Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

As amigas e os amigos de Flavia - 4

- 12 de fevereiro de 2012


Conforme convite que lhes fiz em 25 de setembro de 2011, publico hoje a participação da leitora Jeni, do Rio de Janeiro.

"PARA CADA UM DE NÓS LIBERDADE DE TER OU NÃO TER CONVICÇÕES

Passo muitas vezes por este blog, nem sempre comentando, mas lendo não só os posts de Odele como os comentários deixados por outros leitores.  Me sensibiliza a forma como a maioria desses comentários expressam sua solidariedade para com Odele e Flavia. Alguns desses textos, fazem recomendações à Odele, sugerindo-lhe atuações capazes de libertaram a sua filha do coma vigil que a afeta há mais de 14 anos.  Com frequência, há recomendações que assumem o carater de pregação religiosa, que insinuam que a Odele não tem sido suficientemente crente para que o milagre se produza, e Flavia volte a ser saudável.

Pelo que fui lendo neste blog, a Odele, depois do terrível acidente, e durante bastante tempo, tentou tudo e mais alguma coisa. Desde medicinas convencionais e alternativas, a religiões diversas, tudo ela experimentou, sempre com a esperança de ver retornar a sua filha. E isto mesmo apesar de desenganada pelos mais competentes neurologistas que trataram do caso da Flavia. É pois, bem compreensível que, com o decorrer do tempo, a Odele fosse acumulando desilusões com todas essas tentativas. Assim, - deduzi pelo que venho lendo no blog - deixou de ensaiar mais hipóteses, para não ter de sofrer mais desilusões.

Por tudo isso, quando leio mais uma dessas recomendações (bem intencionadas,é claro) que apelam para mais fé da Odele, não deixo de pensar que ela faz pensar numa culpabilização desta mãe que já leva uma grande dose de sofrimento.

Respeitando-se qualquer opção pessoal de caráter filosófico ou religioso, há que deixar espaço a quem não segue nenhuma dessas convicções ou segue outras bem distintas.  Aliás, e desculpem-me a franqueza, ao fim de tanto tempo, se qualquer divindade quisesse ou pudesse ter curado a Flavia, já o teria feito, pois já muito e muito foi pedido nesse sentido.

Me desculpe, Odele, este desabafo, que aqui deixo como leitora e amiga, que correspondendo ao seu apelo de participação, expressa um sentimento que muitas vezes me tem acometido quando leio alguns comentários dos seus leitores.

Jeni - Rio de janeiro - Brasil "


Obrigada Jeni por sua participação, nesta série "As amigas e os amigos de Flavia". E concordo com você. Há que se respeitar a crença de cada um, qualquer que seja ela. Há que sermos tolerantes com pessoas que pensam diferente de nós. De minha parte, só não tolero a falta de amor.

Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

11 comentários

  1. Tal e qual e eu que acompanho há anos e leio comentários (bem tencionados como o texto refere) fico sempre com o estômago encolhido, porque Odele que tem sido uma mulher e mãe com M grande não é lamechas e imensamente tolerante e coerente e compreensiva. Qual é a mãe que não faz tudo pelo filho? e por vezes esse conselhos que não tem fé suficiente no quer que seja provoca sempre efeito contrário...tal como quem está a passar fome, em vez de lhe darem um prato de comido, dão-lhe um conselho religioso...mas alguém vive apenas disso?
    O que Odele precisa é que estejamos do lado dela contando ou falando em coisas que a distraiam e sobretudo lutar por mais esta etapa que ela própria pôs como meta: a LEI FEDERAL e cá vou fazendo pressão nos respectivos organismos.

    Gostei imenso deste texto que subscrevo inteiramente e enquanto puder jamais largo a mão de Odele e de Flavia e tento fazer o que posso e todos juntos façamos por manter "uma roda em torno de ambas".

    Beijos Jeni, Odele e uma chamego gostoso em Flavia do lado de cá do oceano.

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  2. fabulosa fabuladora12 fevereiro, 2012

    ... entretanto, acho que as pessoas não fazem por mal. Muitas vezes, as pessoas são até mal-interpretadas quando escrevem (de um modo geral).

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  3. Odele
    receba o meu afeto, meu respeito e consideração.
    Jeni... recebe o meu respeito por suas sábias e bem colocadas palavras.
    Independente da fé que a pessoa tenha, penso que é preciso muito discernimento quando tratamos da vida dos outros.
    Especialmente, do sofrimento dos outros.
    Para mim, Odele é uma pessoa de Fé na medida em que abraça esta situação dolorosa com amor, com determinação, fazendo O QUE PRECISA SER FEITO.
    Isso pra mim é fé.
    Encontro pessoas de muiiiiiita fé, mas que por muito menos, desistem, desanimam, faltam com a caridade e a paciência.
    Creio que precisamos compreender que a vida não é simples, não é fácil e que os problemas fazem parte dela.
    Injustiças infelizmente fazem parte da vida.
    Situações como a da Flávia também.
    Mas por tudo isso é que eu admiro a Odele e a própria Flávia, que do jeito dela, busca viver.
    Que este testemunho vivo de força, de empenho pra viver dias melhores nos tire do comodismo, das lamúrias e nos ajude a sonhar e fazer uma história de vida diferente.

    querida Odele, perdoe-me o testamento, rs...
    Fique a vontade para publicar ou não.
    Deixe meu carinho para esta mocinha linda.
    e pra você meu total respeito e admiração.

