Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

Lidando com necessidades especiais

- 16 de janeiro de 2009
Imagem retirada do blog Caminho Livre

O mundo foi feito para pessoas saudáveis – aquelas sem necessidades especiais. Quando uma pessoa nasce deficiente ou tendo nascido saudável como no caso de Flavia, devido a um acidente passa a necessitar de todo um mundo adaptado à sua volta, as dificuldades são enormes.

No prédio onde morávamos em Moema, não existiam rampas e os degraus eram um obstáculo à cadeira de rodas de Flavia. No apto. os banheiros eram por demais pequenos e o banho de Flavia tinha que ser dado em uma banheira de plástico – dessas de bebê, que mandei fazer para ela. Mas tínhamos que colocar a banheira no quarto e enche-la com água carregada em baldes que levávamos um a um. Eu e a auxiliar de enfermagem dávamos o banho em Flavia ali mesmo no quarto, segurando-a como um bebê, com nossas costas curvadas e a doer. Para retirar a água da banheira após o banho, de novo, enchíamos os baldes e levávamos até o banheiro em frente ao quarto de Flavia. Pelas portas estreitas do apto. mal passava a cadeira de rodas. E não foram poucas as vezes que tive dificuldade de entrar com Flavia e sua cadeira, em consultórios médicos, com portas não adaptadas às necessidades de seus pacientes. Em uma dessas consultas, Flavia ficou literalmente “entalada” na porta até que a muito custo conseguimos passar.

Para resolver este problema no apto. onde hoje moramos, mandei alargar todas as portas, de forma a passar com uma certa folga com a cadeira de rodas de Flavia. E o banheiro do quarto dela, também recebeu adaptação.

As ruas do mundo são bastante hostis para quem precisa se locomover em uma cadeira de rodas. Mas alguma melhora certamente houve. Aqui no Brasil, os prédios mais novos são obrigados a ter rampa de acesso para cadeira de rodas. E já se vê o deficiente físico ser respeitado, em lugares onde antes era esquecido. No entanto, muito ainda há para ser feito para facilitar a vida das pessoas com necessidades especiais.

Mas quem fala com muita propriedade sobre acessibilidade é o advogado João Vicente Laviere, do blog CAMINHO LIVRE, um blog que indico pela seriedade e competência com que este tema é tratado.

Até o próximo post.

Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

36 comentários

  1. Olá Odele,
    Deixo aqui uma palavra de solidariedade para si e para a Flávia, que continuam a ser um exemplo para tantas como nós!
    Aqui em Portugal a realidade é muito semelhante.
    Sentem-se algumas modificações, mas infelizmente ainda não são suficientes.
    Qualquer repartição pública ou edifício público é obrigado a ter rampa de acesso ou elevador e isto ainda não é respeitado (por exemplo: um dos centros de saúde da cidade onde moramos tem cerca de 30 degraus no acesso à entrada!). Em relação às novas construções para habitação: depende da legislação de cada município...
    Além dos obstáculos físicos ainda encontramos muita gente de má fé e sem respeito nenhum por este tipo de situações. Temos o lugar de estacionamento reservado a deficientes à entrada do prédio (que fomos nós que pedimos por causa do meu filho) - é raro o dia que não encontramos outra viatura estacionada indevidamente, mesmo depois de ter afixado um aviso no prédio e de já ter chamado a polícia algumas vezes!
    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Oi, Odele!

    Obrigada pelo carinho, querida!

    Bjim pra ti e pra Flavinha.

    ResponderExcluir
  3. Gracias a Dios en españa ese aspecto esta muy bien, parece mentira que un pais como brasil vaya tan atrasado en ese aspecto
    que paseis un feliz fin de semana
    saluditos

    ResponderExcluir
  4. Odele

    Esse é sem dúvida um dos grandes problemas do mundo que cria estereótipos e padrões para que todos girem à volta deles.
    Mas felizmente também aqui em Portugal algo vai mudando para melhor. Está longe do que se pretendia mas muito melhor do que já esteve num passado ainda recente.
    Vou aceitar a dica e visitar o blogue do teu amigo.

    Abraço

    ResponderExcluir
  5. Ainda existem muitas lacunas por preencher no que diz respeito a este assunto. Mais tem que ser feito, sem dúvida. Muitos beijos Odele, para todos vós, daqui.

