Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

SIDA/AIDS e AFETIVIDADE

- 15 de abril de 2008
Dica: Flavia, a caminho de Brasília. Acompanhe, no blog Adesenhar, de Portugal.

Faço uma pausa nos meus posts sobre a causa de Flavia para, junto com outros blogs amigos escrever algo sobre a SIDA/AIDS, com a intenção de alertar e desmistificar a doença. Esta foi uma solicitação de Raul, do blog Sidadania, cuja leitura eu indico por se tratar de um blog que nos fornece informações preciosas sobre a doença, como por exemplo, formas de contágio, prevenção e tratamento. E não só. Para saber mais, visite o Sidadania.

Tendo em vista os excelentes textos sobre SIDA/AIDS publicados por Raul e Paulo, respectivamente autor e colaborador do Sidadania, prefiro abordar aqui o aspecto da afetividade e o que penso ser a sensação de dor de quem foi infectado, e de como isto também pode afetar a vida das pessoas que estão à sua volta, principalmente familiares e amigos.

Acredito que podemos minimizar a dor dos infectados pelo virus da SIDA/AIDS,
pela forma como nos relacionamos com eles. Tratá-los com afeto, mas não com pena. Estarmos prontos para ajudar, para auxiliar, mas não fazer tudo por eles. Demonstrar que não só nós somos importantes para eles, como eles também o são para nós. E estarmos próximos em todos os sentidos. Estar próximo de um infectado pelo virus da SIDA/AIDS para mim, inclui não só ler e me informar sobre a doença, mas interagir com esse infectado, para podermos sair da teoria e passarmos à prática. Se a pessoa estiver próxima, conversar e ouvir sobre seus receios e anseios e proporcionar-lhe o prazer do toque com longos abraços. Certamente, esse contato também nos beneficiará pois será uma troca. De idéias, experiências afeto, emoções....Uma troca.

Um abraço a todos.

Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

19 comentários

  1. Tocou em pontos muito importantes Odele. Os infectados não precisam de pena mas sim de afecto,como qualquer pessoa não infectada.A SIDA/AIDS é inofensiva para terceiros e não se pega com carinho,abraços e beijos. Ela só se transmite através de relações sexuais não protegidas e nem sempre ou estaria meio mundo infectado. Pelo contacto com o sangue também acontece se a pessoa não infectada tiver uma ferida aberta sangrando.A maioria das infecções por esta via foi através do uso de seringas usadas no consumo de drogas injectáveis e através de transfusões de sangue.
    Não obstante a SIDA não ser perigosa ,os portadores do virus são vistos como outsiders numa sociedade cruel e castradora que sempre castiga os mais fracos,em qualquer circunstância e isto não acontece apenas com a SIDA. Veja o caso de Flavia sua filha, em que a própria justiça protege os poderosos em detrimento das vitimas que são aparentemente mais fracos. Nós lutamos contra esse estado de coisas e contra aqueles que são os nossos carrascos.Espero que agora compreenda, porque desde o primeiro momento em que tivemos conhecimento da tragédia de Flavia, considerámos a vossa causa como nossa também.
    Beijo grande para ambas do vosso amigo Raul

    ResponderExcluir
  2. Para esta questão, como para muitas outras, o segredo, se é que o há, é conseguirmos colocar-nos na pele dos outros. Perceber como gostaríamos que nos tratassem, se estivessemos a viver esse problema.
    O problema é que esta sociedade desumanizada, em que os valores da solidariedade e do afecto se vão perdendo, nos transforma em seres egoístas, mas, contraditoriamente, espectadores ávidos de tragédias alheias.Para nos fingirmos cumpungidos e condoídos.
    Há que dar a volta a tudo isto. Uma volta, muitas voltas!

    ResponderExcluir
  3. trata-los com normalidade e com a dignidade de qualquer ser humano doente ou nao merece, so k aos doentes sao os nossos tesouros e devemos cuidar deles com mais carinho , sao a nossa força .continuo a rezar por voçes-bjokas a ti e a Flavia

    ResponderExcluir
  4. Só tu escreverias estas palavras dignas, sérias e com tanto realismo e em tudo "a pena, ou o coitadinho(a)" é o pior caminho de ajuda e solidariedade.

    Tu Odele, a braços com um flagelo terrível dás ao mundo o maior exemplo/testemunho de como devemos estar e agir perante quem padece de algo e neste caso, que igualmente aderi, falar da Sida/Aids nunca é demais!

    Aquele abraço grandão:)

    ResponderExcluir
  5. Odele
    Um texto que toca em muitos pontos fundamentais e que é um excelente contributo para o grande debate que está a acontecer na blogosfera sobre a SIDA/HIV.
    Um beijo para ti e outro para Flávia

    ResponderExcluir
  6. O meu agradecimento profundo pelo post agora publicado.O mesmo vai de encontro às pretensões que temos, possibilitando a todos os infectados, afectados e população em geral, uma maior qualidade de vida. Um beijo do tamanho do mundo para Si. Um beijo do tamanho do mundo para Flávia.

    ResponderExcluir
  7. Parabéns ao teu filho. Para ti Mãe coragem e para a Flávia toda a minha ternura. Muitos beijos.

    ResponderExcluir
  8. Odele,

    o amor é a mãe de todas as causas.

    Também no aromas está um convite ao tema. O Raul faz de si um exemplo para os outros. Não sinto o Raul como pena, mas sim como um homem que luta com dignidade por ele, mas sobretudo pelo bem dos outros.

