Este blog, criado em janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia e sua luta pela vida. Flavia vive em coma vigil desde que, em 06 de janeiro de 1998, aos 10 anos de idade, teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O objetivo deste blog é alertar para o perigo existente nos ralos de piscinas e ser um meio de luta constante e incansável por uma Lei Federal a fim de tornar mais seguras as piscinas do Brasil.

18.dia de UTI.

- 6 de fevereiro de 2007

Lá fora, na ante sala , enquanto eu aguardava mais uma vez permissão para ver Flavia, sou avisada de que Luisa, uma amiga de muitos anos, estava na recepção do hospital. Como tantas pessoas, Luisa estava ali para levar solidariedade e afeto. O elevador parou algumas vezes no 3º.andar mas como estava sempre cheio, não consegui entrar. Resolvi então descer pela escada para receber minha amiga, ao mesmo tempo em que atendia meu filho Fernando no celular, um Star Tac que me fora emprestado pelo meu colega de trabalho Carlos Apollonio. Até hoje não entendi meu desequilíbrio, mas o fato é que quando me dei conta estava rolando escada abaixo e só parei quando me estatelei contra a parede. Uma dor muito forte no ombro impedia de me mexer. Fiquei muito pálida, comecei a suar frio e como estava entre um andar e outro demorou um pouco para que a recepcionista do andar inferior percebesse que alguém havia caído na escada. Pedi à moça que chamasse a amiga que me aguardava na recepção e com a ajuda dela fui levada para o pronto socorro dentro do próprio hospital. Após me examinar o médico disse que eu havia fraturado o ombro. Eu que nunca na vida havia quebrado um dedo sequer, estava naquele momento com o ombro fraturado e com minha filha na UTI.

Fui encaminhada para um ortopedista. A vantagem – vantagem?... era que tudo podia ser feito no próprio local, já que eu estava dentro de um hospital. Após radiografar meu ombro o ortopedista fez as costumeiras recomendações: Cuidado, ficar com o braço imobilizado, etc.etc. Lembro-me da cara de espanto dos médicos da UTI quando souberam que eu havia caído da escada e fraturado o ombro.

- Mas Dona Odele, justo agora com sua filha na UTI??!!

Com o braço imobilizado fiquei impossibilitada de dirigir, e aí passei a depender de meus vizinhos do prédio para ir ao hospital onde eu passava o dia todo. Fizeram um revezamento e cada dia alguém me dava carona. A fratura foi no braço direito e eu tinha dificuldades para realizar tarefas simples como lavar e pentear os cabelos, trocar de roupas ou calçar os sapatos.

Às vezes ao sair do hospital no fim do dia, eu, um pouco constrangida telefonava para alguns colegas de trabalho e pedia carona para voltar para casa. O constrangimento diminuía quando a pessoa chegava e eu percebia que ela estava ali de boa vontade e querendo ajudar. Lembro-me especialmente de uma ocasião em que eu já não sabia à quem recorrer para minha carona diária do hospital para casa e resolvi telefonar para a HP e pedir ajuda ao meu colega de trabalho Ricardo Sardenberg. Meu Deus, chovia muito naquele final de tarde. Ricardo saiu do trabalho lá em Alphaville e dirigiu até o Hospital Santa Izabel na Rua Veridiana, um longo e congestionado percurso. Chegou com um sorriso no rosto e simpático, foi conversando comigo até a porta de meu apto. Ao agradecê-lo por tamanha gentileza, Ricardo me responde:

- Odele, eu é que agradeço pela oportunidade que você me deu de ajudá-la.

Achei linda a frase e a atitude de Ricardo e a partir desse dia eu me dei conta de que muitas pessoas estão dispostas e até gostam de ajudar sem nenhum outro motivo que não seja o desejo de ser útil ao próximo.

Meu nome não é Odete, como algumas pessoas escrevem nos comentários, é Odele, com L e não com T.
Obrigada.

Um comentário

  1. Odele, sou irmã do Carlos Apollonio da HP , que aliás ainda trabalha lá, porém não mais no Brasil. Hoje ao comentar com meu marido sobre a abrangência de registros do Google, começamos a digitar nossos nomes para efetuar uma busca e digitei também o de meu irmão,Carlos, que foi extraído do blog da Flávia. Eu já conhecia a triste história de sua filha e sempre muito chocada comentei com amigos , só não imaginava que voce, além de todo sofrimento, teve também que brigar (ou ainda briga) por justiça pelo que , irresponsavelmente causaram à sua filha, a voce, e a toda sua família. Chorei , ao ouvir o video que conta a história da Flávia, mas o meu choro é apenas uma gota comparado ao seu, que deve ser , ou já foi do tamanho de um oceano... Espero que passados tantos anos seu coração tenha encontrado um pouco de paz, mas tenho certeza de que um pedaço de seu coração se foi, depois do trágico acidente com a Flávia. A tragédia vivida pela sua família não é apenas um fato qe conto a várias pessoas, é um alerta a mães e pais, que pensam ter seus filhos seguros dentro dos prédios onde moram. Não sabemos quando, onde ou como, pessoas irresponsáveis colocarão a vida daqueles que amamos em risco. Caso haja algo que possamos acrescentar à sua luta por justiça, por fvr informe. Algum blog, ou assinaturas, ou divulgação, enfim, informe se há algo que possamos fazer. Independente da "luta" conte comigo, mesmo sem me conhecer, para lhe ouvir, lutar, ou chorar junto com voce, pois como mãe posso mensurar quanto o acidente de Flávia mudou sua vida, para sempre. Um beijo, que Deus lhe abençôe e que sua luta por justiça seja vitoriosa.
    Elvira Apollonio
    email: elvira@tankpartners.com.br

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