    ResponderExcluir
  6. Há muito a ser feito! Acredito muito em mudanças.
    Beijos, amiga!!!
    Eliana.
    e-mail:mariaortizdamiao@superig.com.br

    ResponderExcluir
  7. Odele, quando fui síndica em um imóvel anterior ao que eu moro, tratei desse assunto (adaptação para os deficientes) e simplesmente ninguém deu importância.Acabei fazendo as adaptações da portaria com o meu pró-labore. Triste mundo o que vivemos.
    Beijocas

    ResponderExcluir
  8. Odele,

    eu conto aqui o que vejo em minha cidade. Não está perfeito, não é o ideal, mas começou a melhorar e muito, em BH muitos ônibus possuem elevador para cadeirantes, os passeios do centro comercial estão sendo reformados com sinais para deficientes visuais e com rampas para cadeirantes. Ainda é o começo, mas eu olho para estas mudanças satisfeita porque alguém está pensando nos deficientes, isso me conforta só um pouquinho.

    ResponderExcluir
  9. Odele

    E uma guerra sem fim, os empresarios de onibus, construtoras etc, fazem vista grossa e o governo se omite.

    Flavia, esta bem amparada Odele, vc e guerreira.

    Beijinhos nas duas e bom final de semana.

    ResponderExcluir
  10. É triste, pois acabamos negando um direito mais basico a uma pessoal, de ir e vir...

    Fiquem com Deus, meninas Odele e Flavia.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  11. Oi, Odele
    Este é um problema serio no mundo todo.As vezes tenho a impressão de que se quer burlar a lei. Em meu prédio há uma rampa na entrada de acesso ao bloco, há vaga para deficiente no estacionamento, mas nao há elevadores nem rampas de acesso aos andares. O cadeirante só pode morar no primeiro andar.
    Um ano mais justo e ameno para ti, querida
    beijo, menina

    ResponderExcluir
  12. Grande mamãe Odele , do qual nunca esqueço!
    Querida, grande é sua luta, mas seu coração não esmorece.Estais sempre cuidando para que Flávia tenha sempre o melhor!
    Sua luta incansável , está registrada aqui para servir de exemplo para todas nós.
    Realmente , o Brasil tem melhorado, mas precisa avançar muito da questão da acessibilidade . Não podemos fechar nossos olhos a isso.
    Um bom final de semana para ti e Flávia com muito carinho.
    Ray

    ResponderExcluir
  13. Puxa, Odele, que surpresa! E que honra!
    Sem falsa modéstia, não sei se mereço tanto, mas me sinto lisonjeado. Muito Obrigado!

    Um beijo grande a você e Flávia. Que 2009 traga novas esperanças e a tão aguardada Justiça!

    João Vicente

    ResponderExcluir
  14. sabes minha amiga Odele, tenho um amigo do blog JAVIER de NÃO HÁ QUEM VIVA ASSIM, de Espanha. A mamãe tinha sofrido um ACV, pelo que ficou em cadeira de rodas...jamais a pôde sacar à rua, tomar sol, visitar a igreja à que ela tanto sentia falta, faleceu.Os vizinhos se negavam a colocar rampas, elevador...Javi agora se foi a casa de amigos, depois do sucedido. Trabalha para que as pessoas com doscapacidades motoras, tenham o que por lei lhes corresponde---Não quero imaginame quando além do acidente, encontraste-te com semelhantes entraves...és uma mami especial...meus beijinhos e abraços para as duas!!!

    ResponderExcluir
  15. ....

    E por muito que ouçamos repetir o rosário de dificuldades, não só não se vêm acontecer modificações destinadas a facilitar a mobilidade de quem está diminuído, como até - o que é mais grave ainda - não se vê qualquer preocupação nesse sentido na realização das construções novas.

    Também aqui a insensibilidade dos poderes públicos, que deveriam dar o exemplo, se afirma pela negativa.

    Um beijo para a Flávia.

    Um abraço

    ResponderExcluir
  16. Olá Odele!

    Somos um zine virtual e gostaríamos de entrar em contato com você, pois temos interesse em publicar um de seus posts em nossa próxima edição.
    Poderia entrar em contato?
    Nosso endereço é atendimento@e-blogue.com.

    Um abraço
    http://e-blogue.com/blogs/

    ResponderExcluir
  17. Sem tempo pra comentar, mas sempre dando uma passadinha por aqui Odele.

    Beijo pra tí e pra Flavia

    ResponderExcluir
  18. Tudo são dificuldades para quem é deficiente, embora em Portugal já se esteja a fazer alguma coisa.
    Em casa e confrontados com familiares que se tornam "dependentes" não há apoios nenhuns para que se tranforme o seu interior de forma a melhorar.
    Há bem pouco tempo, aqui bem perto e num edífico público feito de raiz com escadarias, canteiros ou floreiras, blá, blá, por sinal bem bonitos - HOUVE O ESQUECIMENTO TOTAL PARA OS DEFICIENTES. Feitas as reclamações nada fizeram. Um grupo de cidadão anónimos e pás e picaretas derrubaram, fizeram e nenhuma autoridade os conseguiu demover da obra. O certo é que depois foi acabada pelos organismos competentes e num espaço recorde.
    Por vejos temos de passar das palavras à acção, com civismo tudo se consegue.

