Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.
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INFORMAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO

- 23 de novembro de 2007
Hoje transcrevo aqui, no blog de Flavia, um texto escrito por Maria Alice Miller, Designer de Interiores e moradora do Rio de Janeiro - Brasil. Este texto foi extraido do blog Casa con Design e tem o mérito, além de ter sido bem escrito, de mostrar o interesse de uma pessoa, que por conta de sua profissão, poderá opinar e alertar seus clientes no momento da compra e da instalaçao do equipamento de sucção de suas piscinas. Maria Alice, por ter lido os posts do blog de Flavia tomou conhecimnto de um perigo que não sabia existir, o dos ralos de piscinas mal dimensionados, mal vendidos, mal instalados. Informação e conscientização sobre o perigo existente nos ralos de piscinas, são de fundamental importãncia para que novas tragédias possam ser evitadas.

Com vocês, o texto de Maria Alice.

"Estamos num blog de design, decoração, interiores, tudo bonito e "pra cima". Mas creio que existem algumas coisas na vida que a gente não pode simplesmente deixar de lado e fingir que não existem. Principalmente em se tratando da história de Flávia, uma jovem de 19 anos que vive em estado de coma devido a um acidente que sofreu em uma piscina - um dos itens mais desejados por quem curte casa e interiores bonitos... Conheci a história de Flávia (e ainda a estou lendo, post a post), através do blog Querido Leitor, de Rosana Hermann, que visito diariamente. Rosana fez um post sobre o blog que a corajosa mãe de Flávia, Odele Souza, mantém desde janeiro deste ano, objetivando alertar para os perigos ocultos em ralos de piscinas, protestar e denunciar a lentidão da justiça brasileira em condenar os culpados.

Aos 10 anos de idade Flávia era uma menina bonita e saudável, como tantas outras em todo o país. Numa tarde, foi à piscina de seu edifício em São Paulo, no bairro de Moema - acompanhada de seu irmão, e seus cabelos foram sugados pelo ralo da piscina, pois a bomba do filtro estava superdimensionada para o tamanho da piscina. Ela ficou submersa, sem respirar, e teve uma parada cárdio-respiratória. Após ser retirada da piscina, foi levada a um hospital e não se recuperou do estado de inconsciência em que vive há quase 10 anos.Logo após o acidente, cheia de despesas médicas, Odele solicitou ao síndico do edifício onde morava o pagamento de seguro contra acidentes pessoais, e não foi atendida, pois tal pessoa alegava que, se fizesse isso, o condomínio estaria reconhecendo sua culpa. Neste ponto, Odele percebeu que o que aconteceu à Flávia não foi apenas um acidente, mas negligência.

 A bomba do filtro da piscina foi trocada pelo condomínio do edifício por um modelo mais potente que o indicado para o tamanho da piscina, e o fabricante, a Jacuzzi do Brasil, não tem nenhum alerta a respeito em seus manuais de produto. Foi então que ela decidiu começar sua luta, que dura até hoje. Foi um duro caminho até encontrar um advogado que aceitasse o caso, mas felizmente ela o encontrou, e a ação na justiça foi impetrada contra o condomínio do edifício - que instalou um mecanismo de sucção na piscina de forma indevida - contra a AGF Seguros - para receber o seguro contra acidentes pessoais, que acabou sendo pago, um ano e onze meses depois, sem juros nem correção monetária - e contra a Jacuzzi do Brasil - que vendeu o equipamento sem fazer constar em seus manuais nenhum alerta ou ressalva a respeito de sua potência.

O processo está na justiça de São Paulo desde 1999, onde já recebeu duas sentenças que não condenaram os réus a pagar a Flávia uma indenização condizente com a gravidade do acidente que sofreu. O processo está indo para Brasília, onde Odele espera que os juízes analisem os autos - onde constam vários laudos periciais indicando a causa do acidente - e condenem os réus de forma satisfatória.Estive no site da Jacuzzi, que já inclui pelo menos em duas páginas - aqui e aqui - a informação de que a configuração da grade de seus ralos "evita o entalamento de dedos, brinquedos e outros objetos". Há também um outro alerta na página sobre ralos, que diz o seguinte: "Por segurança, para que nenhum usuário corra o risco de ficar preso à grade sugado pela bomba do filtro, nunca se deve instalar um único ralo de fundo isoladamente. Deve-se adotar um dos seguintes procedimentos:(...)". Trata-se de um sinal de que a empresa reconhece que o perigo existe, mas não o destaca como deveria, nem menciona que cabelos compridos são mais fáceis de ficarem enroscados ao sistema de sucção, se ele não for bem dimensionado.

O blog mantido por Odele já correu o mundo, mas ainda é pouco acessado no Brasil. De Portugal vieram os maiores apoios e também notícias de outros acidentes ocorridos em todo o mundo, inclusive com mortes. São crianças e mesmo adultos, que têm partes de corpos sugados, e que sofrem mudanças trágicas em sua vida, que poderiam ser evitadas. Aqui no Brasil há o caso de duas mulheres que sofreram o mesmo acidente de Flávia (foram sugadas pelos cabelos), em uma piscina de um motel, e que vieram a falecer.

No blog de Flávia há diversos casos relatados e documentados. Acho importante divulgar a história de Flávia, tanto para que vocês visitem o blog e dêem seu apoio a Odele, quanto nós precisamos saber que aquilo que deve ser só prazer - uma bela piscina em casa, ou em seu condomínio - pode ter um lado sombrio pouco divulgado. É importante que a gente saiba que é necessário contar com profissionais para projetar ou reformar uma piscina, e que estes profissionais devem ser informados sobre inúmeros detalhes desta construção pelos fornecedores e fabricantes de equipamentos que fazem a piscina funcionar perfeitamente. Afinal de contas, a Jacuzzi, uma das maiores e mais respeitadas fabricantes de produtos para piscina no Brasil está sendo processada por não orientar corretamente sobre a adequação dos equipamentos que fabrica para piscina. Finalmente, creio que, como cidadãos, temos o dever de pressionar a justiça brasileira para que mude, e mude muito. É necessário mais que "apressar um processo": é preciso que a justiça sirva de fato a quem precisa. Flávia tem uma mãe esclarecida e obstinada, que está tentando garantir que os responsáveis pelo atual estado de sua filha paguem pelos cuidados médicos que ela necessita.

Mas quantos brasileiros não chegam nem perto da justiça, por se saberem fracos e totalmente despreparados para sequer atuar junto a uma defensoria pública num caso sério, que envolva pessoas ou empresas com poder? Quantos processos encravados no judiciário têm que permanecer desta forma até que a justiça brasileira seja reformada de modo a atender rapidamente pleitos corretamente elaborados e comprovados?

 PS.: O nome do blog de Flávia é o FLAVIA, VIVENDO EM COMA, onde há informações o completas sobre o caso, constando inclusive o número do processo, laudos periciais e várias notícias de acidentes parecidos em todo o mundo.
Publicado por Maria Alice 18:05:17"
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