Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

CORRENDO ATRÁS DE JUSTIÇA.

- 13 de maio de 2007
Num post anterior, eu falei da batalha judicial a que eu estava disposta a enfrentar para fazer valer os direitos de Flavia.

O relato que faço a seguir tem por objetivo mostrar as dificuldades que por vezes existem, em se encontrar bons advogados que aceitem defender nossos direitos, principalmente se a causa lhes parecer “um pouco complicada”. Há também a questão financeira. Nem sempre os advogados aceitam trabalhar para receber seus honorários depois, caso o processo seja ganho na justiça. Se perceberem então que o caso levará anos até que seja resolvido, diminui a possibilidade de que aceitem nos defender. Talvez seja este um dos motivos porque muitas pessoas desistem de exercer os seus direitos. Acredito no entanto, que o motivo maior pelo qual muitos não recorrem à justiça, é por acreditarem que não adianta, porque os mais fortes sempre acabarão levando vantagem, e que tudo “acabará em pizza”, como se diz por aqui.

Concordo que fácil não é. Mas se pensarmos que correr atrás, e lutar pelo que nos é devido, não adianta, é bom termos em mente que ficar passivos e de braços cruzados, vai adiantar menos ainda. Se mesmo lutando a vitória é duvidosa, a inércia e o conformismo farão com que a derrota seja uma certeza.

Pois bem: Convencida de que não mais adiantaria insistir com o síndico do prédio para que me ajudasse a receber o seguro de responsabilidade civil existente no condomínio, decidi abrir um processo, não só para receber o seguro, como também para apurar responsabilidades no acidente. A primeira tentativa de encontrar um advogado foi inglória. O profissional que me foi indicado, após ficar por quase quatro meses “analisando” toda a papelada que eu possuía a respeito do acidente, me telefonou e disse num tom de enfado:

- Dona Odele, vamos entrar com o processo, mas sinceramente eu não sei como vou provar que sua filha teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina.

Imaginei o processo de Flavia administrado com essa falta de entusiasmo e de envolvimento, e percebi que era melhor não seguir com esse advogado. O homem, ao ser solicitado a me devolver os documentos, não se fez de rogado e me disse que mandasse retirar a papelada em seu escritório. Fui o mais depressa que pude e voltei para casa imaginando com quem mais eu falaria para obter indicação de outro advogado.

Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

18 comentários

  1. Querida Odele, não dá nem para imaginar o sofrimento de uma mãe numa situação dessas... E infelizmente os advogados (ou a maioria deles) não funcionam com o sentido de justiça em primeiro lugar, mas o que muitas vezes conta mesmo para eles é saber que é um processo ganho e o dinheiro que vão ganhar com isso...

    Beijo grande!

    Ontem foi o Dia da Mãe no Brasil, por isso te desejo muitas felicidades!

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  2. Querida Odele, nao desanime, infelizmente na vida encontramos estradas multiplas, muitas vezes encontramos advogados que se formaram para fazerem dinheiro rapido sem o minimo de pudor, lamentavel mas é assim. Apesar de que existem ainda na classe poucas mas pessoas honestas e creio que mais cedo ou mais tarde iras encontrar.
    Uma excelente semana para ti querida.
    Big Kiss

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  3. Deixo aqui um grande beijo....!
    Deixo aqui o desejo de tudo de bom!
    Para todos, para todo o mundo.

    Até breve
    SE DEUS QUISER

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  4. Minha querida amiga, infelizmente os advogados deste mundo, são o que são, (não todos, é claro) mas contam-se pelos dedos, os que realmente querem ajudar, sim pois é disso que se trata.

    Muitos deles vão para advogados, pelo protagonismo, pelo dinheiro, não pela arte de se fazer justiça, pois a justiça, vem em último caso.

    Beijos para a Flávia, e para si minha querida amiga, do beezz

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  5. Olá! Só passei por aqui, de raspão, por acaso. Ainda não li muito... mas prometo voltar. Força.
    Até uma próxima.
    Um abraço grande para a Flávia. :)

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  6. Olá,sou a Cláudia de Portugal,Lisboa. Este blog comoveu-me, é preciso ter força para estar numa situação dessas. Pelos vistos não lhe falta. Espero que tudo corra bem, p melhor possivel.

