Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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A porta por onde eu e Flavia entramos em Portugal

- 10 de outubro de 2008

Porta aberta
Este post é dedicado com muito carinho, gratidão e amizade à Vitor Cintra, português e autor do blog UM POEMA de VEZ em QUANDO. Ele foi a primeira pessoa com quem tive contato em Portugal. Vitor é escritor, poeta, fotógrafo, e é solidário com muitas causas. Não bastasse isso, Vitor é muito elegante no trato com as pessoas. É um gentleman. A foto acima simboliza a porta aberta por Vitor e por onde eu e Flavia entramos em Portugal. Vitor, as portas de meu país e de minha casa também estão aberta pra ti, entra, pois serás sempre recebido com a mesma atenção e carinho com que abriste a porta de teu país para Flavia e para mim.

Foi em Abril de 2007 que descobri, por acaso, o blog de Vitor Cintra, e como gostei do conteúdo, deixei lá um comentário. E sem demora, Vitor esteve no blog de Flavia. E sem demora, Vitor publicou o post abaixo:
Terça-feira, Abril 10, 2007


"Flavia segue em coma. E a Justiça brasileira também."
(Recolhido no blog: Flávia, vivendo em coma...)

Assim ecoa o grito de indignação de uma mãe (veja aqui) que, cuidando da sua filha - em coma há já nove anos - reclama por uma justiça que tarda.São assim as mães. Presentes, protectoras, carinhosas. Grandes no seu amor. Enormes!

ÀS MÃES

A mãe é p'ra cada um
O maior ser, de excepção,
Com lugar no coração,
Mais sagrado que nenhum.
.
A mãe é, por mil razões,
O padrão do Universo,
Mesmo quando controverso
Seu saber e decisões.
.
São angústias que supera,
Desencantos, mágoas, vícios,
P'lo carinho que nos tem.
.
Desde o ventre, que nos gera,
Não se poupa a sacrifícios,
Porque mãe, é sempre MÃE

Vitor Cintra
no Livro: ECOS

.......................
Alguns dos comentários deixados neste post do Vitor:
J. Vítor,
O caso de Flávia é um dos 62 milhões de processos esperando julgamento no Brasil. Como bem disse vc, a justiça também está em coma.Fiquei inbdignada com a história quando vi o relato de Odele, mãe de Flávia, na internet.Acredito que quanto mais divulgarmos melhor seria para que haja sensibilização para que o caso seja resolvido.Abraços
At 8:53 AM, Pdivulg said...Fui visitar o blog e sinceramente fiquei sem palavras, como se não bastasse o sofrimento de ver a filha assim, acresce o da justiça que não funciona... Há vidas difíceis.

At 10:54 AM, Isabel-F. said...... o teu poema é um hino à mãe ...em relação à situação que descreves ... não encontro palavras para comentar ....vou visitar o blogue.Bjs---------------------
Foi através deste post de Vitor Cintra que outros portugueses começaram a visitar o blog de Flavia e hoje, muitos deles se tornaram amigos muito queridos. Por exemplo: Isabel Filipe, António Peciscas, Adesenhar, Carlos Rocha, ForEver Pemba, Maria Clarinda, Nuno de Sousa, Elvira, Brancamar, Ana Martins, Lidia, Raul, Paulo, Rosário, Fatyly, Cris, Nucha, Paula Raposo,
David Santos e muitos outros.
Este post que Vítor publicou sobre Flavia em Abril de 2007, foi o início de um relacionamento de amizade e solidariedade que dura até hoje.
Vitor, em meu e em nome de Flavia, obrigada amigo, obrigada poeta.
......................................
Muito obrigada também a todos os portugueses, brasileiros, espanhóis, peruanos, argentinos, e pessoas dos demais países que divulgam, visitam e comentam no blog de Flavia, que em menos de dois anos de existência já passa dos 106 mil visitantes. Isto em nada me envaidece, mas me faz bem ver que este blog vem alcançando o seu objetivo: Protestar contra a lentidão da Justiça Brasileira e Alertar para o perigo dos ralos de piscinas.

Até o próximo post.

SEM PERDÃO

- 17 de agosto de 2007
Hoje, eu gostaria de deixar aqui no blog de Flavia, um texto dedicado não só a ela, mas à todas as vítimas de acidentes com RALOS DE PISCINAS. Além de minha filha Flavia, acidentada em janeiro de 1998 e desde então em coma vigil, menciono aqui alguns desses acidentes acontecidos no Brasil e no mundo. Todos deixaram vítimas fatais ou seqüelas muito graves.

1990 – Alexandre 4 anos - França.
Ferido gravemente no abdômen e no ânus.

1999 – Thiago Teixeira – 11 anos – Manaus – Brasil
Teve a perna sugada pela força de sucção do ralo - Faleceu.

2001 – Marlei Feliciano – 23 anos – São Paulo – Brasil
Teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina – Faleceu.

2002 – criança de 8 anos – Portugal
Ficou com graves seqüelas físicas e neurológicas.

2003 - duas crianças - Aquaparque - Portugal
Também sugadas pelo ralo da piscina. - Faleceram.

2007 – Abigail Taylor – 6 anos – Estados Unidos
Teve parte dos intestinos sugados pelo ralo da piscina.
Ficou com graves seqüelas.

2007 – Sergei Matweyev – 14 anos - Rússia.
Sugado pelo ralo da piscina – Faleceu.

Os acidentes causados por RALOS DE PISCINAS, como vemos, não acontecem só com crianças, no entanto são elas as maiores vítimas. Resta saber QUANDO é que providências serão tomadas para que os ralos de piscinas deixem de ser uma bomba embaixo dágua. Resta saber QUANDO a lei vai PUNIR os culpados por tais acidentes. Flavia, aqui ao meu lado, espera – em coma – há quase dez anos por essa justiça que de tão lenta já se tornou injusta.

Para mostrar meu inconformismo e perplexidade com a INPUNIDADE que se tem visto com relação aos acidentes causados por ralos de piscinas, vou usar, devidamente autorizada, o poema de meu amigo Vítor, do blog Um Poema de Vez em Quando. E o dedico à Flavia, Abigail, Sergei, Marlei, Alexandre, Thiago......

SEM PERDÃO

Quem são esses dirigentes
Que sujeitam inocente
A sofrer tantos tormentos
Sem ouvir os seus lamentos?...

Quem é neste mundo louco,
- Quase sempre por tão pouco -
Que sujeita semelhantes
A martírios tão gritantes?...

Como pode um ser humano,
Só por ter na mão poder,
Deixar outros a sofrer?...

Por vontade, ou por engano,
Egoísmo, ou omisão,
É um crime sem perdão.
Vítor Cintra
No livro: MEMÓRIAS

Vítor, obrigada por me deixar usar suas palavras aqui no blog de Flavia.


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