitas palavras não conseguem dizer, sinto falta de sua voz querida. Sim Princesa, tenho saudades de sua voz, de sua alegria, de seu sorriso gaiato. Saudades de você filha, de nós três juntos, eu, você e seu irmão. Saudades de nós filha.

Flavia , desde a carta que te escrevi no ano passado, algumas coisas aconteceram e que você, por estar em coma, não viu querida.

Nosso Brasil continua difícil, com governantes mais difíceis ainda. O desemprego continua alto e as injustiças sociais também. Temos violência, pessoas morando nas ruas, hospitais sem materiais básicos, pessoas morrendo por negligência. Por fogo, por rompimentos de barragens e lama, por afogamento nas piscinas. Sim, filha, os acidentes em piscinas continuam a causar vitimas, principalmente crianças, como você era na época em que ficou presa ao ralo da piscina onde nadava e se afogou, passando a viver em coma.

Mas temos uma boa noticia que eu já te contei mas vou escrever aqui filha para deixar registrado.

A ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, publicou em Setembro de 2018, a atualização da norma 10339 que versa sobre a segurança nas piscinas. A norma, mesmo não tendo força de lei é uma importante referência a ser seguida por todos os proprietários e administradores de piscinas. Lá, na norma 10339, estão mencionados todos os dispositivos de segurança que vão tornar a piscina segura.

Ter a as normas de segurança de piscinas atualizadas filha é um alento neste nosso Brasil onde o que beneficia a população caminha com uma lentidão inaceitável. Espero conseguir que a mídia se envolva em campanhas de divulgação das normas atualizadas e de conscientização para o risco dos acidentes em piscinas que infelizmente seguem acontecendo por todo o Brasil.

Filha, que eu possa seguir cuidando de você como sempre fiz.Com muito amor, mas ao mesmo tempo usando o seu exemplo para que quem sabe possamos evitar tragédias semelhantes a esta que nos atingiu.

E assim seguimos querida, vivendo nosso dia a dia com fé no amor e na esperança por dias melhores para todos nós.

Verão, crianças, piscinas: Atenção com a segurança

- 13 de novembro de 2011

Toda criança merece brincar em uma piscina segura

Com a proximidade do verão, as piscinas estarão recebendo muitas pessoas, principalmente crianças que adoram brincar na água. Enquanto não temos notícia da Lei Federal para Segurança nas Piscinas que tramita no Congresso é preciso que os pais se conscientizem de que a sucção dos ralos de piscinas podem causar acidentes gravíssimos ou levar à morte, principalmente de crianças. Essa conscientização deveria haver também por parte de quem administra piscinas, sejam elas particulares, coletivas ou públicas. Essa conscientização deveria existir também por parte de autoridades que têm o poder de criar leis obrigando o uso de dispositivos de segurança, que instalados nas piscinas, vão evitar a sucção dos ralos, evitando também tragédias e salvando vidas. Esses dispositivos, mencionados por peritos em segurança de piscinas, estão na proposta de emenda à Lei  Federal para Segurança em Piscinas que entregamos ao relator, em Brasilia, em agosto de 2011. 

Quando uma piscina estiver funcionando fora dos padrões de segurança, (falha na manutenção, limpeza da piscina com usuários dentro, ralo sem a tampa, equipamento superdimensionado...) a sucção dos ralos pode prender uma pessoa embaixo dágua, pelos cabelos ou por qualquer outra parte do corpo.

Em posts anteriores deste blog, estão documentados vários acidentes fatais causados pela sucção dos ralos de piscinas que certamente funcionavam de forma irregular. Na sua maioria as vitimas são crianças. Meninos e meninas sugados pelos cabelos, braços, pernas, rosto, barriga... e morrem afogados porque ficam presos ao fundo da piscina sem conseguir se desvencilhar da forte sucção do ralo.

Conforme já documentado neste blog, a criança americana Abigail Taylor, 6 anos, em abril de 2007, ao sentar-se no ralo da piscina onde brincava, teve os intestinos parcialmente sugados. Hospitalizada, a criança viveu alguns meses em grande sofrimento e veio a falecer. Este tipo de acidente é chamado evisceração e acontece como ilustrado na foto abaixo.


A evisceração ocorre quando as nádegas de uma pessoa “sela” totalmente o local da sucção causando um prolapso do reto e os intestinos são extraídos do corpo.

Somente uma Lei  Federal para Segurança nas piscinas poderá evitar novos acidentes causados pela sucção dos ralos. Insisto nisto. Essa lei já de nada vai adiantar para minha filha que vive em coma vigil há quase 14 anos, por causa da negligência  do condomínio onde morávamos que substituiu - sem a indispensável orientação técnica - o sistema de sucção existente na piscina, por outro superdimensionado. Mas essa lei vai  evitar que outras crianças venham a ter o destino de Flavia. Acredito que Flavia ficará contente  quando eu lhe contar que a  Lei  foi aprovada e que então as crianças (como era Flavia) estarão brincando em piscinas seguras.
 