    Deixo um abraço para si e um bj de esperança para a Flavia

    ResponderExcluir
  9. Olá Odele,
    é estranho como as coisas acontecem em nossas vidas. Eu ainda estou no local de trabalho(21:45h) e estava procurando algum assunto no Google, que não era nada relacionado ao seu Blog... Mas, por algum motivo, ele apareceu em minha tela. E lendo-o, me deu uma vontade louca de colocar o link no meu Espaço do MSN. A foto onde a Flávia aparece com uma blusa vermelha, acompanha um post com um link do seu Blog. Odele, continue com fé no seu caminho minha linda, torço e rezarei pela recuperação de Flávia, e como eu disse no meu Espaço, ela também tem direito à vida. Vocês não estão sozinhas. Fiquem com Deus!!! Abraços Carinhosos, Crisilaine Oliveira Borges / Três Corações-MG

    ResponderExcluir
  10. O texto de Odele prova o quanto é importante a solidariedade. Desmistificar a Aids é um dever diário de cada cidadão.
    Parabéns aos meninos do SIDADANIA e para Odele pelas lições diárias de amor.

    ResponderExcluir
  11. Oi Odele

    Desculpe-me a ausencia, tive visitas, uma correria grande, agora esta comecando a tranquilizar um pouquinho.

    Muito bom seu post Odele, e sempre bom postarmos a respeito, porque as estatisticas e triste, mas as pessoas parecem nao se importar.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  12. Olá, passei tão somente para ler-te. Admiro seu bom coração.
    Tenho uma irmã gêmea, que nasceu especial. Ela me faz olhar sempre para o próximo, com carinho. Com ela, não desafio o destino, apenas enrolo-me na sua sabedoria.
    Saiba que estarei aqui, a visitar-te.

    ResponderExcluir
  13. Olá amiga Odele.

    Gostei deste artigo, tinha um amigo com aids, sim já morreu, era um grande amigo que perdi, e aqulo que melhor lhe podia ter dado foi a minha amizade, mas vi situações tão estúpidas e revoltantes, um dia nun café deram-lhe café num copo plástico e tinham uma filha e disseram para não se aproximar e não tiveram escrúpulos de dizer à frente de toda a gente.

    Que sociedade é esta, eu continuo a dizer que há doenças bem mais graves que se transmitem apenas pela respiração, transpiração, saliva, etc. E agora digam-me porquê tanto medo da sida? Porquê tanto medo de abraçar estas pessoas, pelo amor de Deus, vamos acabar com estas discriminações.

    Bem é melhor acabar por aqui, que a revolta ainda é grande dentro do meu coração.

    Um enorme beijo e bem apertadinho para a Flávia e para si.

    ResponderExcluir
  14. EM primeiro lugar, obrigada pela visita ao meu blog. Já visitei o teu umas quantas vezes, conhecia a tua história há um bom tempo!

    Quanto a este post. Já vi a iniciativa no blog da Isabel e do Peciscas. Acho que é de louvar!

    Beijinhos e continua a ser essa mulher forte! *.*

    p.s.- respondi ao teu comentário no meu blog.

    ResponderExcluir
  15. odele,
    estou passando para deixar um beijo para você e para a flavia. a tal da monografia está ocupando mesmo o meu tempo.

    Beijo!
    Anelize

    ResponderExcluir
  16. Olá Odele!
    Hoje de tarde li este post mas estava no trabalho não pude comentar logo.
    O seu texto é excelente,desenvolvido com muito realismo e sensibilidade. É como alguém diz aqui, é só pormo-nos no lugar do outro e logo saberemos o que fazer.
    Ao lê-la me fez lembrar de um rapaz infectado que conheci durante una três anos, tinha um longo percurso de droga, mas estava em recuperação, na altura teve alguns internamentos relacionados com as doenças hospedeiras, mas tinha outros períodos muito bons e então gostava muito de falar comigo, porque o tratava como um igual porque o ouvia e conversava com ele como uma amiga, embora não o conhecesse a não ser de passar por minha casa. Muitas vezes desabafava sobre a consciência que tinha de como fez a mãe sofrer com os problemas da droga durante alguns anos, mas tinha uma afectividade muito grande por ela e por um sobrinho que vivia com eles. Era um rapaz pobre, com muito poucos recursos mas cheio de vontade de vencer a doença. Foi uma experiência interessante para mim e embora lhe tenha perdido o rasto, ainda hoje me apetece descobri-lo, não sei como, mas sei que morava por perto e hei-de tentar porque me emociono sempre que falo dele, tinha muita dignidade e como você diz aqui os afectos são importantes e ficou-me este afecto por ele.
    Beijinhos.
    Branca

    P.S. Vi aqui uma nota que não tinha visto à tarde e que fala de Flávia a caminho de Brasília, fiquei curiosa, vou já ver. Sabia porque a Odele já tinha dito que o processo caminharia para lá e que nos avisaria se fosse necessário fazermos algo para dar força à sua resolução. Vou espreitando por aqui para estar atenta sobre o que poderemos fazer.
    Tudo de bom para vós.
    Beijos

    ResponderExcluir
  17. Minha querida Odele esse é o caminho principal: o Amor! Um beijo, querida...para ti e Flávia...

    ResponderExcluir
  18. Odele, se informar sobre a doença, é gesto humanitário, tanto para o cidadão infectado, para o não infectado. É simplesmente UM GESTO DE AMOR!!! Beijos à vocês ... Eliana - Mogi Guaçu -SP.

    ResponderExcluir
  19. Odele, minha querida. Fico horrorizada em saber que tem gente usando coquetel do dia seguinte porque "esqueceu" a camisinha. Tem muita gente de alto coturno aí que não tá levando a coisa a sério.

    ResponderExcluir

Related Posts with Thumbnails