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  7. Vera,
    Nest post conto o início de minha busca por advogado mas ao final eu encontro.O que relato neste posto aconteceu em 1998. E esta é uma longa história que aos poucos vou tornar conhecida. Beijos.
    ====
    águas da vida,
    "....mais cedo ou tarde irás encontrar..." Só para esclarecer. O que relato neste post aconteceu em 1998. Mais adiante verás que ao final encontrei um ótimo advogado. Ainda vou falar sobre isso. Beijos.

    Beezz,

    Vale a mesma resposta para Vera e águas da vida. A dificuldade de encontrar um advogado foi inicial depois acabei encontrando.Beijos.

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  8. Vivemos num mundo imoral.
    Quem quer, não consegue. Quem pode não se esforça ou, na maioria das vezes, nem quer.

    Justiça é um conceito nobre sujeito à arbitrariedade de inúteis ou, quantas vezes, muito mais do que só inúteis.

    Um abraço

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  9. Querida Odele,
    ..o que li aqui sobre advogados, e sem querer genarilizar, fez-me lembrar o que se passou quando perdi o meu emprego...é certo que acabei por ser idemenizada, mas por metade do justo valor. Sabe como eu costumo dizer o mais fortes ganham sempre, e no meu caso acho que o advogado estava combinado com o meu patronato...
    A partir de então tenho muita dificuldade em acreditar na justiça...

    Um beijo grande para ti e outro para a Flávia!

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  10. Ah..apesar de tudo, não deixe nunca de lutar!!!

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  11. Querida Odele,
    Foi com grande choque que li partes do seu blog. Sou aluna de Enfermagem do ultimo ano em Portugal e nos ultimos três anos dediquem algum do meu tempo livre aos doentes que por um motivo ou outro entraram em estado de coma. É um mundo onde todas as palavras não chegam para definir quer a ansiedade dos que os rodeiam quer a incerteza do futuro. Este ano irei fazer uma partilha com outros enfermeiros onde lhes vou falar da minha experiencia com as familias destes doentes. Assim, venho por este meio solicitar-lhe que coloque alguma coisa no seu blog acerca da importância que é para os pais, mães ou mesmo maridos e filhos estarem perto dos seus familiares queridos nestas alturas e o papel dos enfermeiros que ao longo destes anos a rodearam. Em Portugal há Hospitais que permitem que os familiares (enquanto os doentes estão internados) ajudem na prestação de cuidados mas há outros que não. é importante para nós saber o que sentem e o que pensam estes familiares acerca desta realid
    ade. E até mesmo saber como é em outros países. Sem que não é fácil nem justo o que lhe estou a pedir pois o que conta acima de tudo é a sua filha. Mas acredite que eu tenho esperança e fé que ela recupere. Ficarei a torçer por ela e falarei dela a outras pessoas para que, todos juntos façamos força para que ela recupere.
    Muito Obrigada.

    Carla Coimbra

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  12. Uma pequena gaffe a minha, perdoe nao havia entendido que se tratava de um relato do passado, na verdade devo confessar, visito tantos blogs e muitas vezes leio em correria e acabo deslizando muitas vezes, terei que diminuir minhas visitas e visitar com maior atençao os blogs de amigos(as)com maior atençao!!!

    Querida amiga desculpe a ausencia por motivos de conexao, minha linha adsl nao estava bem, agora o problema foi resolvido.
    Uma excelente quinta-feira.
    Big Kiss

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  13. ... és mesmo uma mulher de força ...


    beijinhos para ti

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  14. Carla,

    Sua solicitação será o tema de meu próximo post.
    Um beijo.

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  15. Odele

    Não fique triste.

    Vou contactar um amigo que tenho no Brasil.

    Se ele tiver como ajudar dir-me-á.

    Quando ninguém crê em nós há sempre Alguém que não desiste de nós.

    Beijos para vocês.

    Alexandra Caracol

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  16. Alexandra,

    Agradeço por sua bondade, mas o que estou relatando aconteceu em 1998. Felizmente no inicio de 1999 encontrei o advogado que desde então defende Flavia nos tribunais.
    A demora no desfecho dos processos judiciais no Brasil é de responsabilidade dos juízes e não dos advogados. O advogado pode ser brilhante mas dependendo da atuação do juíz a causa pode ser perdida e repito, não por culpa do advogado mas do juíz.

    Um beijo.

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  17. Minha querida visitinha para desejar um excelente final de semana.
    Big Kiss

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  18. Odele, as injustiças ainda por cima são pagas (advogados feitos e sem escrúplos).
    Uma justiça que agonia diariamente quem sofre.

    Continue e força

    bjs
    Mário

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