Sei que às vezes me torno repetitiva, mas vou continuar insistindo nesse assunto até que a Lei Federal para Segurança nas Piscinas, com a obrigatoriedade de uso de dispositivos de segurança  (e nem são caros esses dispositivos) que evitam a sucção dos ralos, passe a ser uma realidade em nosso pais. Quando a Lei sair eu paro. Mas só quando a Lei sair.

Nota: Nesta 2ª.feira dia 21, no programa  MAIS VOCÊ da apresentadora Ana Maria Braga, TV Globo, foi apresentada  uma reportagem sobre afogamentos. Eu, e o Augusto Araujo de São Paulo, e  Antônio Santos do Rio, participamos da matéria. Obrigada ao programa MAIS VOCÊ por essa reportagem de utilidade pública. Quem não teve oportunidade de ver o programa, o link da reportagem é este:
http://maisvoce.globo.com/videos/v/piscinas-rios-e-praias-mais-voce-explica-como-prevenir-acidentes-no-verao/1703255/#/programas/20111121/page/1

Um abraço a todos e até o próximo post.

Ralo de piscina: "Policia indicia seis pessoas pela morte de criança em clube de SP"

- 27 de março de 2011
Título, texto e foto, copiados integralmente do site do G1.

O garoto João Paulo morreu ao ser sugado
durante esvaziamento de piscina no interior de
São Paulo (Foto: Reprodução/EPTV)

Este acidente com João Paulo, foi divulgado no blog de Flavia, neste post:

Ralo de Piscina, infelizmente outra vítima já em 2011

Hoje, saiu esta notícia no G1:

“João Paulo, de 5 anos, morreu após ser sugado por tubulação de piscina.

Caso aconteceu na cidade de Taquaritinga, a 334 km de São Paulo.
Cinco funcionários e o presidente do Clube Náutico de Taquaritinga, cidade a 334 km de São Paulo, foram indiciados pela morte do garoto João Paulo de Jesus Maria, de 5 anos. No dia 30 de janeiro deste ano, a criança foi sugada pela tubulação da piscina do clube. Os seis irão responder por homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.

A conclusão do inquérito, que durou dois meses e interrogou 18 pessoas, foi encaminhada nesta sexta-feira (25) ao Ministério Público.
Entre os indiciados pelo crime estão os responsáveis pela drenagem da piscina - que foram ouvidos como testemunhas - e os responsáveis pela colocação da grade de proteção e pela segurança dos banhistas. De acordo com o resultado da investigação, o presidente do clube vai responder por negligência, e os demais, por imprudência.

A polícia confirmou que, no momento do acidente, além de João Paulo, outras quatro pessoas estavam na piscina. Ainda foi apurado que o duto de 40 centímetros estava sem proteção e que as fendas dos parafusos que prendiam a grade estavam enferrujadas. O desgaste foi interpretado pela polícia como evidência de que a tubulação teria ficado aberta várias vezes
Faltou, por parte da presidência, do gerente, das pessoas que têm a incumbência de fiscalizar, que impedissem essa conduta dos funcionários, já que isso coloca em risco a integridade dos banhistas”, afirmou delegado de Taquaritinga, Claudemir da Silva.

Afogamento
No dia 30 de janeiro, João Paulo foi sugado pela tubulação da piscina quando funcionários acionaram o esvaziamento. Dois bombeiros, que estavam de folga, tentaram reanimar João Paulo, mas ele morreu no local. Os pais e outras testemunhas disseram que ninguém avisou que a piscina seria esvaziada.

Quase dois meses depois do acidente, o Clube Náutico de Taquaritinga continua funcionando, mas a piscina está interditada. O presidente do clube, João Henrique Barros, não foi encontrado pela reportagem da EPTV.”

Como vemos, a negligência com a segurança das piscinas continua fazendo vítimas, na sua maioria crianças. “Ainda foi apurado que o duto de 40 centímetros estava sem proteção e que as fendas dos parafusos que prendiam a grade estavam enferrujadas. O desgaste foi interpretado pela polícia como evidência de que a tubulação teria ficado aberta várias vezes”

Como podem esvaziar uma piscina sem conferir se há pessoas dentro dela?! E quanta negligência e descuido com a manutenção desta piscina. Infelizmente isto também ocorre com frequência.

NEGLIGENTES! Os que descuidam da segurança das piscinas, têm que ser punidos exemplarmente. E sem demora. Não como no caso de Flavia que mesmo tendo sido vítima deste tipo de acidente, e tendo eu travado uma penosa batalha judicial, minha filha teve que esperar - em coma vigil - mais de 12 anos para ver a justiça ser feita de forma incompleta.

Quero ver se essa gente vai continuar a descuidar da segurança das piscinas, quando a LEI FEDERAL que está a caminho cair sobre eles, com o necessário e implacável rigor.
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