Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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JOSÉ, IRMÃO DE UMA VÍTIMA

- 12 de outubro de 2007
"José has left a new comment on your post "PERIGO NA ÁGUA.": Ola... meu nome é José e posso dizer que não sei o pq hj resolvi buscar no Google noticias sobre a morte de minha irmã Lucimeire Pereira dos Santos, que morreu afogada no Motel Asturias qdo teve sues cabelos tragados pela bomba de sucção. Ainda sinto muito dor pela falta da minha irmã e minha mãe quase teve sua fé em Deus abalada por não entender pq Deus tirou a filha dela, mas hj só o que fazemos é pedir a Deus que tenha minha irmã em bom lugar. E venho tb me solidarizar com a sua dor, pois vc tem a sua filha ao teu lado mas ela não pode aproveitar a vida que merece. Tomei conhecimento de seu caso a algum tempo atras qdo estava procurando um apto para comprar, mas não me aprofundei no assunto. Fiquem com Deus e pode ter certeza que voce e sua filha serão recompensadas por Ele, pois tudo tem uma razão nessa vida!!!! "

No Post deste blog do dia 13/09/2007, sob o título “PERIGO NA ÁGUA” recebi o comentário acima, deixado por José, irmão de Lucimeire Pereira dos Santos, de 29 anos, mais uma vítima de sistema de sucção de piscinas. O acidente que vitimou a irmã de José, foi noticiado na Revista IstoÉ que aqui transcrevo na sua íntegra, mas pode ser conferido no link: IVOX Este artigo da Revista IstoÉ já foi aqui publicado em um post anterior.
José, obrigada por seu comentário. Obrigada por se manifestar.
"MOTEL ASTÚRIAS (ISTOÉ 1848 - MAR/2005) (01/03/06)
- ASSUNTO DE INTERESSE PÚBLICO:
Morte nas águas do Astúrias. No espaço de quatro anos e nas mesmas circunstâncias, como sereias puxadas pelos cabelos, duas mulheres que foram em busca de prazer no Astúrias Motel acabaram na mesa de necropsia do Instituto Médico Legal de São Paulo. Às seis horas da manhã do domingo 13 Lucimeire Pereira dos Santos, 29 anos, deu entrada no Hospital das Clínicas com sinais claros de afogamento. Morreu cinco horas depois. Ela chegou ao hospital transportada da suíte Mansões, número 10 (trágica ironia, o slogan do motel é o “Único nota 10). Nessa suíte, ao mergulhar na piscina, ela teve os seus cabelos tragados pela engrenagem de sucção do ralo sob o qual funciona a bomba de limpeza e de oxigenação da água (caso idêntico ocorreu em 2001). Isso consta do inquérito policial baseado nos testemunhos de funcionários da casa e do namorado que estava com ela na suíte 10, César Costa Ventura. Ao perceber que não conseguiria salvar a parceira, correu desesperado em busca de ajuda. Alguns funcionários correram à suíte e com uma faca cortaram os cabelos de Lucimeire. Tarde demais. Ela deixou uma filha de cinco anos de seu primeiro casamento. A Polícia Civil, como é seu dever, abriu as portas da investigação para saber se Lucimeire tem outras marcas de traumatismo no corpo (o que indicaria violência) ou se fez uso de drogas. Trabalha, no entanto, com a hipótese praticamente fechada de que a morte foi por afogamento a partir do momento em que ela teve os seus cabelos tragados. O Astúrias Motel tem 55 suítes e os seus preços variam entre cerca de R$ 160 e R$ 360. Procurados insistentemente por ISTOÉ ao longo da semana, nenhum responsável pelo motel sequer pegou o telefone para dar uma explicação. Ou são cinco estrelas demais para falar com a imprensa ou consideram que a vida de uma mulher que se escoa pelo ralo, num local justamente frequentado por tantas mulheres, não é um assunto de interesse público. • No momento em que Lucimeire chegava ao Hospital das Clínicas, de lá saía uma outra mulher (não quer ser identificada). Foi ao hospital porque sofrera ferimentos nos seios quando mergulhou numa piscina e nadou próxima ao ralo. Foi igualmente vítima do sistema de sucção da água. A piscina que a vitimou fica no Astúrias Motel A morte no Astúrias em 2001 Na noite de 10 de janeiro de 2001, também os cabelos de uma mulher tiveram de ser cortados à faca numa tentativa de salvá-la do ralo da piscina de uma das suítes do Astúrias Motel. A tentativa foi em vão e a morta se chamava Marlei da Silva Feliciano. Tinha 23 anos. Mergulhou na piscina enquanto o seu parceiro tomava banho. A bomba de sucção do ralo engoliu os seus cabelos. “Foi um acidente devido à negligência do motel. A família de Marlei foi à Justiça. Até hoje o Astúrias Motel não indenizou os familiares da vítima”, diz o advogado Adilson Carvalho de Almeida. "

