Flavia, meu mais belo presente de aniversário.
Hoje Flavia completa 24 anos, dos quais, 14 anos vivendo em coma vigil. Quando penso no que minha filha deixou de viver por ter sofrido um acidente que poderia ter sido evitado e que por negligência, continua a acontecer em nosso país, fico triste. Conforta-me o carinho dos amigos, aqui presente neste poema de António Peciscas de Portugal que me inclui em seus versos porque também faço aniversário hoje.
"O DIA CERTO
Podíeis ter nascido em outro dia qualquer,
dia em que já tinha nascido homem ou mulher
que o marcou com fama e glória
porque haveria de entrar na História.
Beethoven, Jane Austen, Bilac e quantos mais
nasceram neste dia e entraram nos anais.
Mas que interessa se a dezasseis (*)
nasceram sábios ou reis
se neste acaso invulgar
há porquês por deslindar.
E poderia ser outro o dia
que tanto para o caso fazia
Poderia ser mais longe ou mais perto
mas teria de ser o dia certo.
Gerado em trama de amor que pode parecer coincidência
mas que, afinal, vem de uma outra evidência,
que mesmo assim nem bem se explica
porque há coisas em que pela razão não se fica.
Há quem lhe chame magia
Há quem lhe chame milagre
Há quem lhe chame alquimia
Afinal mesmo quem sabe?
Quem pode saber sem falhar
como é que a vida se tece?
Quem poderá desvendar
aquilo que desconhece?
Mãe e filha assim unidas
num mesmo e só calendário
ficariam impedidas
de seguir caminho vário.
Em coisas de coração
quem manda é a Natureza
e tem sempre uma razão
quando acontece beleza.
Nesse dia houve uma estrela
que num canto do céu sorriu
Mandou criar história bela
e a Natureza cumpriu.
Foi uma mãe que recebeu
o seu mais fino presente
quando nos braços acolheu
o calor do novo ente.
Ali mesmo se escreveu
esse pacto de ternura
que a todos nos envolveu
numa aura de candura
Sempre ligadas estareis
isso já está descoberto.
Porque o dia dezasseis
era mesmo o dia certo.
16 de Dezembro 2011
António Peciscas "
(* dezasseis = português europeu)
Obrigada António.




