Ary, cabeleireiro de Flavia, cortando os cabelos dela em Outubro de 2008.
Flavia, na cama, com os cabelos em trança. Foto tirada hoje.Na primeira foto está Ary, meu cabeleireiro e também de Flavia. Ary já atendia Flavia desde que ela era uma criança alegre e saudável. Depois que Flavia sofreu o acidente que a deixaria em coma vigil, logo após ela ter saído do hospital onde ficou por quase um ano, ele passou a atender Flavia em casa. Ary vem cortar o cabelo de Flavia, uma vez por ano – normalmente no mês de Outubro e no dia de sua folga no salão QG de Moema, onde ele trabalha já há muitos anos. E Ary, nunca aceitou pagamento pelo corte de cabelo de Flavia, diz que é presente pra ela. Na segunda foto, Flavia como normalmente fica na cama, com os cabelos presos. Nesta foto, os cabelos de Flavia já estão bem longos, porque já faz quase um ano que foram cortados.
O corte de cabelo de Flavia, Ary faz levemente repicado e comprido o suficiente para podermos na cama, fazer um rabo-de-cavalo ou uma trança, que deixa Flavia arrumada e confortável. Pode parecer que pessoas acamadas ficariam mais confortáveis com os cabelos curtinhos, mas a prática tem me mostrado que os cabelos um pouco mais compridos facilitam os cuidados, além de possibilitar variar o penteado.
Deixar Flavia com os cabelos compridos, - mas com um corte bem feito e bonito - é um compromisso que assumi com minha filha desde seus 8 anos de idade. Flavia gostava de seus cabelos longos e sempre que íamos ao salão de beleza, ela me pedia para não deixar o cabeleireiro cortar demais os seus cabelos. Até hoje eu e Ary respeitamos esse desejo de Flavia. E nesse grande e doloroso mistério que é o estado de coma, pode ser - é bem possível, que Flavia perceba que seus cabelos ainda são longos. E pode ser - é bem possível, que Flavia fique contente por isso.
Boa semana a todos e até o próximo post.