    Beijos e um em especial à tua/nossa flor mais bela

    ResponderExcluir
  19. Es verdad... la vida no es sencilla y encima hay que lidiar con cuestiones de accesibilidad...
    Gracias por compartir estos temas!
    Un beso grande Odele y otro para Flavia!
    Fabi y Valentina

    ResponderExcluir
  20. Ola Odele
    Imagino as dificuldades. Como se não bastassem a dor e os problemas da saúde da Flavia.
    Infelizmente esse é o País que vivemos. Todos os dias é uma batalha a enfrentar.
    Que Deus abençoe e proteja voces.
    Bjs em vc e na Flavinha.

    ResponderExcluir
  21. Costumo passar com certa frequência pelo blog do João e vou tomando conhecimento do muito que ele divulga sobre a problemática da descriminação do cidadão com necessidades especiais. De facto, já bastantes coisas foram feitas mas muito mais há a fazer.
    Quando a gente lida mais directamente com estas questões é que dá conta da indiferença com que são tratados estes cidadãos.
    Há anos, pertencendo à direcção da escola onde trabalhava, tive de andar a correr "Ceca e Meca" para que fossem construídas infra-estruturas necessárias à recepção de um aluno que se deslocava em cadeira de rodas. Porque não havia rampas de acesso às salas de aula e ao refeitório nem instalações sanitárias adequadas. E, mesmo assim, depois de muita luta, as obras que se fizeram foram um triste remedeio.
    Depois, quando a minha mãe esteve acamada, verifiquei a dificuldade em a tirar e repor em casa, quando tinha de ir aos tratamentos.
    Mas recentemente, com a doença de uma pessoa de família, também vi como as portas dos apartamentos, os elevadores, impedem que uma cadeira de rodas passe.
    Por tudo isso, imagino a luta qur tiveste de travar quando moravas em Moema, para cuidar devidamente da Flavia.
    Mas o muito que há a fazer para que o cidadão com necessidades especiais veja os seus direitos devidamente respeitados só poderá ter verdadeiramente sucesso quando todos estivermos verdadeiramente empenhados e ganhos para a premência das medidas que falta implementar.
    A tarefa não pertence apenas a quem, como o João, sente na pele as barreiras que , tantas vezes o limitam. É de todos!

    ResponderExcluir
  22. Muito foi feito aqui no Brasil mas, se não foi feito mais, é porque existe às necessidades deles primeiro, depois....

    Um beijão Odele/Flávia

    ResponderExcluir
  23. Querida amiga,
    aqui em Portugal também há muito a fazer nesse sentido. Só à alguns anos se começaram a fazer os prédios com as rampas que facilitam a passagem das cadeiras de rodas. Sei no entanto de vários casos de pessoas impossibilitadas de sair dos apartamentos quando querem, por falta de condições.

    Beijinhos para si e Flavinha,
    Ana Martins

    ResponderExcluir
  24. A verdade é que pouca gente pensa nessas coisas, até que um dia a própria deficiência, ou de alguém próximo, bate à porta. Eu mesma, só comecei a despertar para isso depois que minha sogra ficou presa a uma cadeira de rodas.

    Há muito que aprender nessa nossa vida...

    beijinho

    ResponderExcluir
  25. Odele minha querida

    Tenho um casal de amigos aqui no blogspot , a Denise BC e o Marcos Santos que estão sempre falando nesse tema pois eles tem um filho portador de deficiência.
    Eu fico muito irritada também quando vejo pessoas comuns usarem as vagas para carros de portadores de deficiências. Essas pessoas não tem sensibilidade alguma.
    visite o blog de Marcos Santos
    http://bocadiurna.blogspot.com/

    beijos

    Rose

    ResponderExcluir
  26. E eu em depressão por coisas tão menos importantes. Nem sei o que te dizer. Queria- como meu filho pede tanto- ter uma varinha mágica para retroceder no tempo. Toda a minha solidariedade, Odete.
    Um enorme beijo.
    Não sei, não sei o que te dizer.
    Você é muito forte!