Vejam que o acidente que deixou Flavia em coma, causado por um ralo de piscina funcionando de forma irrregular, não é raro de acontecer e envolve inclusive pessoas adultas, como no caso desta moça, a Lucimeire, de 29 anos. Marlei a outra moça que também morreu pelo mesmo motivo e no mesmo Motel, tinha 23 anos. O acidente com Marlei aconteceu em 2001 e com Lucimeire em 2005.

O que se tem a lamentar, além claro, da tragédia em si, é o descaso com que esses acidentes são tratados. As vítimas são deixadas à própria sorte. Ninguém é punido, ninguém paga por nada. E a nós, resta a vida esfacelada.

PERIGO NA ÁGUA

- 13 de setembro de 2007
Este post contém trechos da entrevista que dei para o jornal O Diário de São Paulo, do dia 09/09/2007. A entrevista foi realizada por Isis Brum e a ênfase foi dada para o perigo dos ralos de piscinas.

“..... Flavia Souza Belo, 19 anos, sofreu parada cardiorespiratória depois de ter o cabelo preso no ralo da piscina do condomínio onde morava, em Janeiro de 1998. E quase morreu afogada por conta disso.

Acidentes do tipo podem acontecer em qualquer piscina, de qualquer condomínio, clube ou hotel. O perigo está nos detalhes que envolvem a instalação do ralo. Se não forem colocadas corretamente, essas peças podem funcionar como ferramentas assassinas escondidas embaixo d’água. As meninas são as principais vítimas, por terem o cabelo comprido. Os fios se enroscam e não soltam, mesmo que o motor seja desligado.

“NÃO FOI FATALIDADE, FOI NEGLIGÊNCIA".
Desde o acidente com a filha Flavia, Odele Souza enfrenta uma batalha judicial, para receber, na Justiça, uma indenização pelo acidente que, na opinião dela, poderia ter sido evitado.”Não foi fatalidade, foi negligência”. Ela processou o condomínio e o fabricante do ralo.

Segundo a mãe de Flavia, o ralo da piscina foi trocado por outro mais potente para que os moradores tivessem a água aquecida.”Não houve nenhuma consulta técnica para fazer a mudança”, diz. Para ela os ralos deveriam ter sua venda restrita, devido aos riscos que podem apresentar.

A mãe de Flavia criou um blog na Internet. (menciona o endereço deste blog) Nele Odele lista os casos semelhantes ao de sua filha, divulgados pela imprensa.”Esses acidentes são mais comuns do que se imagina”, explica ela.

Casos no exterior
Neste ano houve dois registros semelhantes no exterior. Nos EUA uma menina de seis anos teve parte dos intestinos sugados e sobreviveu com seqüelas. Na Rússia um adolescente de 14 anos morreu.

Memória

Duas morreram em Motel de Pinheiros.

Em 2005, a dona-de-casa Lucimeire Pereira dos Santos, de 29 anos, foi com o namorado ao Motel Astúrias, em Pinheiros. Seu cabelo ficou preso no ralo da piscina de uma suíte. Ela teve parada cardíaca e morreu. Quatro anos antes, uma garota de programa morreu após ter os cabelos presos no ralo de uma piscina do mesmo motel. Funcionários até cortaram seu cabelo com uma faca, mas não conseguiram salvá-la.”

*** FIM DA REPORTAGEM * **

O que é preciso e urgente, é que acidentes deste tipo causados por ralos de piscinas funcionando de forma inadequada, não continuam a fazer vítimas. E em acontecendo que os responsáveis, sejam, também com urgência, severamente punidos. Isto, todos sabemos, não depende só da atuação de um brilhante advogado, depende da atuação dos juizes.

MAIS VÍTIMAS DE RALOS DE PISCINAS.

