Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.
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Pessoas em coma: A importância da música e da voz humana.

- 6 de março de 2010
Tempos atrás publiquei aqui um post onde contei que Flavia tocava teclado e que participava de apresentações públicas em audições organizadas por sua escola de música, a Harmony Music Center de Moema, bairro onde morávamos em São Paulo.

Este livro, CUIDAR DE PESSOAS e MÚSICA, - Uma Visão Multiprofissional, eu tive o privilégio de receber de presente da autora, a Dra. Eliseth Ribeiro Leão (*). Li  encantada este livro que  aborda o tema da música no cuidado humano,  a música no controle da dor crônica, a música e a criança hospitalizada, cantoterapia, etc. É uma obra maravilhosa, uma referência para profissionais da área da saúde em geral.

(*) Eliseth Leão é graduada em Letras e em Enfermagem. Diletante musical, iniciou em 1996, seus estudos sobre a influência da música na saúde humana. Realizou seu mestrado e doutorado pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, sobre a utilização da música no controle da dor. Concluiu seu pós doutorado relacionado à música, e idosos institucionalizados junto à Universidade Marc Bloch (Université des Sciences Humaines de Strasbourg, na França). É fundadora do Projeto, Uma Canção no Cuidar, palestrante nacional e autora de diversas publicações, entre elas os livros Dor, 5º. Sinal:reflexões e intervenções de enfermagem (Martinari) e Qualidade em Saúde: indicadores como ferramentas de gestão (Yendis).

Fonte: Orelha do livro de Dra.Eliseth que também é  Coordenadora de Ensino e Pesquisa
Sociedade Hospital Samaritano - SP

No livro da Dra.Eliseth, há um capítulo dedicado a pacientes em coma (autoras: Ana Claudia Puggina e Maria Julia Paes da Silva)  e fiquei contente ao perceber que desde o acidente venho praticando com Flavia , - por intuição - os ensinamentos com relação à influência da música e da voz humana em pessoas em coma.

Desde que Flavia deu entrada na UTI mais de 12 anos atrás, tive o cuidado de colocar música para ela ouvir. Com um fone de ouvido em volume suave, eu colocava as músicas que ela gostava, como por exemplo, de Roberto Carlos e da dupla Sandy & Júnior. E quando saiu da UTI e foi para o quarto do hospital onde ficou por quase um ano, pelo menos uma vez ao dia, do trabalho eu telefonava e pedia para que a auxiliar de enfermagem colocasse o telefone no ouvido de Flavia e eu “conversava” com ela. Embora com o coração destroçado, por entre as lágrimas eu lhe falava de coisas positivas e cantarolava uma de suas músicas preferidas. E mesmo sem receber resposta verbal de Flavia, eu “sentia” que o som de minha voz falando com ela ou cantando para ela, era algo positivo e lhe fazia bem.

Passados mais de 12 anos, e com minha filha infelizmente ainda em coma, continuo dando enorme importância aos sons que Flavia ouve. Oriento as auxiliares de enfermagem a falar com Flavia sobre os procedimentos que vão realizar com ela: Por exemplo:

- Flavia, vamos agora escovar seus dentes, pentear seus cabelos, trocar sua roupa. Oriento também que sempre que for preciso tocar seu corpo, fazê-lo de forma delicada, cuidadosa, respeitosa. Pedir licença, dizer bom dia e até logo.

Não falar muito alto perto dela, não bater portas, e procurar criar um ambiente ao seu redor, de atenção e cuidados, de calma e tranqüilidade. De amor e paz. Para isso, procuro estabelecer uma relação de afeto com os profissionais que trabalham com minha filha.

Seleciono com cuidado as músicas que coloco no pequeno aparelho de som de seu quarto. À noite, quando a auxiliar de enfermagem deixa o plantão, e sou eu a cuidar de Flavia, coloco no aparelho de som, no computador ou no seu pequeno Ipod, as mensagens de voz de nosso amigo António Peciscas, de Portugal, cuja voz doce e carinhosa, é uma canção de ninar para Flavia.

Passado um tempo, eu também adormeço no quarto ao lado. E não demora muito eu e Flavia, de mãos dadas, saímos voando pelo mundo afora. Eu e ela. Livres... Livres...

Um abraço a todos e até o próximo post.
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