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  4. Depois de ler o texto da Jeni e os comentários anteriores, tenho de concordar com todos eles.
    De facto, a vida não é fácil e , por isso, nunca devemos cair na tentação de nos julgarmos donos da verdade toda.
    Poderemos, como diz a Jeni, ter as nossas crenças, mas, com a tolerância que sempre deve regular as nossas relações com os outros, não devemos impô-las. Poderemos, isso é admissível, tentar cativar os outros para as nossas ideias, mas sempre com a humildade de quem nunca pode ter a certeza de ter a verdade absoluta.No caso da Odele, ela é, concordo, um exemplo de FÉ. Fé no amor, fé na coragem, fé na perseverança. E se essa FÉ não permite, infelizmente, acordar a Flavia, faz com que ela seja cuidada e mimada todos os dias de modo tão profundo como enternecedor.

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  5. Odele,
    Parabenizo pela postagem do texto da Jeni. Muito oportuno, esclarecedor e atenuador. Confesso que explana - com muita sabedoria - os fatos a serem percebidos na comovente história da filha Flávia e da mamãe Odele. E como você explicitou: "Só não tolero a falta de amor". Então, que o amor ao próximo seja uma prática constante... até no entendimento de como se vive uma história. Desejo muita luz, para você e para a Flávia.

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  6. ola amiga
    from Turkey
    bom dia
    http://laracroft3.skynetblogs.be

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  7. Oi Odele, me chamo Daniele tenho 22 anos, quero que voce saiba que eu torço muito por voces e peço a Deus que ele ilumine suas vidas!


    Um abraço muito forte que Deus esteja contigo!

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  8. Odele
    Tenho acompanhado este blog há alguns meses, Tenho um irmão que está em coma há 1 ano e 4 meses e está internado a quase 2 anos, devido a complicações de um transplante agravado por erro médico que o levou ao coma vigil o disgnóstico médico é o pior possível segundo os neurologistas é irriversível. Ao ler suas cartas para Flávia sentir como se fossem arrancadas as cascas de feridas que eu achava que estavam cicatrizadas,e olha que não sou mãe, apenas irmã. A minha mãe, meu irmão e eu nos reversamos para acompanhá-lo no hospital durante as 24 horas,compreendo um pouco da sua situação. li o texto da Jeni e os demais comentários, como atravesso a mesma situação posso dizer com propriedade em momentos como este o que sustenta e nos impele a seguir em frente é a fé. Neste momento estou acompanhando meu irmão no hospital e ao observá-lo neste leito, digo a todos se estou aqui hoje é porque Jesus e nossa Senhora tem me sustentado até aqui.Eu creio que acima dos diagnóstico humano está o de Deus e é neste que eu espero.

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  9. Olá, Odele!
    Sou do Rio, tenho 45 anos e passei por um sofrimento muito grande quando minha mãe ficou em coma por 14 meses antes de falecer. Quatorze meses!!! Para mim foi um tempo longo demais... E agora soube de sua Flávia, que está nessa situação há 14 anos! Sei bem como é o dia a dia de quem tem que cuidar de um ente querido em coma! É desgastante! É triste! Com o decorrer do tempo, por um instinto de sobrevivência, eu fui tocando a minha vida, criando meu filho que ainda era um bebê... As vezes até sorria, ria de piadas... Mas, por dentro, morava uma tristeza sem fim... Nunca fui religiosa, mas acabei por me envolver com promessas de curas milagrosas... Tudo em vão... Acho até desumano que pessoas cheguem até você e insinuem que sua filha estaria lúcida se você tivesse fé! Nao dê ouvidos a essa gente, Odele! Continue cuidando de Flávia, a alimentando, cuidando de sua pele e cabelos, você é mãe, e ela é sua filha, nao importa se ela nao lhe responde, se nao se levanta. Amor de mãe é assim mesmo! Dá sempre e nao espera nada em troca... Sinto que Flávia, em algum cantinho de seu ser percebe o imenso amor de sua mãe e se sente confortada por isso. Fique em paz!

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  10. Bom dia Odele, realmente não tinha conhecimento do risco oprovocado por ralos de piscina e agora fiquei horrorizada com algo que na teoria seria tão simples em ser resolvido. Aqui no tocantins não tive notícias de incidentes provocados por esse fato em específico, mas o alerta e a sua luta, tem q ser de todos nós. Pois tudo bem que nossas crianças estão mais suscetíveis a acidentes dessa natureza, mas adultos (como os casos que vc expos nos posts acima) também são pegos de surpresa e acabam perecendo. Deixo aqui um gd abraço a Flavia e peço a Deus que continue te dando forças nessa sua nobre missão. sendo que me coloco a disposição, deixando-a a vontade para me "acionar" e somar forças nessa sua batalha
    boa semana e que Deus te abençoe

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  11. Eu li um artigo da Vera Ghimel falando sobre a desconexão que às vezes ocorre dependendo do trauma na malha que liga o consciente ao inconsciente. Ela é uma médium muito especial e já efetuou procedimentos parecidos de cura. Você pode procurá-la e quem sabe conversar sobre o caso da Flávia. Não quero deixar meu nome, porque não quero ser julgada por isso ou aquilo. Só queria fazer essa informação chegar até você. Não sei qual é sua religião, ou fé, mas enfim, senti que deveria compartilhar isso. Deus abençoe vocês. http://www.veraghimel.com.br/
    Não sou nada da Vera... ela nem me conhece. Um abraço e muita força na caminhada.

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