Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

Silêncio, atenção e ternura

- 19 de agosto de 2015
Flavia e sua Técnica de Enfermagem Débora. Cuidado e Ternura.

Todos os dias, quando o tempo permite, Flavia é levada ao jardim do prédio. É o seu passeio mais longo, já que sair de casa com ela nas condições em que passou a viver, é algo bastante difícil e perigoso para ela, já que precisa ser aspirada com frequência. Essas aspirações se devem principalmente pelo fato de, com o acidente,  Flavia ter perdido o reflexo de deglutição. Sem as aspirações frequentes, ela sufocaria. Dos cuidados que precisa ter para se manter bem, as aspirações via traqueal, fazem parte dos procedimentos mais delicados e desconfortáveis para Flavia. 

Quando desce para o jardim do prédio Flavia é vestida como qualquer moça da idade dela. E como qualquer moça de sua idade, Flavia usa vestidos, minisaias, shorts,  sandálias, tênis ou botinhas. Usa gargantilhas, pulseiras e enfeite nos cabelos. E óculos de sol para lhe proteger os olhos sensíveis da claridade excessiva. Talvez eu nunca consiga escolher para minha filha exatamente a roupa e os acessórios que ela gostaria de usar naquele determinado dia, mas é o que dá pra fazer, é o que é possível, é o que a vida nos permite ter. 

Todas as manhãs, quando escolho a roupa que minha filha vai usar durante o dia ou mesmo a camisola que depois ela vai usar quando for colocada de volta em sua cama,  sinto um nó no peito e me pergunto se Flavia pudesse escolher, se usaria aquela roupa que a mãe escolheu. Um nó no peito, nunca desfeito porque eu fazer as coisas por Flavia é nossa rotina diária. 

A rotina dolorosa é amenizada pela ternura de alguns dos profissionais que me que ajudam a cuidar de minha filha. A moça  na foto com Flavia é Débora, técnica de enfermagem que há pouco mais de dois anos, em dias alternados, cuida de Flavia com muita competência, atenção e carinho. É quando consigo sair um pouco de casa, porque sei que com Débora, Flavia está bem cuidada.

Não basta cuidar, é preciso cuidar bem. Está em nossas mãos (e coração) fazer com que a pessoa que depende de nossos cuidados para sobreviver, tenha um sobrevida digna. Colocar AMOR em tudo que fazemos faz toda a diferença.


Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

6 comentários

  1. Gostei muito de te ler Odele e de saber de Flávia, de saber que continua a fazer os seus passeios até ao Jardim. De certeza que com teu bom gosto e tanto amor Flávia se sentirá bem com tuas escolhas. O amor é o mais importante da vida e ela sente o teu com toda a certeza. Beijinho grande para as duas.

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  2. Sempre que posso venho ver seus posts . Há três anos perdi meu pai e passei com ele por 4 meses o que vc passa com a Flávia por todos esses anos, tudo o que vc relata que ela passa ou passou eu e meus familiares passamos com ele . Nunca me esqueço de vc e da sua filha , sei a dor que sente . As vezes fico tentando entender o pq disso, o pq q as pessoas entram nesse tipo de coma,até hoje me pergunto todos os dias , mas só Deus mesmo para ter a explicação. Que a paz e todas as bençãos do mundo recaia sobre vcs. Um abraço e um beijo para a Flávia.

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  3. Sinto-me imensamente feliz em ler sobre Flávia!
    Faz algum tempo que não leio suas postagens, mas me lembro constantemente do amor que é transmitido através da história de vocês!
    E de fato como escreveu nesse último parágrafo "Colocar amor em tudo que fazemos faz toda a diferença."
    Carrego vocês no coração, um grande beijo e um enorme abraço nas duas!

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  4. Somos responsáveis pelo que cativamos, meu marido vive assim a 7 meses, e não tem um dia que eu não sonhe com seu sorriso e com seu beijo... Vivemos 8 anos de um amor recíproco. E agora só me resta a esperança, a fé e meu amor infinito.

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  5. Querida Odele, nunca me esqueço de vocês, desde a primeira vez que estive aqui. O amor com que você cuida de sua Flavia é sentido em cada palavra.
    Abracinhos floridos para vocês!
    Sue

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  6. Adoro ler seu blog e a força que passa. Ontem fui falar com meu cunhado e minha irma sobre os riscos em piscinas e eles debocharam de minha cara. Falei do caso de Flávia e de tantos outros. Espero poder ter plantado uma sementinha de conscientização. Pedi p eles se informarem mais já que tem 3 filhos. E tomarem mais cuidados.

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