    ResponderExcluir
  27. Felizmente começa a haver um despertar de consciências, por parte dos arquitectos para que as barreiras a quem de alguma forma é diferente sejam minimizadas mas ainda há um longo caminho a percorrer.Em casos como o de Flavia e outros deficientes motores, deveria haver apoios governamentais para que a sua vida fosse facilitada, mas como você diz vivemos num mundo para pessoas normais.
    Embora não esteja de acordo com a sua definição (questão de semântica)porque por uma pessoa ser deficiente não deixa de ser normal, direi que vivemos num mundo standarizado em que ser alto ou baixo, gordo ou magro pouco interessa desde que a média padronizada se encaixe nessas diferenças.
    O despertar de consciências, vai dando os seus frutos mas peca por as mudanças serem tão lentas, que quem delas necessita passa a maior parte das suas vidas sofrendo dificuldades de toda a espécie.
    Imagina o pobre do "Bola 7", fã incondicional de futebol,super-obeso encaixar em assento de avião, classe económica nas suas digressões pelo mundo.
    Um beijo para a super mãe que transpõe barreiras,e para essa jovem linda chamada Flavia, que a cada momento as encontra porque o destino e a incuria dos homens,fizeram com que fosse diferente.

    ResponderExcluir
  28. Bom dia Odele,

    è mesmo verdade,o deficiente físico tem muitas dificuldades para encarar sua vida já tão difícil.Muitos têm condição de trabalhar e disposição para se locomover e enfrentar o mundo, mas chegando as ruas têm que encarar uma verdadeira maratona e no final das contas fica impossível de chegar ao seu local de destino.Tenho um amigo deficiênte(amigo muito querido)já escrevi sobre ele no Avesso, mas voltarei a falar sobre ele q é uma pessoa incrível.Sei de todas as dificuldades q os deficientes passam baseado no q ele me contava, mas este meu amigo não se faz de rogado enfrenta qualquer tempestade.è um verdadeiro guerreiro(vc nao tem idéia).

    Muito bom post Odele.Muito bem lembrado!

    Querida,tenho percebido que algumas pessoas no avesso tem comentado sobre Flávia(por conta das Hortências na janela)e isto me deixa feliz.Espero q muitas pessoas entrem por alí dimpondo de um pouco de seu tempo para conhecer a real história de Flávia.

    Beijo grande nas duas!

    Crika

    ResponderExcluir
  29. Odele querida,

    Recebi um presente e quero dividi-lo com vc, pq te acho uma mulher diferente.Venha buscar.

    Beijos

    Crika

    ResponderExcluir
  30. Odele ,passei para abraçar e beijar voce e Flávia com muito carinho!
    Boa noite para voces!
    Ray

    ResponderExcluir
  31. O que escreveu nesse post é a mais pura verdade, ainda vemos por ai muitos deficientes com dificuldades de locomoção. Aqui na minha cidade pouco tem se visto nesse sentido.É um absurdo!
    Beijos para Flavia e para você Odele.

    ResponderExcluir
  32. Não há palavras para expressar a admiração que senti ao ler teu blog.Parabéns por seguir com garra lutando pela dignidade que todos ser humano direito merece!Parabéns pelo amor que você distribui assim tão gratuitamente! Parabéns pela tua dedicação em relação aos cuidados de saúde com tua filha.Você relata que as dificuldades são muitas e que a Flávia nunca teve uma cárie se quer...maezinha,que zelo e que modelo vc é para tantas maes relapsas que diariamente vemos no mundo.Um grande abraço de alguém que nao te conhece,mas que hj coloca Odele na sua lista pessoas fantásticas...aquelas que incansavelmente tentam atravé de sua experiencia de vida tornar o mundo muito melhor.

    ResponderExcluir
  33. Querida Odele:
    Perdona por no haber podido venir antes, durante este tiempito me ha sido imposible atender el blog, pero vengo a darte las gracias por haber estado ahi aún sin estar yo, ojalá este año y todos los sucesivos se hagan realidad tus sueños.
    Un beso y un abrazo enormes para ti y para Flavia de todo corazón y con todo mi cariño.

    ResponderExcluir
  34. Vamos fazer justiça, tenho certeza...

    Agradeço aqui de coração a amiga Leticia Coelho por ter me avisado...

    Odele, estou de seu lado, conte comigo...

    ResponderExcluir
  35. Odele,
    conheci a sua história e a de Flávia através da reportagem na revista Época e desde então tenho alertado as pessoas acerca do perigo dos ralos de piscinas, seja na escola de natação do meu filho, à filhos de amigos, clube de associação... Sou arquiteta e membro do conselho das pessoas portadoras de deficiência aqui no Pará. Conheço as barreiras da acessibilidade e por isso e por toda sua dedicação gostaria de externar minha admiração por você. Deus abençoe vocês. Grande abraço!!! Taciana Queiroz

    ResponderExcluir

Related Posts with Thumbnails