- 27 de maio de 2007
MOTEL ASTÚRIAS (ISTOÉ 1848 - MAR/2005) (01/03/06)

SEGUE REPORTAGEM DE REVISTA ISTOÉ SOBRE FATOS QUE OCORRERAM NESSE ESTABELECIMENTO.
- ASSUNTO DE INTERESSE PÚBLICO -Morte nas águas do Astúrias.

No espaço de quatro anos e nas mesmas circunstâncias, como sereias puxadas pelos cabelos, duas mulheres que foram em busca de prazer no Astúrias Motel acabaram na mesa de necropsia do Instituto Médico Legal de São Paulo. Às seis horas da manhã do domingo 13 Lucimeire Pereira dos Santos, 29 anos, deu entrada no Hospital das Clínicas com sinais claros de afogamento. Morreu cinco horas depois. Ela chegou ao hospital transportada da suíte Mansões, número 10 (trágica ironia, o slogan do motel é o “Único nota 10). Nessa suíte, ao mergulhar na piscina, ela teve os seus cabelos tragados pela engrenagem de sucção do ralo sob o qual funciona a bomba de limpeza e de oxigenação da água (caso idêntico ocorreu em 2001). Isso consta do inquérito policial baseado nos testemunhos de funcionários da casa e do namorado que estava com ela na suíte 10, César Costa Ventura. Ao perceber que não conseguiria salvar a parceira, correu desesperado em busca de ajuda. Alguns funcionários correram à suíte e com uma faca cortaram os cabelos de Lucimeire. Tarde demais. Ela deixou uma filha de cinco anos de seu primeiro casamento. A Polícia Civil, como é seu dever, abriu as portas da investigação para saber se Lucimeire tem outras marcas de traumatismo no corpo (o que indicaria violência) ou se fez uso de drogas. Trabalha, no entanto, com a hipótese praticamente fechada de que a morte foi por afogamento a partir do momento em que ela teve os seus cabelos tragados.

O Astúrias Motel tem 55 suítes e os seus preços variam entre cerca de R$ 160 e R$ 360. Procurados insistentemente por ISTOÉ ao longo da semana, nenhum responsável pelo motel sequer pegou o telefone para dar uma explicação. Ou são cinco estrelas demais para falar com a imprensa ou consideram que a vida de uma mulher que se escoa pelo ralo, num local justamente frequentado por tantas mulheres, não é um assunto de interesse público. • No momento em que Lucimeire chegava ao Hospital das Clínicas, de lá saía uma outra mulher (não quer ser identificada). Foi ao hospital porque sofrera ferimentos nos seios quando mergulhou numa piscina e nadou próxima ao ralo. Foi igualmente vítima do sistema de sucção da água. A piscina que a vitimou fica no Astúrias Motel .

A morte no Astúrias em 2001.
Na noite de 10 de janeiro de 2001, também os cabelos de uma mulher tiveram de ser cortados à faca numa tentativa de salvá-la do ralo da piscina de uma das suítes do Astúrias Motel. A tentativa foi em vão e a morta se chamava Marlei da Silva Feliciano. Tinha 23 anos. Mergulhou na piscina enquanto o seu parceiro tomava banho. A bomba de sucção do ralo engoliu os seus cabelos. “Foi um acidente devido à negligência do motel. A família de Marlei foi à Justiça. Até hoje o Astúrias Motel não indenizou os familiares da vítima”, diz o advogado Adilson Carvalho de Almeida.
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Eu já possuia o material acima, mas por estar em revista, eu precisaria escarnear para colocá-lo aqui. Preferi então buscá-lo na Internet, cuja fonte é: IVOX- www.ivox.com.br/opinião.

É importante notar que os acidentes causados por ralos de piscinas, não ocorrem só com crianças, como ocorreu com minha filha Flavia aos 10 anos de idade. Vejam os exemplos acima, com mulheres adultas. Talvez se pense que por uma piscina ser pequena como a de uma suite de motel, não oferece perigo. Oferece sim. O perigo existe, desde que o sistema de sucção - o ralo - esteja com problemas. Saber se o sistema de sucção de uma piscina, está ou não com problemas, não é responsabilidade dos usuários, e sim dos responsáveis pela venda, instalação e manutenção desses equipamentos. A IMPUNIDADE dessas pessoas é que faz com que a tragédia, que há mais de nove anos, deixou minha filha Flavia em coma até hoje, continue acontecendo, a IMPUNIDADE é que faz com que os ralos de piscinas continuem fazendo vítimas. A IMPUNIDADE é que causa indignação e revolta. Senhores juízes brasileiros, até quando?!
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