Esta semana São Paulo ficou sob tensão, acompanhando o longo cárcere privado da adolescente Eloá Cristina Pimentel, que ao final de mais de 100 horas, foi baleada - na cabeça - por seu ex-namorado e entrou em coma irreversível. “Neurologicamente ela nunca vai sair desta situação. Está em coma irreversível” afirmou ontem a neurocirurgiã Grace Mary Lidia, da equipe médica do Centro Hospitalar do Município de Santo André, que operou a adolescente. Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 19.10.2008.
Por conta da tragédia com Eloá, esta semana o blog de Flavia está recebendo visitas vindas do Google. São pessoas pesquisando sobre o estado de coma.No post anterior, há o comentário abaixo :
“Dai disse...Odele querida, vc deve estar acompanhando o caso da Eloá que foi mantida refém pelo ex- namorado e levou um tiro na virilha e um na cabeça né?Vi hoje de tarde que ela está em coma irreversível, e que se sobreviver entrará em coma vigil, como a linda Flávia...Espero que como você, a mãe dela também tenha força!Sábado, Outubro 18, 2008"
Antes de ontem, quando Daí deixou este comentário os médicos ainda não tinham decretado a morte cerebral de Eloá. o que infelizmente aconteceu na noite deste sábado. “...família de Eloá Cristina Pimentel, 15, autorizou na manhã deste domingo, dia 19, a doação dos órgãos da menina, que teve a morte cerebral confirmada às 23h30 de sábado, 18. Ela foi baleada na cabeça na noite de sexta-feira pelo ex-namorado Lindembergue Alves, 22, que a manteve como refém durante quatro dias em Santo André.”Fonte: O Povo On line
Tenho Flavia em coma vigil irreversível há mais de 10 anos e posso entender o que Ana Cristina, a mãe de Eloá, sentiu ao ver a filha em coma e o que está sentindo agora com a noticia de sua morte cerebral. Penso também em Ana Carolina Oliveira, mãe da pequena Isabella Nardoni, que morreu meses atrás, ao ser jogada do sexto andar do prédio onde o pai e madrasta da menina moravam.
Uma tragédia que acontece com um filho nosso, nos dilacera por dentro. O desafio que se coloca diante de nós, - e que precisamos vencer - é seguir vivendo sem nos deixar anular por essa dor. É conseguir usar a dor de forma construtiva. É olhar em volta e ver que existem outras dores além das nossas. Leva tempo e por mais que os anos passem, por mais que de vez em quando um sorriso emoldure nosso rosto, a dor permanece tatuada em nossa alma. Forte, constante, dilacerante. Irremediável. Irreversível.
Para Ana Cristina, a mãe de Eloá, deixo aqui minha solidariedade, o meu abraço, o meu carinho.



