Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil. A Lei Federal, finalmente foi aprovada em 2022. Flavia faleceu em março de 2026, depois de ter vivido 28 anos em coma. Vou continuar escrevendo neste blog, Em memória de Flavia.
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Lidando com necessidades especiais

- 16 de janeiro de 2009
Imagem retirada do blog Caminho Livre

O mundo foi feito para pessoas saudáveis – aquelas sem necessidades especiais. Quando uma pessoa nasce deficiente ou tendo nascido saudável como no caso de Flavia, devido a um acidente passa a necessitar de todo um mundo adaptado à sua volta, as dificuldades são enormes.

No prédio onde morávamos em Moema, não existiam rampas e os degraus eram um obstáculo à cadeira de rodas de Flavia. No apto. os banheiros eram por demais pequenos e o banho de Flavia tinha que ser dado em uma banheira de plástico – dessas de bebê, que mandei fazer para ela. Mas tínhamos que colocar a banheira no quarto e enche-la com água carregada em baldes que levávamos um a um. Eu e a auxiliar de enfermagem dávamos o banho em Flavia ali mesmo no quarto, segurando-a como um bebê, com nossas costas curvadas e a doer. Para retirar a água da banheira após o banho, de novo, enchíamos os baldes e levávamos até o banheiro em frente ao quarto de Flavia. Pelas portas estreitas do apto. mal passava a cadeira de rodas. E não foram poucas as vezes que tive dificuldade de entrar com Flavia e sua cadeira, em consultórios médicos, com portas não adaptadas às necessidades de seus pacientes. Em uma dessas consultas, Flavia ficou literalmente “entalada” na porta até que a muito custo conseguimos passar.

Para resolver este problema no apto. onde hoje moramos, mandei alargar todas as portas, de forma a passar com uma certa folga com a cadeira de rodas de Flavia. E o banheiro do quarto dela, também recebeu adaptação.

As ruas do mundo são bastante hostis para quem precisa se locomover em uma cadeira de rodas. Mas alguma melhora certamente houve. Aqui no Brasil, os prédios mais novos são obrigados a ter rampa de acesso para cadeira de rodas. E já se vê o deficiente físico ser respeitado, em lugares onde antes era esquecido. No entanto, muito ainda há para ser feito para facilitar a vida das pessoas com necessidades especiais.

Mas quem fala com muita propriedade sobre acessibilidade é o advogado João Vicente Laviere, do blog CAMINHO LIVRE, um blog que indico pela seriedade e competência com que este tema é tratado.

Até o próximo post.
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