Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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Um poema português para os 24 anos de Flavia

- 16 de dezembro de 2011
Flavia, meu mais belo presente de aniversário.

Hoje Flavia completa 24 anos, dos quais, 14 anos vivendo em coma vigil. Quando penso no que minha filha deixou de viver  por ter sofrido um acidente que poderia ter sido evitado e que por negligência,  continua a acontecer em nosso país, fico triste. Conforta-me o carinho dos amigos, aqui presente neste poema de António Peciscas de Portugal que me inclui em seus versos porque também faço aniversário hoje. 

"O DIA CERTO 

Podíeis ter nascido em outro dia qualquer, 
dia em que já tinha nascido homem ou mulher 
que o marcou com fama e glória 
porque haveria de entrar na História. 
Beethoven, Jane Austen, Bilac e quantos mais 
nasceram neste dia e entraram nos anais. 
Mas que interessa se a dezasseis (*)
nasceram sábios ou reis 
se neste acaso invulgar 
há porquês por deslindar. 
E poderia ser outro o dia 
que tanto para o caso fazia 
Poderia ser mais longe ou mais perto 
mas teria de ser o dia certo. 

Gerado em trama de amor que pode parecer coincidência 
mas que, afinal, vem de uma outra evidência, 
que mesmo assim nem bem se explica 
porque há coisas em que pela razão não se fica. 

Há quem lhe chame magia 
Há quem lhe chame milagre 
Há quem lhe chame alquimia 
Afinal mesmo quem sabe? 
Quem pode saber sem falhar 
como é que a vida se tece? 
Quem poderá desvendar 
aquilo que desconhece? 

Mãe e filha assim unidas 
num mesmo e só calendário 
ficariam impedidas 
de seguir caminho vário. 

Em coisas de coração 
quem manda é a Natureza 
e tem sempre uma razão 
quando acontece beleza. 

Nesse dia houve uma estrela 
que num canto do céu sorriu 
Mandou criar história bela 
 e a Natureza cumpriu. 

Foi uma mãe que recebeu 
o seu mais fino presente 
quando nos braços acolheu 
o calor do novo ente. 

Ali mesmo se escreveu 
esse pacto de ternura 
que a todos nos envolveu 
numa aura de candura 

Sempre ligadas estareis 
isso já está descoberto. 
Porque o dia dezasseis 
era mesmo o dia certo. 

16 de Dezembro 2011 

António Peciscas "

(* dezasseis = português europeu) 

Obrigada António.

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